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sábado, 13 de agosto de 2016

O jardim que encanta


No universo do mundo dos objetivos, existem pessoas e pessoas. Algumas singulares por natureza, como Manoel, o qual faz parte deste diferencial. Apaixonado pela sua profissão de jardineiro, pelas plantas e tudo que delas se associam. Manoel também era curioso, estudioso e fascinado por lendas de enlevo que fazem o homem enxergar exemplos de virtudes, onde antes talvez fosse impossível. Seu sonho era um dia ter sua própria história; viver um sonho inimaginável para que as pessoas desprovidas das bênçãos de Deus pudessem refletir sobre si mesmas. Por ventura ou aventura em outros horizontes, em outros lugares, quem sabe, fosse lembrado como alguém que ajudou a escrever o seu próprio destino. 

Com a simplicidade de quem era sinônimo de determinação. Uma pessoa que vivia cada segundo de sua vida, edificada na sua personalidade brilhante e perseverante, arregaçou as mangas e foi em busca dos seus ideais. Mesmo em se tratando de algo pessoal, não pretendia de modo algum, restringir, nem impor limitações aos seus conceitos visionários de uma mente arrebatadora e o seu apetite voraz pela leitura. Aprendeu a ser leal com os menos afortunados dos seus sonhos, permitindo-o o compartilhamento. Assim, demonstrando simplicidade no seu sorriso infantil, não foi difícil começar a construir o seu legado.

Morava em uma pequena cidade, contudo, não se tratava de um lugar ermo, sem importância. A população, como ele, admirava o perfume de um jardim bem cuidado. Era raro encontrar uma casa que não tivesse uma área florida, com todos os requintes de beleza e encantamento.

Certo dia depois de fazer seu percurso habitual, que o conduzia até a sua morada, ao passar por uma casa a muito por ele observada. Mesmo com características e aparência modestas, havia algo que o considerava fundamental: área disponível para se construir um belo jardim.

Suas moradoras, uma senhora com aproximadamente 50 anos e sua filha que se imaginava próximo dos 30, lutavam com dificuldades pela sobrevivência. Dependiam somente de uma irrisória pensão, deixada pelo marido falecido há alguns anos. E, eventualmente, dos insignificantes resultados dos trabalhos que ambas desenvolviam com bordados. Era inegável a qualidade e o primor das peças, a habilidade e o zelo, de seus maravilhosos desenhos elaborados a partir de uma linha, com o auxílio de uma ou duas agulhas.

Com os poucos recursos financeiros a que tinham direito por questões óbvias, a pensão. Muitas vezes tinham que, se submeterem a duas variáveis: ter dinheiro suficiente para suas necessidades básicas de sobrevivência, e ainda, para comprar os novelos de linhas e o tecido para executar o exercício de suas tarefas, que completariam os seus minguados recursos. Em muitas ocasiões faltavam-lhes tecidos, linhas e o apoio de alguém que se interessasse em ajudá-las ou até mesmo, para comprar suas peças.

Um dia, Manoel depois de ter passado quase toda à noite, lendo um livro que acabara de adquirir, ficou impressionado com sua leitura, que contava a história de um homem, que estava cansado do que fazia. Tratava-se um balseiro que transportava pessoas de uma margem a outra de um rio.

Esta sua atividade já vinha desde a infância, quando substituiu o pai que na época se encontrava velho e doente. Não sabia fazer outra coisa, até que ao transportar um senhor atingido pela fatalidade da falta de visão, se admirou com a simpatia do velho cego; seus modos, maneira de vestir-se e o seu sutil comportamento enigmático. Na história o barqueiro somente no final do percurso que fazia da travessia, é que teve a coragem suficiente de perguntar-lhe o nome.


Descreve o livro: “...Silencioso e de aparência compenetrada, podia-se notar que estava atento a tudo que acontecia à sua volta. O barqueiro curioso com aquela visão incomum, perguntou o seu nome, recebendo de maneira educada a resposta:  “Eu me chamo Felicidade, mas pode me chamar de Sorriso, como as poucas pessoas que me conhecem me chamam”. Ao obter a informação, o barqueiro logo imaginou tratar-se de uma brincadeira nada convencional. Pensou de imediato:  “Isto é pra eu permanecer calado e só responder ao que me perguntam e preocupar-me menos com a vida dos outros...”

A cada informação que recebia do conteúdo do livro, permitia que Manoel avaliasse o comportamento do personagem, sem, contudo, deixar de admirar aquela figura humana, simpática, porém misteriosa. Estas entrelinhas interrogativas, o deixava mais envolvido com sua leitura. Parecia que já havia incorporado o personagem balseiro, vivenciando cada detalhe da história, como se fosse ele próprio o condutor da balsa.

