terça-feira, 1 de abril de 2014

Sidney Sheldon morre aos 89 anos




"Nada pode impedi-lo quando você estabelece um objetivo. Ninguém pode impedi-lo, a não ser você mesmo. Eu acredito assim." Este pensamento é de Sidney Sheldon. Provavelmente quando construiu esse conceito sobre o vitorioso, já era um escritor consagrado. Contudo, esse raciocínio justifica sua prática, pelo fato de sermos nós mesmos os responsáveis pelo nosso futuro. Mahatma Gandhi também contribuiu com essa lógica, quando disse: "O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente”.

Sheldon iniciou sua bem sucedida carreira escrevendo música na sua cidade natal ainda na adolescência. Em 1937, conseguiu seu primeiro emprego como leitor de roteiros. Dedicado e visionário para o progresso e com o olhar atento para o seu crescimento profissional, em pouco tempo passou a escrever argumentos para os estúdios de cinema sem muito sucesso. Sem deixar-se abater diante das dificuldades, passou a criar "livretos" para musicais da Broadway. Já em 1969, depois de ter conquistado o prestígio como roteirista em Hollywood, lançou seu primeiro romance: A Outra Face, tornando-se a partir desse ponta pé inicial, na maior celebridade literária dos Estados Unidos e em um dos maiores escritores de "best-sellers" de todos os tempos.

O escritor Sidney Sheldon vendeu mais de 300 milhões de livros em 180 países, traduzidos para 51 idiomas e conquistou o recorde do Guiness como o autor mais traduzido do mundo. Sheldon além do sucesso em vendagens e admiração dos leitores recebeu quatro dos mais festejados prêmios da industrial cultural norte-americana: o Oscar do cinema; o Tony, máximo do teatro; o Emmy em reconhecimento pelo seu talento nas criações para televisão; e o Edgar da literatura.

Sheldon morreu nos Estados Unidos em 31 de janeiro de 2007, aos 89 anos, por motivos de complicações causados por uma pneumonia.

O artigo e entrevista com Sidney Sheldon, resultado desta publicação, é do jornalista Mario Mendes para a revista Isto É Senhor de 5 de dezembro de 1990, páginas 72 e 73. Boa leitura.

Obs.: Durante a leitura você vai deparar com informações contendo números contraditórios entre os autores, tanto da reportagem e entrevista, quanto ao link sobre Sidney Sheldon da Enciclopédia virtual, Wikipedia com reconhecimento internacional pela excelência do seu banco de dados. Você ainda poderá acessar os links de Jeannie é um Gênio e Casal 20, filmetos permitidos pelo YouTube.



Ressaca
Lembranças da Meia-Noite traz o escritor
fora de forma



Quando brigava com os censores no auge da ditadura militar. Chico Buarque proclamou: "Você não gosta de mim, mas sua filha gosta." Com Sidney Sheldon, o consagrado escritor norte-americano de best-sellers, ocorre o mesmo fenômeno. Você pode não gostar, mas sua secretária, sua mulher, sua sogra, e, quem sabe, até seu analista e seu melhor amigo, gostam. Ou melhor, adoram. Desde que estreou nas letras em 1968, com A Outra Face, um thrillercom pinceladas psicológicas, o autor nunca mais deixou de frequentar a lista dos mais vendidos em todos os países onde é publicado. No dia 20 de novembro de 2010, Mr Sheldon desembarcou em Porto Alegre e em seguida esteve em São Paulo, Rio e Bahia para lançar seu mais recente escrito, Lembranças da Meia-Noite. Trata-se do décimo romance saído do mágico processador de palavras do autor, e da continuação de O Outro Lado da Meia-Noite.

Naquela história, escassa de valores literários, mas transbordante de paixão, sexo, volúpia, perigo e vingança. Sheldon contava a trajetória da bela e trágica, Noelle Page. Por causa de um louco amor, a heroína e seu amado sucumbem diante de um pelotão de fuzilamento. Mas sua rival, Catherine Douglas, sobrevive, sozinha e desmemoriada, em um convento carmelita na ilha grega de Loanina. No epílogo surpreendente de O Outro Lado da Meia-Noite, Sheldon dava a entender que Catherine havia encontrado um protetor na figura do magnata grego Constantin Demiris.

