sábado, 13 de agosto de 2016

O jardim que encanta


No universo do mundo dos objetivos, existem pessoas e pessoas. Algumas singulares por natureza, como Manoel, o qual faz parte deste diferencial. Apaixonado pela sua profissão de jardineiro, pelas plantas e tudo que delas se associam. Manoel também era curioso, estudioso e fascinado por lendas de enlevo que fazem o homem enxergar exemplos de virtudes, onde antes talvez fosse impossível. Seu sonho era um dia ter sua própria história; viver um sonho inimaginável para que as pessoas desprovidas das bênçãos de Deus pudessem refletir sobre si mesmas. Por ventura ou aventura em outros horizontes, em outros lugares, quem sabe, fosse lembrado como alguém que ajudou a escrever o seu próprio destino. 

Com a simplicidade de quem era sinônimo de determinação. Uma pessoa que vivia cada segundo de sua vida, edificada na sua personalidade brilhante e perseverante, arregaçou as mangas e foi em busca dos seus ideais. Mesmo em se tratando de algo pessoal, não pretendia de modo algum, restringir, nem impor limitações aos seus conceitos visionários de uma mente arrebatadora e o seu apetite voraz pela leitura. Aprendeu a ser leal com os menos afortunados dos seus sonhos, permitindo-o o compartilhamento. Assim, demonstrando simplicidade no seu sorriso infantil, não foi difícil começar a construir o seu legado.

Morava em uma pequena cidade, contudo, não se tratava de um lugar ermo, sem importância. A população, como ele, admirava o perfume de um jardim bem cuidado. Era raro encontrar uma casa que não tivesse uma área florida, com todos os requintes de beleza e encantamento.

Certo dia depois de fazer seu percurso habitual, que o conduzia até a sua morada, ao passar por uma casa a muito por ele observada. Mesmo com características e aparência modestas, havia algo que o considerava fundamental: área disponível para se construir um belo jardim.

Suas moradoras, uma senhora com aproximadamente 50 anos e sua filha que se imaginava próximo dos 30, lutavam com dificuldades pela sobrevivência. Dependiam somente de uma irrisória pensão, deixada pelo marido falecido há alguns anos. E, eventualmente, dos insignificantes resultados dos trabalhos que ambas desenvolviam com bordados. Era inegável a qualidade e o primor das peças, a habilidade e o zelo, de seus maravilhosos desenhos elaborados a partir de uma linha, com o auxílio de uma ou duas agulhas.

Com os poucos recursos financeiros a que tinham direito por questões óbvias, a pensão. Muitas vezes tinham que, se submeterem a duas variáveis: ter dinheiro suficiente para suas necessidades básicas de sobrevivência, e ainda, para comprar os novelos de linhas e o tecido para executar o exercício de suas tarefas, que completariam os seus minguados recursos. Em muitas ocasiões faltavam-lhes tecidos, linhas e o apoio de alguém que se interessasse em ajudá-las ou até mesmo, para comprar suas peças.

Um dia, Manoel depois de ter passado quase toda à noite, lendo um livro que acabara de adquirir, ficou impressionado com sua leitura, que contava a história de um homem, que estava cansado do que fazia. Tratava-se um balseiro que transportava pessoas de uma margem a outra de um rio.

Esta sua atividade já vinha desde a infância, quando substituiu o pai que na época se encontrava velho e doente. Não sabia fazer outra coisa, até que ao transportar um senhor atingido pela fatalidade da falta de visão, se admirou com a simpatia do velho cego; seus modos, maneira de vestir-se e o seu sutil comportamento enigmático. Na história o barqueiro somente no final do percurso que fazia da travessia, é que teve a coragem suficiente de perguntar-lhe o nome.