Segue o texto do livro:  Pensou o balseiro:  “Só queria saber o seu nome e depois, declarar minha admiração pela sua coragem de transitar sem temores nas suas condições. Isto é feio? É bisbilhotice? Sem obter respostas, continuou sua atividade sempre se autoquestionando.” Manoel compenetrado vivia um momento de deslumbramento. Alimentava pensamentos paralelos, na mesma intensidade do personagem.

Continua a narrativa do livro: “...Até que outro dia o mesmo senhor pegou a sua balsa de volta. Vendo-o com a mesma elegância, roupa limpinha, bem engomada, sapatos lustrados e a bengala com alça de couro, cresceu ainda mais sua admiração por aquele bem aparentado e curioso velho. Nem por isto se atreveu a fazer qualquer comentário...”.

Nessa noite Manoel não conseguiu ler toda a história, embora ficasse impressionado e ansioso pelo desfecho. Estava cansado, precisava dormir, o dia seguinte seria de muito trabalho e ele necessitaria de disposição, muita disposição!

Mesmo tendo que estar atento ao que fazia, não conseguia desvencilhar seu pensamento da história, que o levava a meditar sobre cada detalhe do que havia lido. – “Por que será que o velho deu aquele nome de forma incompreensiva, sem sentidos, se o balseiro só queria ser simpático?” Assim transcorreu todo o dia sem uma conclusão satisfatória. Entretanto, ao chegar em casa iria sem dúvida, descobrir.

Novamente no retorno pra casa, ao passar pela residência das mulheres bordadeiras, seu pensamento vagou pelo desejo de transformar aquele espaço abandonado, habitado pelo mato, quem sabe até, por animais peçonhentos e perigosos, em um lindo jardim com sua magia particular. Povoado por borboletas, abelhas, pássaros e o olhar admirado das pessoas que por ali passassem.

Quando terminou sua leitura descobriu que realmente o velho se chamava Felicidade. Também era justo que os poucos que o conheciam, como ele mesmo disse, o chamassem de Sorriso. Havia um motivo subentendido em torno do seu nome. Acontece que mesmo não podendo enxergar. Ver a natureza com suas nuances e belezas exuberantes; não poder olhar nos olhos das pessoas como a maioria, ainda assim, trazia no coração um sentido especial: podia enxergar a alma de quem dele se aproximasse. E, naquele momento em que o balseiro havia perguntado o seu nome, pode perceber sua curiosidade em torno do seu comportamento de cego, sem contar com a ajuda de outra pessoa que estivesse ao seu lado orientando-o, mesmo assim, sabia perfeitamente onde pisar e em que direção deveria seguir.    

No entanto, Manoel entendeu que o velho percebendo que o balseiro o tratava com respeito, naturalidade e cumpria com amor sua missão. No retorno, sem que fosse solicitado, o velho cego, respondeu suas indagações pessoais, captadas pela sua aguçada sensibilidade sensitiva. Quando o aconselhou a continuar transportando pessoas, porque, além de transportar vidas, estava conduzindo muitas vezes indivíduos em busca do seu próprio destino.

Para algumas pessoas, estavam reservadas grandes realizações. Entretanto, para outras, em decorrência do livre arbítrio, envolveriam com momentos trágicos. E ele ali nas suas idas e vindas, dava esperança a quem buscava o incompreensivo, fugindo do obscuro limiar da insatisfação, do desconhecido e da falta de perspectivas.

O interessado jardineiro atento a alguns detalhes se surpreendeu mais uma vez. Ao se deparar com algumas informações consideradas de grande importância, sobre a forma de se ver o sentido da vida, definidas pelo velho e enigmático cego. Anotando alguns exemplos relevantes:  “A abelha ferroa não porque é hostil, mas para proteger sua colmeia, dando sua vida pelo o que acredita. Ao picar suas vítimas, não consegue retirar intacto o seu ferrão, com isto, perde parte do seu intestino, resultando na sua morte. Depois não faz isto somente por prazer, vingança ou em benefício próprio. Mas para proteger toda comunidade melífera, da qual faz parte.”

 “Tem consciência do sabor cobiçado do seu favo doce e da dificuldade de produzi-lo. Sua produção exige trabalhar em voos contínuos e distantes em busca do néctar, só encontrado em maior quantidade na época da florada, nos campos, pomares e jardins. Inclusive a produção da geleia real, indispensável para a alimentação da sua soberana, a rainha. Única responsável pela produção dos ovos que darão continuidade e preservação da espécie.”

Continua o velho cego suas explicações, através do livro:  “Semelhante é a roseira. Ela também tem espinhos, não porque seja ofensiva, mas para se defender. Mesmo assim, todos a admiram, pela beleza de suas rosas em várias cores. E, pela sua fantástica capacidade de hipnotizar corações apaixonados nas mais diferentes situações. É plantada em terreno fofo, depois é adicionado o esterco proveniente do excremento de origem animal, para que cresça vistosa e sadia. Nem por isto é mal cheirosa, pelo contrário, as pétalas das suas rosas são lindas e perfumadas.”