Centrando a ação nestes dois sobreviventes, Sidney Sheldon quer que Lembranças da Meia-Noite seja mais do que uma simples sequência. Essa é a principal falha do livro. Afirmando que se trata de uma história independente, o autor tenta agradar tanto quem leu o livro anterior quanto quem nunca ouviu falar dele. Daí que a trama tem início com um flash-back muito mal alinhavado dos acontecimentos que levaram Catherine à total perda da memória e Demiris a uma improvável sede de vingança. Em O Outro Lado da Meia-Noite, Sheldon pode ter sido frívolo e superficial, mas os bem traçados perfis das duas heroínas, Noelle e Catherine, mostravam um vigoroso contador de história, um hábil manipulador das emoções dos leitores. Nessas Lembranças da Meia-Noite, resta apenas a superficialidade.

Lembranças devem decepcionar, sobretudo, os fãs de O Outro Lado da Meia-Noite  - transformado em filme, estrelado por Marie-France Pisier e Susan Sarandon e muito reprisado em nossa tevê. Para que a trama seja convincente e o leitor se apaixone pelas personagens centrais, o autor lança mão de um expediente dos mais frouxos. Submete Catherine e Demiris a um tratamento de beleza logo no primeiro capítulo. Ela que era apresentada no livro anterior como uma mulher apenas corajosa e simpática, que finalmente se entrega ao alcoolismo e à decadência física, depois de uma temporada sob os cuidados das freiras carmelitas, reaparece esguia, glamorosa, elegante e irresistível. Uma ideia infalível para ser usada em um comercial de "Spa". Quanto a Demiris, antigamente um senhor idoso e atraente apenas pelos milhões que tem no banco - no livro ele é a terceira maior fortuna do mundo -, agora é um homem de charme avassalador.

Outras personagens são jogadas no livro como objetos dispostos em um cenário, apenas forma e nada de conteúdo. Destinadas simplesmente a ocupar espaço. Como a bela - todas as mulheres nos livros de Sheldon são incrivelmente belas, não importa por que tormentos ou acidentes tenham passado - Melina, infeliz mulher do frio e calculista, Demiris. O melhor do livro é que o ritmo sempre vertiginoso da escrita do autor dessa vez encontra um enredo tão fraco que pode ser lido em apenas uma tarde. Não toma tempo. Não atrapalha. Melhor esperar pelo Sheldon safra 91, The Doom's Day Conspiracy, que ele promete para quando setembro vier.



"Sou escritor por acidente"
Sheldon e a receita para criar best-sellers



Aos 73 anos (época da entrevista, 1990) Sidney Sheldon é autor de dez best-sellers, 30 roteiros para Hollywood, 350 scripts para a tevê, ter dirigido um filme e seus livros traduzido em 54 idiomas em mais de 100 países. Cifras que ele graciosamente informa com a tranquilidade de um profissional experiente em conceder entrevista. Todas essas quantias, é claro, significam milhões de exemplares vendidos em todo o mundo e outros tantos, em sua polpuda conta bancária. Recompensa mais que justa e previsível para um homem que se define como "um escritor que entretém seus leitores”.