Descreve o livro: “...Silencioso e de aparência compenetrada, podia-se notar que estava atento a tudo que acontecia à sua volta. O barqueiro curioso com aquela visão incomum, perguntou o seu nome, recebendo de maneira educada a resposta:  “Eu me chamo Felicidade, mas pode me chamar de Sorriso, como as poucas pessoas que me conhecem me chamam”. Ao obter a informação, o barqueiro logo imaginou tratar-se de uma brincadeira nada convencional. Pensou de imediato:  “Isto é pra eu permanecer calado e só responder ao que me perguntam e preocupar-me menos com a vida dos outros...”

A cada informação que recebia do conteúdo do livro, permitia que Manoel avaliasse o comportamento do personagem, sem, contudo, deixar de admirar aquela figura humana, simpática, porém misteriosa. Estas entrelinhas interrogativas, o deixava mais envolvido com sua leitura. Parecia que já havia incorporado o personagem balseiro, vivenciando cada detalhe da história, como se fosse ele próprio o condutor da balsa.

Segue o texto do livro:  Pensou o balseiro:  “Só queria saber o seu nome e depois, declarar minha admiração pela sua coragem de transitar sem temores nas suas condições. Isto é feio? É bisbilhotice? Sem obter respostas, continuou sua atividade sempre se autoquestionando.” Manoel compenetrado vivia um momento de deslumbramento. Alimentava pensamentos paralelos, na mesma intensidade do personagem.

Continua a narrativa do livro: “...Até que outro dia o mesmo senhor pegou a sua balsa de volta. Vendo-o com a mesma elegância, roupa limpinha, bem engomada, sapatos lustrados e a bengala com alça de couro, cresceu ainda mais sua admiração por aquele bem aparentado e curioso velho. Nem por isto se atreveu a fazer qualquer comentário...”.

Nessa noite Manoel não conseguiu ler toda a história, embora ficasse impressionado e ansioso pelo desfecho. Estava cansado, precisava dormir, o dia seguinte seria de muito trabalho e ele necessitaria de disposição, muita disposição!

Mesmo tendo que estar atento ao que fazia, não conseguia desvencilhar seu pensamento da história, que o levava a meditar sobre cada detalhe do que havia lido. – “Por que será que o velho deu aquele nome de forma incompreensiva, sem sentidos, se o balseiro só queria ser simpático?” Assim transcorreu todo o dia sem uma conclusão satisfatória. Entretanto, ao chegar em casa iria sem dúvida, descobrir.

Novamente no retorno pra casa, ao passar pela residência das mulheres bordadeiras, seu pensamento vagou pelo desejo de transformar aquele espaço abandonado, habitado pelo mato, quem sabe até, por animais peçonhentos e perigosos, em um lindo jardim com sua magia particular. Povoado por borboletas, abelhas, pássaros e o olhar admirado das pessoas que por ali passassem.

Quando terminou sua leitura descobriu que realmente o velho se chamava Felicidade. Também era justo que os poucos que o conheciam, como ele mesmo disse, o chamassem de Sorriso. Havia um motivo subentendido em torno do seu nome. Acontece que mesmo não podendo enxergar. Ver a natureza com suas nuances e belezas exuberantes; não poder olhar nos olhos das pessoas como a maioria, ainda assim, trazia no coração um sentido especial: podia enxergar a alma de quem dele se aproximasse. E, naquele momento em que o balseiro havia perguntado o seu nome, pode perceber sua curiosidade em torno do seu comportamento de cego, sem contar com a ajuda de outra pessoa que estivesse ao seu lado orientando-o, mesmo assim, sabia perfeitamente onde pisar e em que direção deveria seguir.    

No entanto, Manoel entendeu que o velho percebendo que o balseiro o tratava com respeito, naturalidade e cumpria com amor sua missão. No retorno, sem que fosse solicitado, o velho cego, respondeu suas indagações pessoais, captadas pela sua aguçada sensibilidade sensitiva. Quando o aconselhou a continuar transportando pessoas, porque, além de transportar vidas, estava conduzindo muitas vezes indivíduos em busca do seu próprio destino.

