domingo, 23 de agosto de 2009

Da minha precoce nostalgia


Outro dia recebi um e-mail de uma pessoa amiga com este texto. Achei interessante, resolvi publicá-lo, com a autorização da autora Maria Sanz Martins é claro! Espero que esta mensagem em forma de crõnica lhe traga algo novo. Eu particularmente achei que o conteúdo remete a uma reflexão muito desejada pela maioria das mães, além da criadora ter sido muito feliz na abordagem do tema.

Quando eu for bem velhinha, espero receber a graça de, num dia de domingo, me sentar na poltrona da biblioteca e, bebendo um cálice de Porto, dizer a minha neta:

- Querida, venha cá. Feche a porta com cuidado, e sente-se aqui do meu lado. Tenho umas coisas para te contar.

E assim, dizer apontando o indicador para o alto:

- O nome disso não é conselho, isso se chama corroboração!

Eu vivi, ensinei, aprendi, caí, levantei e cheguei a algumas conclusões. E agora, do alto dos meus 82 anos, com os ossos frágeis, a pele mole e os cabelos brancos, minha alma é o que me resta saudável e forte.

Por isso, vou colocar mais ou menos assim:


É preciso coragem para ser feliz. Seja valente.


Siga sempre o seu coração. Para onde ele for, seu sangue, suas veias e seus olhos também irão.


E satisfaça seus desejos. Esse é seu direito e obrigação.


Entenda que o tempo é um paciente professor que irá te fazer crescer, mas a escolha entre ser uma grande menina ou uma menina grande, vai depender só de você.


Tenha poucos e bons amigos. Tenha filhos. Tenha um jardim. Aproveite sua casa, mas vá a Fernando de Noronha, a Barcelona e à Austrália. Cuide bem dos seus dentes. Experimente, mude, corte os cabelos. Ame. Ame pra valer mesmo que ele seja o carteiro. Não corra o risco de envelhecer dizendo "ah, se eu tivesse feito...". Tenha uma vida rica de vida. Vai que o carteiro ganha na loteria! - tudo é possível, e o futuro, tsc, é imprevisível.


Viva romances de cinema, contos de fada e casos de novela. Faça sexo, mas não sinta vergonha de preferir fazer amor. E tome sempre conta da sua reputação, ela é um bem inestimável. Porque sim, as pessoas comentam, reparam, e se você der chance, elas inventam também detalhes desnecessários.


Se for se casar, faça por amor. Não faça por segurança, carinho ou status.


A sabedoria convencional recomenda que você se case com alguém parecido com você, mas isso pode ser um saco!


Prefira a recomendação da natureza, que com a justificativa de otimizar os genes na reprodução, sugere que você procure alguém diferente de você. Mas para ter sucesso nessa questão, acredite no olfato e desconfie da visão. É o seu nariz quem diz a verdade quando o assunto é paixão.


Faça do fogão, do pente, da caneta, do papel e do armário, seus instrumentos de criação. Leia.


Pinte, desenhe, escreva. E, por favor, dance, dance, dance até o fim, se não por você, o faça por mim.


Compreenda seus pais. Eles te amam para além da sua imaginação, sempre fizeram o melhor que puderam, e sempre farão.


Cultive os amigos. Eles são a natureza ao nosso favor e uma das formas mais raras de amor.

Não cultive mágoas - porque se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que um único pontinho preto num oceano branco deixa tudo cinza.

Era isso minha querida. Agora é sua vez. Por favor, encha mais uma vez minha taça e me conte: como vai você?


Fotos: Gazdi, dox, Sergey P. Iron e Google Image

5 comentários:

Neli Maria Vieira disse...

Depois de ler isso...o que dizer? merece um silencio...uma reflexão.. uma lágrima..e dar um abraço da minha filha. obrigada Dilson. bjos

Dilson Paiva disse...

Então, Neli... Que bom que gostou. Este texto é muito delicado e generoso. Ele não está dizendo apenas pra ti. Quantas mães esperam por esse momento, e, muitas vezes não conseguem expressar, mesmo de outra maneira este mesmo sentimento. Dar este mesmo recado à sua filha querida. Também se estende as vovós, que são mães duas vezes, e muitas delas também cuidam, doam, choram e vibram com a alegria de suas netas. Portanto, trata-se de uma resposta bem maternal... Continue prestigiando esse Blog que também é seu. É nosso!

Tania Renato disse...

Sim eu ja conhecia esse texto...e conheço tb algumas das sensações descritas pela autora...infelizmente nao tenho filha nem neta ainda, mas...creio que um dia terei e tb dei a ela das coisas que sei, das que fiz, e das que deixei pra depois e acabei não fazendo...Fico feliz por vc ter publicado isso, demostra a sua sensibilidade, não toda porque sua sensibilidade é imensaaaaaaa! A proposito do texto, como vai vc?

Dilson Paiva disse...

Mais uma vez obrigado por estar acompanhando os passos do Bússola Literária. Vc é sem dúvida uma pessoa que conhece das coisas da vida, como sabe o sentido de uma palavra de estímulo. Obrigado por estar presente comentando e valorizando o trabalho das pessoas, indiferente sua condição de expert ou não. Creio que o importante é estar sempre se renovando. Tentando mesmo contra a maré dar braçadas consistentes que leva a sobrevivência da salidariedade e do agradecimento.

Tania Renato disse...

Visitar o seu blog é sempre uma alegria! Uma forma de renovação, um jeito de agradecer por tê-lo como amigo . É fácil demais ser solidária a vc porque é um caminhante da luz!