P - O que o Sr está escrevendo no momento?
R - Estou terminando um livro que será lançado em setembro de 91 nos Estados Unidos: The Doom's Day Conspiracy. Ele será transformado em um filme pela Warner Brothers.
P - Sua carreira começou como roteirista em Hollywood, certo?
R - Escrevi 30 roteiros para Hollywood (ganhou um Oscar em 47, por O Solteirão Cobiçado), dirigi um filme (O Palhaço que Não Ri), produzi alguns outros e escrevi cerca de 350 scripts para episódios de séries para a televisão que eu criei, como Jeannie é um Gênio e Casal20. Por isso acho que tenho uma certa experiência no negócio.
P - Por que o Sr decidiu escrever romances?
R - Foi um acidente. Escrevi um roteiro que era difícil transformar em filme ou programa de televisão. Era sobre um psiquiatra tentando investigar um crime. Tudo se passa na mente desse psiquiatra e não há como fazer isso sem ser em um livro, onde você pode expor ao leitor o que a personagem está pensando. Foi meu primeiro romance: A Outra Face.
P - Isso foi em 68. E desde então o Sr. passou a não gostar dos críticos?
R - (exaltado) Eu gosto de críticos honestos. Não dos idiotas que dizem que um livro, só por ser um best-seller, não presta. Como eles ousam dizer que tudo que é um sucesso não tem qualidade?
P - Por que as principais personagens de seus romances são mulheres?
R - Porque eu amo as mulheres. Elas são muito mais interessantes e complexas do que os homens. E muito mais vulneráveis. Meus editores fizeram uma pesquisa e descobriram que 60 por cento dos meus leitores são mulheres. Ao mesmo tempo, ter 40 por cento de leitores homens também é uma façanha. E isso porque meus livros são excitantes, cheios de aventura e é isso que os homens buscam em um livro.
P - O Sr tem uma fórmula para contar uma história?
R - O que eu faço é o seguinte: procuro escrever o que me excita, o que provoca minha imaginação e minha emoção. Sou traduzido em 54 idiomas para mais 100 países. Levo cerca de dois anos e meio escrevendo uma história.
P - Por que tanto tempo?
R - Eu poderia muito bem escrever dois livros a cada ano, se ditasse cerca de 50 páginas por dia. Mas prefiro aproveitar mais o meu tempo, tornando um livro tão bom quanto eu sei fazer.
P - Dos seus livros, qual o seu preferido?
R - O próximo.
P - Qual o seu autor favorito?
R - George Bernard Shaw.
P - Quais seus autores best-sellers favoritos?
R - Gosto de E. L. Docotorow, Tom Wolfe e Tom Harris.
P - O Sr gosta de suas rivais Judith Krantz e Jackie Collins?
R - Não tenho muito tempo para ler quando estou envolvido com um de meus
livros. Prefiro ficar em meu próprio mundo do que entrar no mundo de outros autores.
P - Das suas heroínas, qual a sua favorita?
R - Tracey Whitney, de Se houver Amanhã. Quando escrevi O Outro Lado da Meia-Noite criei a personagem de Catherine achando que as mulheres se identificariam mais com ela. Ironicamente as mulheres me escrevem dizendo que adoram Noelle Page, que de certo modo é a vilã da história.
P - O que faz de um livro um best-seller?
R - Principalmente boas personagens. O importante é o leitor gostar da personagem, não importa se ela é boa ou má. Você tem de ter boas personagens e colocá-las em situações interessantes.
P - O Sr sabia que é o autor favorito da primeira-dama brasileira Rosane Collor de Mello?
R - Não, mas estou lisonjeado.
P - O Sr se define como um escritor ou um entertainer?
R - Sou um escritor que entretém seus leitores.



Nota: Esta publicação já esteve disponível aqui mesmo no Bússola Literária, desde 31 de janeiro de 2011. Agora resolvemos dar uma repaginada e, trazer à tona, quem sabe até para um fórum de debates, essa máxima da literatura global: Shidney Sheldon. Sempre é bom relembrar perfis de autores consagrados, ainda mais, em se tratando de um Sheldon. Espero que possa reviver às suas histórias criadas com todos os ingredientes de um talentoso escritor. E também, evidenciar a morte deste mega contador de aventuras bem calibradas.


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Imagens: Google Imagens

quinta-feira, 13 de março de 2014

Destino, a velhice


Será a velhice um "detalhe" biológico inevitável a todo ser vivo? Uma metáfora que indica o final do túnel? Iluminado apenas por uma luz tênue, ao contrário de uma fulgurante, intensa, semelhante aos flashes pirotécnicos dos fogos de artifícios na passagem de Ano Novo? Um indicativo de uma trajetória coroada pelos feitos de um dever cumprido? Até mesmo sendo uma simples lembrança de um quadro na parede desgastado pelo tempo? Ou seria uma carta há muito guardada na gaveta do esquecimento? 

A ideia não é restringir o tema em questão, observando somente o sentido da ocasião. Ao contrário, é tornar evidente e real, uma recordação feliz muitas vezes compartilhada por momentos de angústia, outras nem tanto. O que se pretende de fato é ampliar os canais de entendimentos entre as várias fases e vertentes da longevidade humana. Fecundando essencialmente à vida e seus benefícios. Através desse assunto, você tomará o trem do meio-dia, numa viagem de reflexão no tempo: Destino, a velhice.