Outro exemplo:  “O arco-íris é o efeito de partículas muito pequenas, quase invisíveis de água, sob a forma de spray ou pulverizadas pela chuva ou grandes cascatas de águas que caem. Em contato com os reflexos dos raios do sol, causam todo o esplendor de cores diferentes, sem a pretensão de combinações. Em forma de arco, para muitos, corresponde a uma lenda centenária, em que, cada uma de suas extremidades, existe um fabuloso pote de ouro.”

 “A lagarta com sua aparência considerada por muito repugnante, se arrasta com dificuldade nos locais mais adversos, se protegendo de predadores, ou mesmo, para evitar ser pisoteada por algum indivíduo maior. Passa a maior parte dos seus dias, procurando alimento de galho em galho. Como recompensa, se penaliza por um tempo, dentro de uma crisálida minúscula, fechada e sufocante, antes de se tornar uma belíssima borboleta, capaz de voar livremente nas alturas, mostrando sua simpatia e encanto; pousar em lindas flores perfumadas, pelos campos, jardins ou na arte da tela de uma pintura.”

Assim que terminou a leitura, deixou transparecer um largo sorriso. Quando se viu sorrindo compreendeu o real sentido do nome do ancião cego. Refletiu por algum tempo as mensagens, e decidiu: assim que terminasse o trabalho em andamento, iria construir o jardim na residência das solitárias moradoras, que o consideraria, como sendo, o princípio da sua verdadeira missão, como ser humano que acredita na verdade Divina. E que, cada um, tem o seu próprio desígnio a cumprir.

Falaria com as mulheres, convencê-las-ia e, colocaria em prática sua proposta pessoal. A partir daquele momento, seria ele o balseiro sob a forma de jardineiro. Com um detalhe expressivo a acrescentar: sabia o que queria da sua vida. Tinha prazer pelo o que fazia, além de, se sentir responsável pela alegria no olhar dos amantes do belo. Despertar nas pessoas, transformações grandiosas de preservação à natureza e tudo que dela representa.

Sentindo-se preparado e disponível para o que se propusera, procurou as bordadeiras, expôs seu desejo de transformar aquela área ora abandonada em um belo jardim.  Após descrever o que tinha em mente, encontrou logo de imediato, o apoio entusiasmado das humildes mulheres. Sua atitude iria melhorar sobremaneira o visual da casa, além é claro, trazer um novo clima de bem-estar. Um novo alento, não só para elas próprias, mas para toda a comunidade, que carecia ver aquele desprezível ambiente transformado. Quem sabe até, inspiração para um belo conto de fadas ou o nascimento de uma nova lenda, como era o seu sonho?

Estava evidente que o livro que acabara de ler, havia contribuído com estímulos suficientes para a iniciativa. Por outro lado, Manoel possuía um espírito tão evoluído que sua atitude de criar o jardim dos seus sonhos, estava agora, prestes a se concretizar. Vidas distintas também iriam descobrir um novo mundo de beleza, cor e perfume, através da sua ação. Os pássaros encontrariam outro lugar para cantar e encantar, as borboletas, abelhas e outros insetos o seu paraíso mágico.

Antes de iniciar os preparativos, idealizou a necessidade de constar no projeto, algumas plantas aromáticas indispensáveis, que se encarregariam da defesa natural. Evitariam o ataque de formigas e outros insetos nocivos às plantas. Para esta estratégia não pretendia abrir mão do alecrim, camomila, capuchinho, erva-doce, hortelã, manjericão, sálvia, calêndula e gergelim; plantas ornamentais como: amor-perfeito, petúnias, antúrios, verbenas, bromélias, palmeiras anãs, gerânios, cravos, rosas, jasmins, grama esmeralda, entre outras diversidades.

Desde o primeiro momento, em que iniciou suas pretensões de revitalizar a área e criar o jardim, começou a estabelecer um vínculo de entendimento com as sementes e mudinhas escolhidas com esmero, transmitindo-as status de estrelas. De importância, de serem únicas em beleza por todo o universo. Esclarecia, uma por uma, suas singularidades, personalidades, nobreza e prestigio.

Da mesma forma, transmitia a cada uma a responsabilidade de representar com beleza e simpatia, o que existia de melhor em espécie; de estar ajudando a construir um paraíso envolvente de amor, iluminado pela luz do Criador. Seu tratamento chegava a ser de uma amizade paternal. Quando Manoel plantava uma sementinha, dizia àquela pequena vidinha, ainda em transformação a importância da vida.