Para algumas pessoas, estavam reservadas grandes realizações. Entretanto, para outras, em decorrência do livre arbítrio, envolveriam com momentos trágicos. E ele ali nas suas idas e vindas, dava esperança a quem buscava o incompreensivo, fugindo do obscuro limiar da insatisfação, do desconhecido e da falta de perspectivas.

O interessado jardineiro atento a alguns detalhes se surpreendeu mais uma vez. Ao se deparar com algumas informações consideradas de grande importância, sobre a forma de se ver o sentido da vida, definidas pelo velho e enigmático cego. Anotando alguns exemplos relevantes:  “A abelha ferroa não porque é hostil, mas para proteger sua colmeia, dando sua vida pelo o que acredita. Ao picar suas vítimas, não consegue retirar intacto o seu ferrão, com isto, perde parte do seu intestino, resultando na sua morte. Depois não faz isto somente por prazer, vingança ou em benefício próprio. Mas para proteger toda comunidade melífera, da qual faz parte.”

 “Tem consciência do sabor cobiçado do seu favo doce e da dificuldade de produzi-lo. Sua produção exige trabalhar em voos contínuos e distantes em busca do néctar, só encontrado em maior quantidade na época da florada, nos campos, pomares e jardins. Inclusive a produção da geleia real, indispensável para a alimentação da sua soberana, a rainha. Única responsável pela produção dos ovos que darão continuidade e preservação da espécie.”

Continua o velho cego suas explicações, através do livro:  “Semelhante é a roseira. Ela também tem espinhos, não porque seja ofensiva, mas para se defender. Mesmo assim, todos a admiram, pela beleza de suas rosas em várias cores. E, pela sua fantástica capacidade de hipnotizar corações apaixonados nas mais diferentes situações. É plantada em terreno fofo, depois é adicionado o esterco proveniente do excremento de origem animal, para que cresça vistosa e sadia. Nem por isto é mal cheirosa, pelo contrário, as pétalas das suas rosas são lindas e perfumadas.”

Outro exemplo:  “O arco-íris é o efeito de partículas muito pequenas, quase invisíveis de água, sob a forma de spray ou pulverizadas pela chuva ou grandes cascatas de águas que caem. Em contato com os reflexos dos raios do sol, causam todo o esplendor de cores diferentes, sem a pretensão de combinações. Em forma de arco, para muitos, corresponde a uma lenda centenária, em que, cada uma de suas extremidades, existe um fabuloso pote de ouro.”

 “A lagarta com sua aparência considerada por muito repugnante, se arrasta com dificuldade nos locais mais adversos, se protegendo de predadores, ou mesmo, para evitar ser pisoteada por algum indivíduo maior. Passa a maior parte dos seus dias, procurando alimento de galho em galho. Como recompensa, se penaliza por um tempo, dentro de uma crisálida minúscula, fechada e sufocante, antes de se tornar uma belíssima borboleta, capaz de voar livremente nas alturas, mostrando sua simpatia e encanto; pousar em lindas flores perfumadas, pelos campos, jardins ou na arte da tela de uma pintura.”

Assim que terminou a leitura, deixou transparecer um largo sorriso. Quando se viu sorrindo compreendeu o real sentido do nome do ancião cego. Refletiu por algum tempo as mensagens, e decidiu: assim que terminasse o trabalho em andamento, iria construir o jardim na residência das solitárias moradoras, que o consideraria, como sendo, o princípio da sua verdadeira missão, como ser humano que acredita na verdade Divina. E que, cada um, tem o seu próprio desígnio a cumprir.

Falaria com as mulheres, convencê-las-ia e, colocaria em prática sua proposta pessoal. A partir daquele momento, seria ele o balseiro sob a forma de jardineiro. Com um detalhe expressivo a acrescentar: sabia o que queria da sua vida. Tinha prazer pelo o que fazia, além de, se sentir responsável pela alegria no olhar dos amantes do belo. Despertar nas pessoas, transformações grandiosas de preservação à natureza e tudo que dela representa.