A velhice não é mais que um estágio definitivo(?) da vida terrena que chega a todos. Para alguns, a velhice é ceifada com antecedência pelos mais negligentes, ou por males inoportunos, independente do que é mais sagrado na existência humana. Não prestigia status. A velhice é taxativa e impiedosa. Faz parte da evolução da civilização e suas transformações, como o sol é para o esplendor do nascimento de um novo dia; para a lua e as estrelas que encantam e iluminam as noites servindo como fonte de inspiração aos poetas, ao lirismo da sua obra, enfim concretizada.

Da mesma forma que é o apogeu de uma conquista que todos nós pretendemos atingir, mesmo trazendo no cerne, circunstâncias desagradáveis. Tendo como causas doenças inerentes e insólitas dessa fase, como debilitações orgânicas provocadas pelo cansaço e morte das células do nosso corpo. Por que elas morrem? Mais uma vez o tempo se encarrega deste estágio. Estão impregnadas de seres microscópicos nocivos e atípicos, adquiridos naturalmente durante o período existencial.

O entendimento sobre a velhice mudou muito nos últimos tempos. Hoje a perspectiva de vida chegou aos 75 anos, com expectativa de se atingir com um pouco de sorte os cem. Em compensação a caracterização dos estereótipos, melhor idade ou terceira idade, ficaram tão evidentes quanto o aparecimento dos remédios genéricos, que ostentam a mesma fórmula, porém com um design e preços diferenciados.

Segundo relatório da OMS (Organização Mundial de Saúde, dados IBGE), divulgado em 2005, o Brasil já pode ser considerado um país envelhecido, com mais de 7% de sua população composta de idosos, e que, até 2025, será o sexto no mundo. A Constituição de 1988 coloca no seu texto essa questão, abrindo prioridades mais abrangentes na proteção dos nossos anciãos.

Mas foi a partir da Política Nacional do Idoso, estabelecida em 1994 (Lei 8.842), que foram criadas normas para os direitos sociais, garantindo autonomia, integração e participação nas bases conjunturais de cidadania. Que determina espaços ou filas exclusivas nos estabelecimentos bancários, órgãos públicos, ônibus, metrô e em diferentes lugares frequentados pelos velhinhos.

Algumas pessoas ainda não tomaram consciência de que esse é o seu futuro inadiável e irreversível. Um exemplo claro e comum é o comportamento de algumas pessoas, principalmente os mais jovens, ou mesmo, de adultos com aparência saudável, resguardada por uma alimentação baseada em diferentes tendências dietéticas (moda na sociedade). Seria esta a fórmula perfeita para a longevidade? Ou apenas mais uma enganação capaz de iludir até os mais sensatos, que num dia, não muito distante, serão os protagonistas desse contexto?

É preciso dar um basta. Parar com o preconceito e rotular os idosos como inúteis, ociosos, vencidos pelo prazo de validade. Disponíveis apenas para gastar seu tempo útil com o lazer: jogos de damas, dominó, xadrez, bingo, cartas e outras atividades reconhecidas apenas dos aposentados, ou portadores de alguma deficiência especial.

Concorrem nesta mesma questão, aqueles que ficam sentados em bancos de praças, admirando os pássaros; curtindo o dia que parte abrindo as portas para um novo alvorecer; ou debruçados no peitoril das janelas, tão antigas quanto eles, mirando o pôr do sol no horizonte com toda sua majestosa beleza. Uns poucos procuram a felicidade aderindo-se a exemplos calcados nos modelos de liberdade, participando de festas e espaços reservados para a dança de salão.

São merecedores sim, de considerações dignas e relevantes. Quantos suportaram ou carregaram nos ombros um fardo superior às suas condições, numa época onde o serviço era quase que totalmente manual e braçal? Não se conhecia horários preestabalecidos, as tarefas se faziam necessárias, portanto, assim eram feitas, independente das condições meteorológicas, de horário e disposição física.

Para os países orientais a velhice é objeto de adoração e respeito. No Egito por volta do século 3 mil a.C. há registros da obrigação dos filhos cuidarem dos seus idosos; em Israel o Sinédrio era composto por 70 anciãos do povo; os índios cultuam os mais velhos, como exemplo de sabedoria e mensageiros vivos de suas tradições. E no mundo animal essa prática também e respeitada, obedecendo a princípios herdados do processo evolutivo, até na instauração do domínio de seu habitat.