 Querida sementinha, você agora não passa de um embriãozinho de esperança. Logo estará crescida, transformada e bonita. Mas jamais perca sua simplicidade. Consciente que sozinha não passaria de um grãozinho quase sem importância. Igual a muitos raminhos esquecidos em algum lugar distante do olhar das pessoas e dos animais. Será razoável, nunca se esquecer deste detalhe; orgulhar-se de ter sido a escolhida para dar alegria. Não para se envaidecer, achando-se melhor que as demais.

Para as mudinhas dizia:  Oi mudinha, hoje você não passa de um pedacinho de vida, mas logo será grande e exemplo de beleza e admiração. Seu jeitinho nobre encantará a todos. Seja responsável na sua missão de embelezar e perfumar o ar que todos nós tanto precisamos. Seja querida não apenas pelas suas cores e o formato de suas flores e pétalas, mas por transmitir nos seus dias de existência, felicidade e agradecimento pelas suas características exclusivas.

Com os pássaros não era diferente. Sempre que apareciam, Manoel fazia questão de conversar com cada um, mesmo sem receber um aparente retorno. Agradecia a visita, pedindo-os que não se afastassem e, continuasse dando alegria com os seus cantos sublimes. E se possível, convidar outros como eles, a estarem presentes, dando às pessoas motivações de altivas mensagens, através de o seu trinar cativante e melodioso, agradável aos nossos ouvidos.

Quando a primeira borboleta apareceu exibindo suas cores vibrantes, recebeu logo o seu batismo com o nome de princesinha. Sentiu de imediato, que aquela frágil criatura ficara contente com o nome. Acompanhava-o em todos os lugares do jardim. Algumas vezes, pousava no seu ombro amigo ou num outro lugar, bem próximo. Fazia questão de movimentar suas asas, abrindo-as e fechando-as para que ele pudesse contemplar sua beleza única. Em cada uma de suas pétalas da membrana alada, ficava visível um símbolo, decifrável apenas pelo olhar do Pai do Céu.

Manoel, envolvido por uma felicidade inigualável, acompanhava maravilhado aquele momento indescritível. Transformar um lugar antes esquecido e abandonado, no paraíso dos sábios anjos do bem. Em breve, seria um jardim de delícias, onde reinará a paz, o sossego e a materialização dos sonhos.

Outro fato notável foi o aparecimento da Fada Encantada da Jardinagem, acompanhada de suas seguidoras assistentes. Fulgurantes luzes semelhantes a flashes estrelados movimentavam-se de um lugar a outro, feito raios riscando o espaço, como se estivessem inspecionando sua criação. Tal acontecimento canalizava toda energia necessária de bondade e sabedoria, suficientes para entender a importância que a empatia de cada espécie ali presente, sem exceção, seria fundamental para as lições de fé, que cada dia representa na vida de todos.

Com as formiguinhas Manoel pedia apoio no sentido de conservar a integridade de suas plantinhas, sem nenhum prejuízo às suas vidas, conservando-as perfeitinhas, não as destruindo. Elas iriam dar muita alegria a todos que as vissem floridas e belas. Transferindo às pequeninas cortadoras de pinças afiadas, a responsabilidade de ajudar a manter o encanto do lugar que seria mágico e de inspiração triunfante.

Com esses diálogos cordiais, Manoel conseguiu estabelecer uma irmandade de cumplicidade com todos os habitantes do jardim encantado; com sua lenda em construção. Lenda que logo, também seria exemplo de esperança para um futuro melhor.

Em pouco tempo já havia concluído o seu espaço florido, sua obra-prima. Uma realidade indiscutível, que não demorou a se confirmar. Todos os dias impreterivelmente, reservava as manhãs e as tardinhas, para os cuidados necessários com sua criação. Seja para aguagem, como para as limpezas e podas imprescindíveis.

Havia adquirido o dom de conversar com as plantas, aves e insetos, em diálogos longos, proveitosos e permanentes. Entendimentos capazes de esclarecer as particularidades de cada espécie. Quando chegava era recebido com elevada manifestação de carinho.

Os pássaros irradiavam com suas virtuosas presenças, melodias alegres, cantadas em verdadeira sinfonia poética; plantas e flores no mesmo ritmo formavam um coral e boas-vindas. Até as pessoas que não podiam ver, ou perceber o encanto, sentiam intimamente aquela harmoniosa presença do sobrenatural, comum da alegria incontida.

Em pouco tempo, passear próximo ao magnífico jardim tornou-se um hábito indispensável para os habitantes e visitantes da pequena cidade. E o seu poder de harmonia e paz, havia se espalhado a distâncias imensuráveis.

Manoel estava sempre distribuindo simpatia e sorriso a todos que por ali paravam. Quando somente passavam próximo, um aceno cordial não era esquecido, independente se fossem humanos ou não. A propósito, como bom aluno que era, a exemplo do bom ancião cego, sorriso virou sua marca. Também não era pra menos. Havia construído um ambiente de contagiante atmosfera e envolvimento, onde a felicidade predominava. 