Sentindo-se preparado e disponível para o que se propusera, procurou as bordadeiras, expôs seu desejo de transformar aquela área ora abandonada em um belo jardim.  Após descrever o que tinha em mente, encontrou logo de imediato, o apoio entusiasmado das humildes mulheres. Sua atitude iria melhorar sobremaneira o visual da casa, além é claro, trazer um novo clima de bem-estar. Um novo alento, não só para elas próprias, mas para toda a comunidade, que carecia ver aquele desprezível ambiente transformado. Quem sabe até, inspiração para um belo conto de fadas ou o nascimento de uma nova lenda, como era o seu sonho?

Estava evidente que o livro que acabara de ler, havia contribuído com estímulos suficientes para a iniciativa. Por outro lado, Manoel possuía um espírito tão evoluído que sua atitude de criar o jardim dos seus sonhos, estava agora, prestes a se concretizar. Vidas distintas também iriam descobrir um novo mundo de beleza, cor e perfume, através da sua ação. Os pássaros encontrariam outro lugar para cantar e encantar, as borboletas, abelhas e outros insetos o seu paraíso mágico.

Antes de iniciar os preparativos, idealizou a necessidade de constar no projeto, algumas plantas aromáticas indispensáveis, que se encarregariam da defesa natural. Evitariam o ataque de formigas e outros insetos nocivos às plantas. Para esta estratégia não pretendia abrir mão do alecrim, camomila, capuchinho, erva-doce, hortelã, manjericão, sálvia, calêndula e gergelim; plantas ornamentais como: amor-perfeito, petúnias, antúrios, verbenas, bromélias, palmeiras anãs, gerânios, cravos, rosas, jasmins, grama esmeralda, entre outras diversidades.

Desde o primeiro momento, em que iniciou suas pretensões de revitalizar a área e criar o jardim, começou a estabelecer um vínculo de entendimento com as sementes e mudinhas escolhidas com esmero, transmitindo-as status de estrelas. De importância, de serem únicas em beleza por todo o universo. Esclarecia, uma por uma, suas singularidades, personalidades, nobreza e prestigio.

Da mesma forma, transmitia a cada uma a responsabilidade de representar com beleza e simpatia, o que existia de melhor em espécie; de estar ajudando a construir um paraíso envolvente de amor, iluminado pela luz do Criador. Seu tratamento chegava a ser de uma amizade paternal. Quando Manoel plantava uma sementinha, dizia àquela pequena vidinha, ainda em transformação a importância da vida.

 Querida sementinha, você agora não passa de um embriãozinho de esperança. Logo estará crescida, transformada e bonita. Mas jamais perca sua simplicidade. Consciente que sozinha não passaria de um grãozinho quase sem importância. Igual a muitos raminhos esquecidos em algum lugar distante do olhar das pessoas e dos animais. Será razoável, nunca se esquecer deste detalhe; orgulhar-se de ter sido a escolhida para dar alegria. Não para se envaidecer, achando-se melhor que as demais.

Para as mudinhas dizia:  Oi mudinha, hoje você não passa de um pedacinho de vida, mas logo será grande e exemplo de beleza e admiração. Seu jeitinho nobre encantará a todos. Seja responsável na sua missão de embelezar e perfumar o ar que todos nós tanto precisamos. Seja querida não apenas pelas suas cores e o formato de suas flores e pétalas, mas por transmitir nos seus dias de existência, felicidade e agradecimento pelas suas características exclusivas.

Com os pássaros não era diferente. Sempre que apareciam, Manoel fazia questão de conversar com cada um, mesmo sem receber um aparente retorno. Agradecia a visita, pedindo-os que não se afastassem e, continuasse dando alegria com os seus cantos sublimes. E se possível, convidar outros como eles, a estarem presentes, dando às pessoas motivações de altivas mensagens, através de o seu trinar cativante e melodioso, agradável aos nossos ouvidos.