Somente na sociedade atual, o descaso com a comunidade idosa, está relegado ao abandono, jogadas e entregues à toda sorte, nos asilos, albergues e invisíveis pelos olhos de grande parte dos que habitam o nosso planeta. Chegam a provocar em alguns o desconforto de suas aproximações, temerosos de ter que servi-los a contragosto. Ceder uma poltrona no ônibus, acompanhá-lo na travessia de uma rua, ajudá-lo a subir uma escadaria, uma calçada, e outras tantas situações nas quais se encontram desfavoráveis.

Na comunidade dos elefantes a liderança é conduzida pela elefanta mais velha - a matriarca. O comportamento da espécie quando a velhice severa chega e, se faz sentir como resultado do declínio físico próprio da idade, eles se unem protegendo um ao outro. Como meio de antecipar os efeitos da morte, esses grandes animais, abandonam a manada e se refugia no seu último suspiro de vida, próximo do seu cemitério e última morada terrena. Evitando quem sabe, que os mais jovens presenciem aquele momento de desilusão e tristeza.

Na sociedade humana, o desfecho da vida, obedece a critérios baseados nas condições físicas do portador. Àqueles que concluem sua existência de maneira saudável, são privilegiados pela ausência da dor, do sofrimento. Enquanto que, outros terminam os seus dias num leito de hospital ou residência, sofrendo e fazendo sofrer familiares e amigos. Deixando claro que a manifestação do carma do sofrimento é vital e insubstituível.

Quando a condição socioeconômica fica a desejar, o peso da cruz é insuportável. Falta assistência nos mais diferentes níveis. Em determinada circunstância, alguém da família é convocado a tomar decisões mais drásticas, tornando-se obrigado a se afastar provisória ou definitivamente de sua obrigação trabalhista e profissional para ficar à disposição do seu idoso, numa atitude voluntária, com a finalidade de resgatar o bem estar do dependente. Enquanto os mais abastados, além dos inúmeros benefícios que o dinheiro proporciona, ainda recebem como bônus a proteção de excelentes planos de saúde com atendimento especializado em domicílio.

E os portadores do mal de Parkinson, Alzheimer, chagas, desnutrição crônica, câncer e outras tantas doenças consideradas incuráveis? Só mesmo o amparo de Deus para trazer o conforto espiritual desejado, através da fé e da expectativa do Paraíso segundo a crença de cada um. Mário Quintana, num de seus versos relativo ao assunto define: "Que importa restarem cinzas se a chama foi bela e alta".

Considerando a fator educação, a velhice sem o estudo, é inegável que se sujeita a um futuro penoso, que pode ser uma consequência adquirida lá na juventude, focada mais precisamente no trabalho árduo, do que na formação educacional tanto dos filhos, quanto da sua própria. Enquanto o outro lado da moeda - quem estudou e se preparou - deixa um legado consistente, visivelmente manifestado nas suas ações cultivadas perante a sociedade e aplaudida pela maioria.

O que é Gerontologia? Segundo o Dicionário Aurélio, esta palavra estranha, é a ciência que estuda os problemas do velho sob os aspectos: biológico, clínico, histórico, econômico e social. É inteligente já ir familiarizando-se com o significado dessa ciência. Ela será o ombro amigo amanhã. O nosso próprio destino, numa estação do tempo chamada velhice.

"Afinal, o que é a vida senão longo ato de sairmos de um berço, evoluindo na caminhada por diferentes estradas, vivenciando inusitadas situações e depois, com passos arrastados, tomar o caminho inexorável do eterno..."


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Fotos: Internet - Google Imagem e Photoxpress

Obs.: Este texto é uma homenagem à minha mãe Judith, no seu 80° aniversário (23/01/2009), que estendo a todos os idosos que como ela, sustentam com garra os desígnios da vida.

terça-feira, 4 de março de 2014

31 de Julho de 2014, aniversário de 70 anos da morte de Saint-Exupéry


Nasceu há 113 anos, a 29 de Junho de 1900, em Lyon, Antoine de Saint-Exupéry, autor de "O Principezinho", o livro mais traduzido em todo o mundo, depois da Bíblia e de "O Capital", de Karl Marx. A sua morte, aos 44 anos, num acidente de aviação, ainda hoje permanece um mistério e tornou-se um mito sobre sua causa.