Por meio de gestos de alta nobreza, Manoel entregou àquelas mulheres solitárias, criativas na sua arte de bordar, um novo símbolo de beleza e contentamento, antes inimaginável. Aquele que ali se aproximava, imediatamente era conduzido a um estado de luz. Livrava-se dos mais enraizados problemas; os adoentados, enfermos e desenganados vislumbravam esperança.

Havia até aqueles que diziam, se sentirem curados, graças ao alto grau de encantamento. Notícias se espalharam feito rastilho de pólvora, sobre os feitos e os resultados alcançados por Manoel. Situações consideradas impossíveis encontravam soluções e respostas benéficas para quem se aproximasse do jardim.

Não tardou para se tornar visita obrigatória para as pessoas que buscavam o ambicionado conforto espiritual. Os céticos contagiados pelas manifestações de bem-estar, mesmo tentando driblar a própria consciência, não resistiam à tentação, movidos por uma atração inexplicável, porém, presente naquele ambiente iluminado. 

O jardim virou uma extensão envolvente de vida plena. De revelação da fé e da indiscutível presença da harmonia, causada pelo encanto energético das flores coloridas, pela beleza do canto extraordinário das aves. Era o jardim que encantava. O jardim que floria na alma das pessoas.

Manoel maravilhado com sua criação, concluiu espontaneamente, que não basta ter apenas um jardim com plantas diferenciadas. É preciso que esse jardim esteja dentro de si, dentro de cada um. Sentir além do perfume das flores, o seu sorriso de felicidade. Compreender que os pássaros não vão a determinado lugar por um mero acaso ou pelo descanso após longos voos, mas pelo prazer da receptividade.

As borboletas, as abelhas e os beija-flores, também não procuram os jardins pelo seu colorido, mas pela sua doce simpatia envolvente. Produzida até mesmo, pela mais simples plantinha imperceptível, desde que esteja irradiando a fragrância do amor. E que, sua beleza não se traduza em uma mera futilidade, mas, na essência superior do Criador, no seu momento de esplendor criativo.

Um lugar onde até mesmo as formigas e outros insetos nocivos pedem licença para contemplar sua magnífica magia. Todo jardim feito e cuidado com carinho, tem as bênçãos da Fada Encantada da Jardinagem, que tudo faz, para sobressair na vida dos seres, o amor ao próximo de maneira espontânea e atitude de caráter superlativo.


Este conto eu o escrevi em 10/setembro/2009. Espero que goste. Au revoir. 




A propósito, você já acessou a fan page do meu livro infantil Juju Descobrindo Outro Mundo? Não imagina o que está perdendo. Acesse: www.fecebook.com/jujudescobrindooutromundo.


E o site da Juju Descobrindo Outro Mundo, já o acessou? Se eu fosse você iria conferir imediatamente. Acesse: www.admiraveljuju.com.br 



 Imagens: Google

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Mel da Tâmara


Caminhando pelo Saara de sua subsistência, um beduíno errante, conhecido em toda dimensão do deserto por Sharif, resolve entregar-se ao descanso dos deuses. Merecidamente, afinal naquele dia já havia viajado por horas sob o sol causticante na sua seara de amor, lutas e conquista. Seu corpo carecia de repouso e seria ali, debaixo da tamareira o lugar ideal para repor energias. Assim, no oásis de seus encantos, sob a sombra fresca da tamareira, na solidão do pastoreio, cogitou instalar-se ali, expectante que o céu azul turquesa do momento, mostrasse no horizonte dos seus olhos reluzentes, o pôr-do-sol cheio de presságios bondosos, uma visão poética do sol se escondendo atrás das dunas, as quais ele se negava a não contemplar.

Cobrindo sua cabeleira, um turbante nácar expunha sua genialidade e sua elegância. Com o pensamento flutuando no universo das recordações, vagou por épocas belíssimas remetendo-se à sua infância junto à família, aos primeiros aprendizados e lições recebidas. Acessou fragmentos de sua jovialidade e, num estalar de dedos, surgiu na sua mente requintes de um acontecimento que marcou sua vida, suas ações, seu respeito à natureza e de quem dela abastece as necessidades do corpo: o sabor adocicado da tâmara, feito a essência de mel suave. Sua boca salivou sentindo o prazer do seu sabor. Nesse momento, já no acalanto da noite, olhou para o céu todo iluminado por uma constelação de luzes proféticas, agradeceu ao Divino as bênçãos concedidas e se entregou à meditação.

Oh, como é perfeita a obra do Criador! Sonorizou num estufar do peito e deliciou-se com o momento. Só ele e uns poucos conheciam a felicidade de sentir aquele sabor inenarrável, e dormir sentindo o aconchego de uma tamareira bem no abstrato mundo das ilusões, dos sonhos e da esperança. Abriu preguiçosamente os braços, bocejou calmamente, cerrou os olhos, com a alma vigilante descansou o corpo dolorido pelas viagens da sua vida.