Quando a primeira borboleta apareceu exibindo suas cores vibrantes, recebeu logo o seu batismo com o nome de princesinha. Sentiu de imediato, que aquela frágil criatura ficara contente com o nome. Acompanhava-o em todos os lugares do jardim. Algumas vezes, pousava no seu ombro amigo ou num outro lugar, bem próximo. Fazia questão de movimentar suas asas, abrindo-as e fechando-as para que ele pudesse contemplar sua beleza única. Em cada uma de suas pétalas da membrana alada, ficava visível um símbolo, decifrável apenas pelo olhar do Pai do Céu.

Manoel, envolvido por uma felicidade inigualável, acompanhava maravilhado aquele momento indescritível. Transformar um lugar antes esquecido e abandonado, no paraíso dos sábios anjos do bem. Em breve, seria um jardim de delícias, onde reinará a paz, o sossego e a materialização dos sonhos.

Outro fato notável foi o aparecimento da Fada Encantada da Jardinagem, acompanhada de suas seguidoras assistentes. Fulgurantes luzes semelhantes a flashes estrelados movimentavam-se de um lugar a outro, feito raios riscando o espaço, como se estivessem inspecionando sua criação. Tal acontecimento canalizava toda energia necessária de bondade e sabedoria, suficientes para entender a importância que a empatia de cada espécie ali presente, sem exceção, seria fundamental para as lições de fé, que cada dia representa na vida de todos.

Com as formiguinhas Manoel pedia apoio no sentido de conservar a integridade de suas plantinhas, sem nenhum prejuízo às suas vidas, conservando-as perfeitinhas, não as destruindo. Elas iriam dar muita alegria a todos que as vissem floridas e belas. Transferindo às pequeninas cortadoras de pinças afiadas, a responsabilidade de ajudar a manter o encanto do lugar que seria mágico e de inspiração triunfante.

Com esses diálogos cordiais, Manoel conseguiu estabelecer uma irmandade de cumplicidade com todos os habitantes do jardim encantado; com sua lenda em construção. Lenda que logo, também seria exemplo de esperança para um futuro melhor.

Em pouco tempo já havia concluído o seu espaço florido, sua obra-prima. Uma realidade indiscutível, que não demorou a se confirmar. Todos os dias impreterivelmente, reservava as manhãs e as tardinhas, para os cuidados necessários com sua criação. Seja para aguagem, como para as limpezas e podas imprescindíveis.

Havia adquirido o dom de conversar com as plantas, aves e insetos, em diálogos longos, proveitosos e permanentes. Entendimentos capazes de esclarecer as particularidades de cada espécie. Quando chegava era recebido com elevada manifestação de carinho.

Os pássaros irradiavam com suas virtuosas presenças, melodias alegres, cantadas em verdadeira sinfonia poética; plantas e flores no mesmo ritmo formavam um coral e boas-vindas. Até as pessoas que não podiam ver, ou perceber o encanto, sentiam intimamente aquela harmoniosa presença do sobrenatural, comum da alegria incontida.

Em pouco tempo, passear próximo ao magnífico jardim tornou-se um hábito indispensável para os habitantes e visitantes da pequena cidade. E o seu poder de harmonia e paz, havia se espalhado a distâncias imensuráveis.

Manoel estava sempre distribuindo simpatia e sorriso a todos que por ali paravam. Quando somente passavam próximo, um aceno cordial não era esquecido, independente se fossem humanos ou não. A propósito, como bom aluno que era, a exemplo do bom ancião cego, sorriso virou sua marca. Também não era pra menos. Havia construído um ambiente de contagiante atmosfera e envolvimento, onde a felicidade predominava. 

Por meio de gestos de alta nobreza, Manoel entregou àquelas mulheres solitárias, criativas na sua arte de bordar, um novo símbolo de beleza e contentamento, antes inimaginável. Aquele que ali se aproximava, imediatamente era conduzido a um estado de luz. Livrava-se dos mais enraizados problemas; os adoentados, enfermos e desenganados vislumbravam esperança.