Órfão de tenra idade, Saint-Exupéry desde cedo demonstrou fascínio pelos aviões e fez o seu batizado de voo logo aos 12 anos. Com um aproveitamento irregular no Colégio de Jesuítas que frequentava, tenta a admissão à Escola Naval, mas não consegue, tendo então, optado pela arquitetura. Fez o serviço militar em Estrasburgo, no 2º Regimento de Aviação, obtém um "brevet", e sofre o primeiro acidente aéreo (seriam mais cinco, ao longo da sua vida, alguns bastante graves, tendo chegado a fraturar o crânio, teve uma comoção cerebral, fraturas múltiplas, ficou parcialmente paralisado no braço esquerdo).

Trabalhou em várias companhias aéreas. O seu primeiro conto, "L'Aviateur" (O Aviador), foi publicado em 1926. "Courrier Sud" (Correio do Sul), depois adaptado ao cinema, (Saint-Exupéry neste filme, atuou como ator principal nas cenas de voo) dois anos mais tarde.

Em 1931 publica o romance, "Vol de Nuit" (Voo Noturno), com prefácio de André Gide, o qual é atribuído o Prémio Femina, devido à semelhança da sua vida, "Voo Noturno" mostra-nos um homem em que a coragem era tão natural que dela fazia pouco caso.

Nesse mesmo ano casa-se com Consuelo Saucin. É repórter na Guerra Civil Espanhola em 1937 (como muitos outros intelectuais remanescentes do seu tempo, como Hemingway ou Orwell) e notabilizado como capitão em 1939, ano em que esboça "Le Petit prince" (O Principezinho) e publica "Terre des Hommes" (Terra dos Homens). No ano seguinte, passa um mês em Lisboa, de onde parte para Nova Iorque.

Em 1942 sai "Pilote de Guerre" (Piloto de Guerra), que rapidamente se torna um best-seller. Em 1943 escreve e publica "Lettre à un Otage" (Carta a um Refém) e "O Principezinho". É promovido a comandante, mas restringem-lhe os voos devido à idade.

Depois de oito missões na Córsega, mais três do que aquelas que lhe haviam autorizado, em 1944, com a II Grande Guerra, quase no final de carreira como piloto de guerra, é dado como desaparecido no dia 31 de Julho de 1944.

Depois de ter decolado numa manhã, desapareceu na imensidão azul celeste que tanto amara, na sua derradeira missão sem regresso. Não se sabe ao certo o local da queda. Um pescador defendeu que foi na Baía de Cassis.

Em 1948 sai em homenagem à sua memória, o seu romance "Citadelle" (Cidadela). A sua escrita encantou várias gerações. Como diz Urbano Tavares Rodrigues, “Saint-Exupéry soube transmitir-nos as grandezas dos espaços aéreos e dos silenciosos desertos, as sensações do piloto na carlinga do avião, a pequenez do homem e a sua capacidade de se superar frente ao perigo, perante o infinito ou nas mais duras circunstâncias, como por exemplo, as dos náufragos em terra inóspita, despojados de tudo”.


Avião do autor de "O Pequeno Príncipe" foi derrubado por um caça alemão
G1 - Agência France Presse/2008



O avião do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, autor do célebre livro "O Pequeno Príncipe", cujo desaparecimento em 1944 nunca foi esclarecido, foi abatido por um caça alemão, revelou o piloto 64 anos depois.

"Tudo aconteceu em Toulon", revelou à AFP o alemão Horst Rippert, piloto da Luftwaffe durante a Segunda Guerra Mundial.

"Voava abaixo de mim, enquanto eu cumpria uma missão de reconhecimento no mar. Vi um emblema, virei para o lado para me posicionar atrás dele e o derrubei", explicou Rippert, de 88 anos. O avião caiu na água. "Nunca vi o piloto", disse Rippert. 

Tudo aconteceu em 31 de julho de 1944. Sessenta e quatro anos depois do misterioso desaparecimento de Saint-Exupéry, Rippert conta os detalhes em um livro que será lançado no dia 20 de março de 2008 na França.

"Se soubesse que era Saint-Exupéry, jamais teria abatido o avião", admite o ex-piloto da Lufwaffe, que acrescenta só ter descoberto muito tempo depois que era o responsável pelo desaparecimento do escritor. "Em nossa juventude todos líamos e adorávamos seus livros", revela.