Durante o sono, transmutou-se para outra realidade, alvissareira e enigmática. Atraído pelos devaneios da mente, encontrou-se com Malba Tahan. Pela fluidez dos sentidos, tornou-se impossível não divisar-se frente a frente com o homem que calculava: Beremiz Samir, o gênio dos cálculos. Beremiz exercitava com tanta determinação sua capacidade de fazer cálculos que, aproveitando dessa sua faculdade tão extraordinária, resolveu ajudar o seu patrão nos negócios com as tâmaras. Passou então, a contar todos os frutos dos cachos das tamareiras pelos oásis sob o seu domínio. Sua habilidade com a matemática era tão fascinante, que já o havia permitido contar os pássaros em bando no céu; folhas das árvores durante o trajeto de sua viagem à Bagdá do Século XIII; e todas as abelhas de um enxame.

Sharif, nômade por ideal e origem, conhecia muitas histórias e lendas sobre as tamareiras e o seu fruto. Na sua maioria, contadas por diferentes etnias, pesquisadores e andantes do árido deserto. Orgulhava-se de narrar aos viajantes menos esclarecidos às vantagens, curiosidades, e as crenças religiosas que elas representam para os povos da imensidão desértica.

Não era um estudioso, tampouco conhecia de botânica, muito menos havia sentado num banco escolar tradicional. Sua sabedoria vinha de uma mente prodigiosa, adicionada as experiências da vida adquiridas nas suas andanças pelo deserto escaldante e, de ter aproveitado as oportunidades como ouvinte se informar de assuntos diversos travados entre os inúmeros desconhecidos que encontrara pelo caminho. Com esse estranhos, embora mestres por experiências vividas, pode absorver cada detalhe das suas histórias contadas, tendo como cenário o deserto e suas inóspitas surpresas. 

Mesmo na sua maneira simples de expressar, Sharif dava “show” de conhecimentos e se envaidecia com o prazer de poder compartilhar o seu saber, abordando os fatos com maestria e singularidade. Atitude digna de uma pessoa que realmente fazia justiça à sua personalidade de incansável desbravador de conteúdos. Focava com desenvoltura os temas relativos ao deserto, desde o “b a bá” até as mais notáveis histórias de outras civilizações.

Ao se despertar-se do sono reparador, surpreendeu-se diante de si, uma pequena comitiva de mestres e alunos em viagem de estudos, desenvolvendo os seus primeiros trabalhos “in loco”, com a finalidade de absorver experiências além dos livros. Assim que o viram deitado na tranquilidade que lhe era permitido, sorvendo a embriagante aragem da manhã, aproximaram-se cordiais, na tentativa de manter segura aquela oportunidade rara: estarem frente a frente com o homem símbolo daquele território. Apresentaram-se, em seguida indagaram se ele estava disposto para conversar e revelar algo relevante dos seus conhecimentos a respeito do Saara, sobre o qual tão bem conhecia. 

Com muita disposição se prontificou a colaborar. Para ele era um prazer fazer aquele obséquio. Ao começar os seus relatos, coincidência ou não, com o sonho que acabara de vivenciar, escolheu como tema a tamareira. Sua importância na vida dos povos do deserto, outro mundo exclusivo dos bravos e destemidos de raça e fé. Seria uma forma de agradecer as tantas vezes que aquela majestosa palmeira, havia lhe dado o alimento tão necessário, conforto e o bem estar de sua sombra.          

Lembrou-se providencialmente da página de uma revista americana, guardada com muito cuidado nos seus alforjes, sobre a qual um sábio viajante a traduziu para ele. Pegou o papel já amarelado, mostrou a cada um, para que não houvesse dúvida quanto a veracidade dos fatos, contou o seu conteúdo, que dizia entre outras informações, uma que considerou muito importante: “Segundo a FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação - os países asiáticos e africanos, principalmente Egito, República Islâmica do Irã, Arábia Saudita, Paquistão, Iraque e os países vizinhos juntos, produzem aproximadamente 98% das tâmaras do mundo. Estados Unidos, Espanha e México produzem o restante”.

Acrescenta a metéria, que as tâmaras são um cultivo de subsistência de extrema importância em quase todas as regiões desérticas. Para milhões de pessoas constituem um importante alimento nutricional, vindo a contribuir de forma significativa com a cultura alimentar e a agrobiodiversidade da população.     

A partir daí, o assunto foi fluindo naturalmente, deixando evidente o seu vasto conhecimento. Esclarece ainda o simpático beduíno, que a tamareira é uma espécie de palmeira, que nasce nas alturas, símbolo de retidão e vitória. Crescem para cima e para baixo, suas raízes descem as mais profundas camadas, até encontrar solo rochoso onde se abraçam nas rochas, adquirindo força para suportar os fortes ventos e tempestades do deserto, mantendo-se sempre de pé.