Havia até aqueles que diziam, se sentirem curados, graças ao alto grau de encantamento. Notícias se espalharam feito rastilho de pólvora, sobre os feitos e os resultados alcançados por Manoel. Situações consideradas impossíveis encontravam soluções e respostas benéficas para quem se aproximasse do jardim.

Não tardou para se tornar visita obrigatória para as pessoas que buscavam o ambicionado conforto espiritual. Os céticos contagiados pelas manifestações de bem-estar, mesmo tentando driblar a própria consciência, não resistiam à tentação, movidos por uma atração inexplicável, porém, presente naquele ambiente iluminado. 

O jardim virou uma extensão envolvente de vida plena. De revelação da fé e da indiscutível presença da harmonia, causada pelo encanto energético das flores coloridas, pela beleza do canto extraordinário das aves. Era o jardim que encantava. O jardim que floria na alma das pessoas.

Manoel maravilhado com sua criação, concluiu espontaneamente, que não basta ter apenas um jardim com plantas diferenciadas. É preciso que esse jardim esteja dentro de si, dentro de cada um. Sentir além do perfume das flores, o seu sorriso de felicidade. Compreender que os pássaros não vão a determinado lugar por um mero acaso ou pelo descanso após longos voos, mas pelo prazer da receptividade.

As borboletas, as abelhas e os beija-flores, também não procuram os jardins pelo seu colorido, mas pela sua doce simpatia envolvente. Produzida até mesmo, pela mais simples plantinha imperceptível, desde que esteja irradiando a fragrância do amor. E que, sua beleza não se traduza em uma mera futilidade, mas, na essência superior do Criador, no seu momento de esplendor criativo.

Um lugar onde até mesmo as formigas e outros insetos nocivos pedem licença para contemplar sua magnífica magia. Todo jardim feito e cuidado com carinho, tem as bênçãos da Fada Encantada da Jardinagem, que tudo faz, para sobressair na vida dos seres, o amor ao próximo de maneira espontânea e atitude de caráter superlativo.


Este conto eu o escrevi em 10/setembro/2009. Espero que goste. Au revoir. 




A propósito, você já acessou a fan page do meu livro infantil Juju Descobrindo Outro Mundo? Não imagina o que está perdendo. Acesse: www.fecebook.com/jujudescobrindooutromundo.


E o site da Juju Descobrindo Outro Mundo, já o acessou? Se eu fosse você iria conferir imediatamente. Acesse: www.admiraveljuju.com.br 



 Imagens: Google

14 comentários:

Revista Protexto disse...

Caro Dilson, agora tenho o privilégio de ser o primeiro a comentar, porque ler alguém já deve ter lido. Belíssimo texto, como sempre são os seus textos. E aquela casinha levou-me a outra feliz época, quando havia muito mais sol na minha vida. É bem verdade que esta linda casinha parece estar numa cidadezinha, pela calçada que se deixa ver ao pé da imagem (a minha casinha, bem mais simples inclusive) ficava isolada, só, lá no meio do vale, mas havia igualmente plantas, flores, pássaros, insetos... havia jardim assim como este, e os jardineiros éramos nós que morávamos lá.
Saudade... saudade... feliz saudade que seu conto me traz...
Abraço grande.
Remisson

Dilson Paiva disse...

Valeu Remisson - Revista Protexto, é sempre um grade prazer receber o seu comentário consciente e simpático. Realmente quem hoje mora numa cidade grande, mas um dia habitou uma cidade pequena, a imagem e o conteúdo do texto, nos remete a saudosas recordações. Obrigado amigo, pela sua gentil visita. Abraço fraterno.

Arlete Meggiolaro disse...

Conto lindamente florido e perfumado pelas flores do carinhoso e de pura alma - Manoel.

