domingo, 11 de maio de 2014

A essência do amor e da luxúria


Não é difícil acreditar que algumas pessoas em algum momento relembram determinadas situações envoltas num saudosismo ardente contido no peito, capaz até de fazer o corpo tremer. Algo inexplicável, mas verdadeiro. É nessa agradável manifestação da nossa efêmera existência que algo infinitamente sublime se transpõe para o universo paralelo dos nossos pensamentos. Como se trata de lembranças é natural tornar essas recordações inconcebíveis leveza de espírito no mundo dos sonhos. Permitindo que tenhamos o desejo de trilhar ocasiões jamais envelhecidas.

Como uma fumaça dissipando de maneira suave, de repente Jorge Victor se viu no lugar onde nasceu, uma elegante e próspera cidade do sul do Brasil, pela sua importância turística e a qualidade de suas vinícolas. Passeava de maneira descompromissada por um bosque deslumbrante e envolvente. Havia flores, gramíneas, esquilos e pássaros, que contribuíam com aquele cenário encantador. As árvores com sua exuberância frondosa compunham aquela tela do mundo das fábulas, pintadas pela essência das mãos hábeis de um talentoso artista, seduzido pela destreza do seu pincel. Sim, o lugar remetia a uma pintura nos estilos realista e impressionista, arte que somente o talento de um Gustave Courbet e Claude Monet, seria capaz de descrever com perfeição, aquela magia colorida, que os seus olhos se deliciavam registrar.

Quanto mais caminhava, mais sua mente se exercitava feito a um processador cibernético, criando imagens e mais imagens de belezas contagiantes. E o seu corpo respondia incrédulo ao frescor daquela tardezinha com o sol se escondendo por detrás das nuvens brancas, semelhantes a uma bruma que lampeja a alvorada de uma nova vida.

Jorge não resistiu aquele encanto e sentou-se sob a fronde de um imponente jacarandá e continuou admirando aquele ambiente singular. Com os seus olhos inquietos como a luneta de um observador em busca de sua nova descoberta, logo avistou caminhando, uma linda e fascinante mulher, quem sabe que nem ele, apenas curtindo o visual e deixando transbordar a alegria de viver. Com passadas lentas foi se aproximando de onde se encontrava, sem ainda tê-lo visto.

Jorge Victor, pelo ímpeto do momento e com a rapidez de um falcão, fez um passeio ocular em toda sua exaltação feminina, reparando com mais atenção suas curvas bem delineadas e glamorosas. Como estava contra o sol e o seu vestido moldado num fino tecido, causava a transparência que mostrava o quanto ela era perfeita e sedutora.

Dando cordas à sua visão estonteante, pode repará-la mais detidamente e exclamou com a voz quase muda: É ela...! Não pode ser, mas é ela sim!... Tratava-se de uma paixão infantil que se fizera mulher, uma bela mulher, capaz revirar o cérebro num amontoado de recordações. Mais uma vez, balbuciou: “Como desejei esta oportunidade de estarmos próximos. Só eu e você Silvia! Apenas nós dois”.

Enquanto sussurrava a frase vinda de seus pensamentos, Silvia o olhou, como dizendo, te conheço. E sei até de onde: do Colégio Olavo Bilac. Mas preferiu manter-se muda, apenas sorriu. Diante daquele sorriso cristalino, Jorge Victor, ainda relutante, convidou-a a compartilhar com ele aquele momento só visto na fantasia de uma mente apaixonada que ainda acreditava na felicidade, no amor e, sobretudo, aproveitar cada segundo como se fossem eternos e exclusivos.

- Oi, você está linda! – disse.

- Você me conhece? – Indagou Silvia.

- Não creio, mas devo confessar, é a garota mais linda que imaginei ver.

Silvia sorriu agradecida pela boa receptividade. Ela também estava admirada com a elegância e a beleza de Jorge Victor, após uma rápida olhada por toda a dimensão da sua estrutura masculina.