Fazendo-se valer dos seus conhecimentos científicos, adquiridos através do convívio com intelectuais do deserto, e pela sua sede pelo saber, continuou dizendo que a tamareira ou datileira – Phoenix dactylifera – é uma planta de quinze a vinte metros de altura, surgindo às vezes em touças, com vários troncos partilhando o mesmo sistema radicular, ainda que, não pertencendo a mesma touceira, mas de forma isolada. As folhas são frondes pinadas, com até três metros de comprimento, pecíolo espinhoso e cerca de 150 folíolos. Cada folíolo tem por volta de trinta centímetros de comprimento e dois centímetros de largura. Quando terminou, todos se entreolharam incrédulos com o que acabaram de ouvir, principalmente por ter partido de um simples homem do deserto.

Concluído sua explanação, por meio da manifestação dos gestos de suas mãos, apontou para todas as tamareiras que se exibiam elegantes no oásis em que se encontravam. Insatisfeito com o seu argumento, resolveu não dar por terminada sua fala. Então, disse a todos, que alguém o havia informado certa vez, sobre um pesquisador brasileiro, doutor em melhoramento de vegetais de nome Manoel Abílio de Queiroz, membro do Centro de Pesquisas Agropecuárias do Trópico Semi-Árido e o Centro Nacional de recursos Genéticos, órgãos de estudos da Embrapa, no Estado de Pernambuco, o qual havia dito que: “Uma boa  surpresa foi à adaptação da planta no sertão. Começou a dar frutos com quatro anos depois de plantada. No Oriente Médio, isso acontece aos oito anos”. Acrescentou ainda que, além do fator econômico, a tamareira também oferece vantagens ambientais. Elas fertilizam o solo, suavizam a temperatura e interrompem a progressão das zonas em processo de desertificação.

Demonstrando serenidade, atitude comum nos contadores de histórias, Sharif disse que a tamareira é uma planta bastante cultivada há milênios pelos seus frutos comestíveis. Sua área natural de distribuição é desconhecida, mas supõe-se sua origem ter surgida nos oásis do deserto  da região norte africana.

Há controvérsias, algumas pessoas, acreditam sua origem é do Sudeste da Ásia. Talvez por terem servido de alimento e abrigo aos egípcios, babilônios e assírios. Há também aqueles fervorosos nas suas crenças religiosas, que afirmam ter Moisés se servido do seu fruto na sua saga de encontrar a Terra Prometida. Aos seguidores do islamismo e sua fé a Allah, acreditam que o profeta Maomé na sua cruzada pelo deserto, teve nas tâmaras o seu principal alimento.

Mesmo depois de ter prestado ricas informações, ainda não satisfeito, Sharif resolveu enveredar-se mais uma vez no conhecimento científico, ao dizer que a planta se trata de uma espécie dioica, apresentando na sua genética, flores masculinas e femininas responsáveis pelo nascimento de palmeiras diferentes. Sendo que, só as fêmeas produzem frutos, polemizados pelo pólen fornecido pelos machos.

Continuou seu relato já em estado de exaltação. Estar ali, conversando com pessoas tão ilustres, ressaltando suas experiências, disse sem se hesitar: “Segundo informações provenientes de alguns comerciantes brasileiros e de um livro que mantenho entre os meus guardados, traduzido para o idioma árabe pela Universidade do Cairo. As primeiras plantas da tamareira foi introduzida no Brasil, há muitos anos. Porém estudos sistemáticos realizados com o sua utilização para o cultivo, revela que, o primeiro registro de sua introdução data de 1928, quando algumas fontes reprodutivas chegaram a São Paulo. Na época, alguns estudos foram realizados na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, onde foram originadas algumas variedades”. De forma instintiva, Sharif, imediatamente de posse do livro, abriu na página desejada, comprovou o seu relato.  

Depois de uma breve pausa e uma boa respirada, Sharif quis certificar-se se seus atenciosos ouvintes tinham alguma dúvida, ou se estavam satisfeitos com cada detalhe abordado. De repente começou a sorrir provocando a curiosidade de todos. Misturando palavras desconexas com o seu riso, passou a contar a história de um laociano de nome Sansunnang Vaiollang, vindo da região de Luang Prabang no Laos, justamente o local considerado pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Conta Sharif que o "laociano Sansunnang, de posse de uma foto em que, se estampava várias tamareiras de sua terra, olhou para as nossas palmeiras aqui do deserto, começou a dar gargalhadas sem explicação. Depois de muito tempo, foi que entendeu o motivo de tanta graça. Simplesmente porque as tamareiras de sua terra eram anãs. Ele brincou com a situação dizendo que as da sua região eram muito jovens, mas que um dia seriam tão grandes quanto as nossas. De repente mudou sua jeito divertido, para uma aparência demonstrando seriedade, começou a me contar como se fosse realmente um grande entendido no assunto. Disse ele, que a tamareira anã – Phoenix Rebelenni O’Brien – é uma pequena palmeira originária da sua região na Ásia. Ela é largamente cultivada como planta ornamental nos trópicos e nas regiões subtropicais e temperadas. Possui estipe de dois a quatro metros de altura e cerca de dez centímetros de diâmetro", conta.