Dilson Paiva disse...

Que bom admirável poetisa Arlete Meggiolaro, poder recebê-la entre nós! Obrigado pela sua visita e o seu perfumado comentário. Abração...

Anônimo disse...

Querido Dilson!
Seus contos além de lindo, deixa um suave perfume no ar, trazido pela brisa do vento e as flores do jardim, sem contar a emoção sonora da melodia dos passarinhos.
Já tinha lido e me encantei novamente com a leitura é como assistir a um bom filme que gostamos duas vezes, e sempre nos emocionamos com as surpresas.
Amei reler e desta vem me pareceu mais lindo.
Juloren

Dilson Paiva disse...

Olá Juloren, em todas as minhas postagens fico esperando pelo seu gentil comentário. Tem sido assim, há muito tempo. Obrigado mais uma vez, querida leitora e amiga, pela visita e a sua simpática avaliação. Abração.

Claudenor Albuquerque disse...

Que texto bonito e feliz!! Me fez ter mil lembranças. Adorei o texto!
Se puder visita meu blog tb...
http://alquimiadeversos.blogspot.com.br/

Dilson Paiva disse...

Olá Claudenor, que bom que gostou. Este Conto tem recebido boas críticas no Face, inclusive discussões entre leitores, com opiniões bem favoráveis. Quanto ao seu Alquimia de Versos, pode crer que o visitarei sim. Obrigado pela simpática visita. Contamos com o seu breve retorno. Abraço fraterno.

Andréa Iunes disse...

Um texto com cheiro e muita cor, daqueles que a gente começa a ler e não quer parar, fluido, doce, realmente um jardim encantado. Parabéns! Fã! Beijo

Dilson Paiva disse...

Valeu Andréa Lunes, que bom que gostou. Ficamos felizes com sua declaração. Obrigado pela visita ao Bússola Literária e o seu simpático comentário. Estaremos sempre aguardando o seu retorno. Fraternal abraço.

Ilza Royer disse...

Lindo texto, me fez refletir sobre bondade.Precisamos de mais jardineiros como o Sr Manoel, para cultivar jardins encantados nos corações e nas almas humanas,a colheita de sorrisos será abundante.
Parabéns Dilson, texto enriquecedor e reflexivo,abraços.

Dilson Paiva disse...

Olá estimada Ilza Royer, estamos agradecidos pela sua amável visita e o seu gentil comentário. Que bom que gostou e tenha considerado a narrativa uma história para reflexão sobre nós mesmos. Na verdade, não foi esta a nossa pretensão, mas já que considera como tal, ficamos felizes de saber que podemos de alguma forma ajudar e sermos úteis. Afetuoso abraço.

Evanilde ROCHA KIRCHNER disse...

Olá, Dilson bom dia!

Este foi o mais belo conto que já lí em toda á minha vida pois, me fez lembrar da minha infâcia.
Criada desde os meus três anos sem pai pois, Deus o levou precocemente, então veio as lembranças da casa da vovó, lá tínhamos carinho e muitas frutas de diversas especies. Também caichas de abelhas e jardim com muitas flores, fogão de lenha, pilão e gamelas para o banho e loças, lindas cachoeiras e muito bichos do mato que vinham até o terreiro, também usávamos uma balça que era conduzido pelo sr. Manoel de Mello, conhecido por (Nequinho Mello).
Só em relembrar tudo isso, valeu muito apena passar esta madrugada lendo, refletindo e amando muito tudo isso

Parabéns pra vc. Fantástico

Evanilde Rocha Kirchner

Dilson Paiva disse...

Olá estimada Evanilde Rocha Kirchner, obrigado pela sua amável visita e o seu gentil comentário. Estamos felizes da mensagem que o Jardim que Encanta transmitiu a você, remetendo-a a lindas recordações da sua infância e o ambiente em que cresceu ao lado da sua avó. Esperamos contar com sua honrada visita outras vezes. Afetuoso abraço.