Sem hesitar, Silvia sentou-se logo à sua frente cruzando as pernas feito uma praticante de yoga. O vestido leve e solto, cobria-lhe apenas parte de suas pernas. O vento na sua misteriosa cumplicidade resolveu dar sua ajudazinha. Manifestando-se de maneira carinhosa com o seu sopro suave, levantou o tecido, permitindo a Jorge Victor a oportunidade de vislumbrar suas coxas bronzeadas e lisas até próximo de sua calcinha. Silvia era uma morena, 28 anos, com aproximadamente 1,70m, corpo esguio, seios atraentes que se destacavam no generoso decote; olhos castanhos e brilhantes; cabelos também castanhos pouco acima da cintura que esvoaçavam ao sabor do vento. Pode até que seja uma artimanha das circunstância, mas o vento naquele momento mais parecia o cupido prevendo uma linda história de amor, desejos e sedução.

Permaneceram conversando até que a noite mostrasse sua majestosa delicadeza. O luar estava perfeito e as estrelas contribuíam enfeitando e iluminando aquela atmosfera de verdadeiro bem estar. Combinaram um novo encontro ainda naquela noite, num barzinho da cidade. O local não poderia ser mais prazeroso, frequentado pela juventude local, onde se podia ouvir boa música ao vivo e bebericar várias opções de bebidas.

Jorge Victor ansioso foi o primeiro a chegar. Procurou um lugar menos movimentado, mas que permitia estar atento a tudo que acontecia. Silvia chegou meia hora depois. Ao se encontrarem já havia um clima de mais intimidade o que lhes permitia compartilhar beijinhos no rosto. Sentaram-se e iniciaram agradável bate papo. Ambos optaram pela cerveja, acompanhada por uma saborosa porção de filé ao molho madeira, com torradas.

Permaneceram conversando horas incansáveis. Relembraram remotas passagens do passado, até a revelação feliz das estórias do Colégio Olavo Bilac, que surgiram pela casualidade do destino. A partir desse momento, o assunto se resumiu ao colégio, a cidade natal e a trajetória que cada um seguiu ao concluir o ginásio.

Silvia havia mudado com a família para outro estado, tornado-se médica; Jorge Victor a gosto dos pais, foi morar em Paris, onde estudou e aos 30 anos, tornou-se um competente engenheiro naval, disputado por grandes multinacionais. Não fazia uma semana que transferira para o Brasil, a convite de um magnata brasileiro, amigo da sua família, que mantinha estreita relações empresariais com influentes produtores de petróleo no Oriente Médio.

Naquela noite não aconteceu nada de extraordinário no que se refere à intimidade afetiva. Mas o próximo encontro já ficara combinado para almoçarem juntos. Jorge Victor a acompanhou até a casa de seus tios, enquanto permanecesse na cidade. Em seguida seguiu para o hotel onde estava hospedado. Para ambos o sono teimou em não aparecer, permitindo que desenhassem cenas felizes e emocionantes do casual encontro e o seu desfecho, semelhante o folhear de um álbum de recordações.

Almoçaram distribuindo simpatia, alegria, bom humor e jovialidade. Após o almoço fizeram um passeio pelos lugares que marcaram suas infâncias, incluindo é claro, o Colégio Olavo Bilac. Perguntaram a alguns moradores sobre determinados amigos e amigas da época, sem resultado. Parecia que todos resolveram partir, deixando para trás apenas memórias, nada mais.

À noite novo encontro já estava combinado e a aproximação entre os dois se tornava cada vez mais ardorosa e espontânea. Jorge Victor com o objetivo de agradar sua companheira com o que há de melhor, em sinal de agradecimento pelos belos momentos que passaram juntos e, prevendo uma noite aconchegante na companhia de Silvia, havia trocado seu apartamento nem tão nobre, pela suíte mais luxuosa do hotel. Seria ali o provável ninho de amor do casal.