Acrescenta: "As plantas femininas ocorrem geralmente agrupadas em grandes touceiras. Seus frutos alongados, com aproximadamente um centímetro e meio de comprimento, são numerosos e de coloração variando de vinho a preto quando maduros." Terminou sua exposição mostrando-se uma pessoa além do senso de humor à flor da pele, um grande caráter, completa Sharif.

Além das lendas e histórias de conteúdos mágicos, o atencioso beduíno, contou aos curiosos que a tamareira é considerada árvore sagrada e mágica há milhares de anos. No Egito era uma espécie sagrada, a folha símbolo do deus Heh, que representa a eternidade. Mais tarde, passou a ser símbolo de fecundidade, fertilidade e vitória.

As tâmaras também são usadas como doces ou como quitutes afrodisíacos. Os egípcios as comiam antes de fazer sexo. E ainda, tem como lenda a relacionada ao desterro da Virgem Santíssima no Egito, em que, Maria havia procurado abrigo e descanso sob a sombra de uma tamareira, a qual se inclinou para que as tâmaras ficassem ao alcance de suas mãos.

Sharif sem perder o ritmo sempre atencioso com os seus ouvintes, mestres e estudantes que deixaram sua Universidade em busca de conhecimentos fora dos padrões de ensino desenvolvido dentro do próprio Campus Universitário. Pelo que demonstravam, pareciam estar em estado de graça com suas maneira de contar sobre a palmeira e seu fruto, quando mencionou a importância dos Paleontólogos, os quais também deram sua contribuição na rica história das tâmaras.

Segundo esses pesquisadores incansáveis, uma semente com cerca de dois mil anos, foi encontrada nas escavações realizada em 1963, no deserto da Judeia. Esta preciosa descoberta foi plantada por cientistas israelenses e germinou, segundo artigo publicado na revista especializada Science. A região é a mesma da antiga fortaleza do rei Herodes, em Masada, perto do Mar Morto.

Na ocasião, os cientistas encontraram um grupo de sementes, que as mantiveram em uma sala com temperatura ambiente adequada, na intenção de estudá-las mais a fundo. O lugar era famoso por suas tâmaras com propriedades medicinais e principal produto de exportação da região hoje ocupada por Israel.

O simpático beduíno Sharif observou atentamente a todos, depois olhou para o alto e notou quão tinha passado o tempo. O sol já estava no auge de seu posicionamento no céu, foi quando teve noção de que a conversa que seria para poucos minutos, já se passara pelo menos um quarto do dia.

Embora os mestres e estudantes estivessem satisfeitos e impressionados com os requintes dos esclarecimentos, fez questão de encerrar sua fala com algo lúdico, contando que Ali Babá e os Quarenta Ladrões também se beneficiaram tanto da doçura do fruto quanto do repouso de sua sombra nas imediações da caverna encantada de Sésamo.

Agora sob os encantos de Mil e Uma Noites de imagens e conteúdo. De ter falado pra uma turma de elevados padrões culturais, aquele seria o momento ideal para colocar-se a caminho de sua jornada. Não sabia quanto tempo duraria, mas tudo bem, já havia descansado por sete sois e sete luas. Assim o dever o aconselhava cumprir sua missão e seguir adiante.

Este relato bem que poderia ter sido apresentado por um dos alunos presentes naquele dia de memorável aprendizado e, servido de subsídio para sua tese na Universidade, sobre vegetais do árido e semi-árido.

No entanto, se algum dia encontrar um beduíno com as características de Sharif procure-se aproximar dele. Se não for o próprio Sharif, não maldiga falta de sorte. Todos os povos do deserto têm lindas histórias pra contar. Verá que existe doçura no olhar e nas atitudes dos pacíficos de alma, bondade cultural da sua raça e no mel da tâmara.



Nota: Esta crônica Mel da Tâmara já esteve disponível aqui mesmo no Bússola Literária, desde 26 de setembro de 2009. Agora resolvemos dar uma repaginada e, revivê-la com várias modificações no seu texto original. Quem sabe também, seja o momento para que sirva como objeto de discussão num fórum de debates, abrangendo não só o seu conteúdo sob forma de pesquisa, mas literário e ortográfico.


Imagens exclusivas por Neli Vieira: ilustradora, artista plástica, escritora e poetisa.

Texto baseado de excertos compilados na internet.



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