A Revelação do mistério de Saint-Exupéry e a localização de Rippert, que posteriormente foi jornalista do segundo maior canal de televisão alemão, ZDF, foi possível graças a uma longa investigação do submarinista francês Luc Vanrell e do fundador da Associação de Busca a Aviões Perdidos Durante a Guerra, Lino von Gartzen.

A história é contada em um livro escrito por Vanrell e pelo jornalista Jacques Pradel, que tem o título "Saint-Exupéry, O Último Segredo".  

O misterioso desaparecimento do escritor motivou diversas hipóteses, até que um pescador de Marselha encontrou em 1998 uma pulseira com o nome "Saint-Ex" em sua rede de pesca.

Dois anos mais tarde, Vanrell encontrou os destroços de um avião Lighting como o que era pilotado pelo escritor. Em 2003, depois de retirar do mar os destroços, o número de série do aparelho mostrou que se tratava do avião de Saint-Exupéry.

Ao lado do avião do autor, também foram encontrados destroços de um avião Masserschmitt alemão e as investigações se voltaram para este país.

"Podem parar de procurar. Eu derrubei Saint-Exupéry", disse Rippert ao ser contatado por Lino von Gartzen.

Saint-Exupéry partiu do norte da ilha de Córsega em 31 de julho de 1944 a bordo de um Lightning P38 para realizar uma missão de reconhecimento e observação fotográfica para preparar o desembarque em Provence. Porém, nunca retornou à base.

Horst Rippert, um alemão de 88 anos que combateu na Luftwaffe, durante a II Guerra Mundial, declarou ao diário francês La Provence, ter sido ele quem abateu o avião pilotado pelo escritor Antoine de Saint-Exupéry, a 31 de julho de 1944. O corpo do autor de O Principezinho nunca foi encontrado.


Alemão diz que abateu avião de Saint-Exupéry
Diário de Notícias – 16 de março de 2008



Horst Rippert, um alemão de 88 anos que combateu na Luftwaffe, durante a II Guerra Mundial, declarou ao diário francês La Provence, ter sido ele quem abateu o avião pilotado pelo escritor Antoine de Saint-Exupéry, a 31 de julho de 1944. O corpo do autor de O Principezinho nunca foi encontrado.

A revelação surge na sequência de um trabalho de investigação levado a cabo pelo jornalista Jacques Pradel e pelo mergulhador Luc Vanrell, que descobriu os restos do Lightning P38 de Saint-Exupéry, em 2004.

Contado pelos investigadores franceses, Rippert disse-lhes: “Podem deixar de procurar. Fui eu que abati Saint-Exupéry.” Segundo o agora jornalista reformado, após ter sido atingido pelos seus tiros, o avião do escritor francês “desapareceu no mar. Ninguém saltou, não vi o piloto. Soube dias depois que se tratava de Saint-Exupéry.

Esperei sempre, e espero ainda, que não fosse ele. Todos o tínhamos lido na nossa juventude, adorávamos os livros dele. Ele sabia descrever admiravelmente o céu, os pensamentos e os sentimentos dos pilotos. A sua obra suscitou a vocação de muitos dentre nós. Se soubesse que era ele, não teria atirado. Não sobre ele”.

Segundo Horst Rippert, o fato de ter abatido o seu herói levou-o a ocultar a verdade durante todo este tempo, bem como o temor de que ela prejudicasse a sua carreira, que o levou a dirigir a editoria de Desporto do canal televisivo ZDF e a fazer parte da organização dos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972.

Continuam, no entanto, a subsistir dúvidas sobre se Saint-Exupéry teria mesmo sido abatido por um avião inimigo. Há quem persista em insistir na tese de avaria, e até na de suicídio.

O escritor Jules Roy, grande amigo de Saint-Exupéry, investigou longamente a sua morte para o livro Passion et Mort de Saint-Exupéry - Paixão e Morte de Saint-Exupéry (1951), e não encontrou referências, nos arquivos da Luftwaffe, de um abate aéreo na área em que o avião se despedaçou, mas apenas à sua queda.

E no número de Março/Abril de 2008, da revista francesa Nouvelle Revue D’Histoire, seu diretor, o historiador e escritor Dominique Venner, insiste na possibilidade de Saint-Exupéry ter se suicidado, por se encontrar seriamente deprimido.

Nota: Este material sobre a morte de Antoine Saint-Exupéry, está sendo possível depois de concentradas pesquisas em vários sites na internet.


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