E assim aconteceu. Silvia ainda que, meio tímida aceitou o convite e partiram para o que seria o momento mais feliz entre os dois, desde que se encontraram. Ao abrir a porta da suíte, via-se num local selecionado com esmero a pouca luz, uma mesa bem ornada com velas apropriadas que realçava o encantamento da ocasião; taças de cristais para ser servido um “authentique Sauvignon Blanc”, escolhido como se estivessem na frança por José Maria Ferrier  “sommelier” do hotel; prataria e porcelanas de fino bom gosto os esperavam para um jantar inesquecível.

Após o jantar, acomodaram-se numa confortável poltrona próxima à lareira, conversaram por alguns instantes e logo começaram a se entregarem ao feitiço da luxúria. Não demorou a buscarem o conforto da cama, que mais parecia um oceano de amor. Um fino lençol lilás de seda dava o tom do que viria a acontecer. Despiram-se peça por peça na sintonia de uma valsa, beijando-se e se tocando com ardor, que às vezes até atrapalhava a respiração, mas nada os impediam de viver o êxtase daquele clima que consumia a lascívia do desejo incontido.

Como dois amantes em completa entrega, seus movimentos em sincronia, descreviam a harmoniosa efervescência da paixão. Uma atração inebriante de excitação, que queimava feito lavas incandescentes percorrendo sobre seus corpos suados e extasiados de desejos e prazer. Seus hormônios em vibrantes loucuras liberavam a adrenalina contida na volúpia de um cérebro que respirava e cheirava sexo. Capaz de paralisar o tempo, para impedir que o sabor do pecado de amar e se entregar aos desejos da carne se tornassem momentos inenarráveis.

No clarear do dia, os dois acordaram movimentando-se com gestos preguiçosos. Antes do café da manhã que seria servido na própria suíte, resolveram que o melhor a fazer naquele momento seria um excelente banho morno na banheira de hidromassagem que os esperava. Como estavam entregues ao prazer, não demorou a reiniciarem a sessão de libidinagem. E assim, nesse clima de prazer, amor e sexo, Jorge Victor e Silvia tiveram uma manhã envolta na paixão sem limites.

No dia seguinte ambos se separariam, seguindo cada um o seu caminho em atenção às necessidades imperiosas da profissão. Evidente que a internet haveria de contribuir para que não esfriasse o desejo de se amarem revivendo as loucuras do prazer.

Nota: Este Conto foi criado por Dilson Paiva, em 10 de maio de 2014.


A propósito, você já acessou a fan page do meu livro infantil Juju Descobrindo Outro Mundo? Não imagina o que está perdendo. Acesse: www.fecebook.com/jujudescobrindooutromundo.

E o site da Juju Descobrindo Outro Mundo, já o acessou? Se eu fosse você iria conferir imediatamente. Acesse: www.admiraveljuju.com.br 


Imagens: Google

5 comentários:

Juloren disse...

Parabéns Dilson
Posso dizer que momentos assim existem de verdade
São coisas inexplicáveis, manifestação sublime que somente
O SER superior sabe.

Maravilhosa postagem em todo o seu conteúdo,
texto extraordinário, imagens encantadora,
doce atração já sonhadas há tempos, no inconsciente imaginário,
que o destino se encarregou de juntá-los,
para que ambos pudessem viver momentos intensos
e feliz em sua totalidade.
Juloren
Amei de verdade texto gostoso de ler.

MarciaRMGuimarães disse...

Parabéns Dilson, lindo conto, belíssima descrição que nos faz viajar a momentos de felicidade!

Dilson Paiva disse...

Olá Juloren e Marcia, obrigado pelas visitas e pelos gentis comentários. Voltem sempre, estaremos ansiosos pelos seus retornos. Abraço...

Lys disse...

Lindo conto poético.Leve,adocicado e sensual.Parabéns!

Dilson Paiva disse...

Obrigado Lys pela sua simpática visita e o gentil comentário. De fato amiga, existe no seu conteúdo sensualidade, sem, contudo, ser apelativo. Estaremos aguardando sempre que puder, sua elegante visita. Abraço...