segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Os 10 melhores filmes da última década



Mais uma vez Bússola Literária, aproveita o levantamento realizado pelo jornalista Carlos Willian Leite, publicado na sua coluna Filmes, para a revista Bula, em julho deste ano. Como cinéfilo que sou, não concordei em parte com os títulos citados. Acredito que filmes como: O Presente, De porta em porta, Duas Vidas, Mais estranho que a ficção e A 100 passos de um sonho, mereciam sim, constar entre os 10 melhores. Entretanto, respeitamos a opinião dos milhares de outros cinéfilos que responderam à pesquisa.

De acordo com o jornalista Carlos Willian, responsável pela pesquisa, leitores, seguidores do Facebook e Twitter, contribuíram com suas participações na enquete, apontando qual o melhor filme dos últimos dez anos (2005 a 2015). O número de participantes surpreendeu: mais de 4 mil pesquisados, manifestaram suas opiniões, das quais, após cuidadosa síntese, foi possível reunir os dez mais citados. Os filmes estão classificados de acordo com o número de votos que obtiveram. O resultado não pretende ser abrangente ou definitivo, corresponde apenas à opinião das pessoas consultadas. As sinopses são do portal Adoro Cinema.

1 – O segredo dos Seus Olhos (Juan José Campanella, 2010) – Benjamin Esposito (Ricardo Darin) se aposentou recentemente do cargo de oficial de justiça de um tribunal penal. Com bastante tempo livre, ele agora se dedica a escrever um livro. Benjamin usa sua experiência para contar uma história trágica, a qual foi testemunha em 1974. Na época o Departamento de Justiça onde trabalhava foi designado para investigar o estupro e consequente assassinato de uma bela jovem. É desta forma que Benjamin conhece Ricardo Morales (Pablo Rago), marido da falecida, a quem promete ajudar a encontrar o culpado. Para tanto ele conta com a ajuda de Pablo Sandoval (Gillermo Francella), seu grande amigo, e com Irene Menéndez Hastings (Soledad Villamil), sua chefe imediata, por quem nutre uma paixão secreta.
2 – Bastardos Inglórios (Qentin Tarantino, 2010) – Segunda Guerra Mundial. A França está ocupada pelos nazistas. O tenente Aldo Raine (Brad Pitt) é o encarregado de reunir um pelotão de soldados de origem judaica, como objetivo de realizar uma missão suicida contra os alemães. Com a finalidade de matar o maior número possível de nazistas, da forma mais cruel possível. Paralelamente Shosanna Drayfuss (Mélanie Laurent) assiste a execução de sua família pelas mãos do coronel Hans Landa (Christoph Waltz), o que faz com que fuja para Paris. Lá ela se disfarça como operadora e dona de um cinema local, enquanto planeja um meio de se vingar.

3 – Intocáveis (Eric Toledano e Olivier Nakache, 2012) – Philippe (François Cluzet) é um aristocrata rico que, após sofrer um grave acidente, fica tetraplégico. Precisando de um assistente, ele decide contratar Driss (Omar Sy), um jovem problemático que não tem a menor experiência em cuidar de pessoas. Aos poucos ele aprende a função, apesar das diversas gafes que comete. Philippe, por sua vez, se afeiçoa cada vez mais a Driss por ele não trata-lo com um pobre coitado. Aos poucos a amizade entre eles se estabelece, com cada um conhecendo melhor o mundo do outro.

4 – Meia Noite em Paris (Woody Allen, 2011) – Gil (Owen Wilson) sempre idolatrou os grandes escritores americanos e sonhou ser como eles. A vida lhe levou a trabalhar como roteirista em Hollywood, o que fez com que fosse muito bem remunerado, mas que também lhe rendeu uma boa dose de frustração. Agora ele está prestes a ir a Paris ao lado de sua noiva, Inez (Rachel McAdams), e dos pais dela, John (Kurt Fuller) e Helen (Mimi Kennedy). John irá à cidade para fechar um grande negócio e não se preocupa nem um pouco em esconder sua desaprovação pelo futuro genro. Estar em Paris faz com que Gil volte a se questionar sobre os rumos de sua vida, desencadeando o velho sonho de se tornar um escritor reconhecido.

5 – O Curioso Caso de Benjamin Button (David Fincher, 2009) – Nova Orleans, 1918. Benjamin Button (Brad Pitt) nasceu de forma incomum, com a aparência e doenças de uma pessoa em torno dos oitenta anos mesmo sendo um bebê. Ao invés de envelhecer com o passar do tempo, Button rejuvenesce. Quando ainda criança ele conhece Daisy (Cate Blanchett), da mesma idade que ele, por quem se apaixona. É preciso esperar que Daisy cresça, tornando-se uma mulher, e que Benjamin rejuvenesça para que, quando tiverem idades parecidas, possam enfim se envolver.

6 – Perfume – A História de um Assassino (Tom Tykwer, 2007) – Paris, 1738. Jean-Baptiste Grenouille (Bem Whishaw) nasceu em um mercado de peixes, onde sua mãe (Birgit Minichmavr) trabalhava como vendedora. Ela o tinha abandonado, mas o choro de Jean-Baptiste faz com que seja descoberto pelos presentes na feira. Isto também faz com que sua mãe seja presa e condenada à morte. Entregue aos cuidados da Madame Gaillard (Sian Thomas), que explora crianças órfãs, Jean-Baptiste cresce e logo descobre que possui um dom incomum: ele é capaz de diferenciar os mais diversos odores à sua volta. Intrigado, Jean-Baptiste logo demonstra vontade de conhecer todos os odores existentes, conseguindo diferenciá-los mesmo que estejam longe do local em que está. Já adulto, ele torna-se aprendiz na perfumaria de Giuseppe Baldini (Dustin Hoffman), que passa por um período de pouca clientela. Logo Jean-Baptiste supera Baldini e, criando novos perfumes revitaliza a perfumaria. Jean Baptiste cada vez mais se interessa em manter o odor de forma permanente, o que faz com que busque meios que possibilitem que seu sonho se torne realidade. Só que, em suas experiências, ele passa a tentar capturar o odor dos próprios seres humanos.
7 – Relatos Selvagens (Damián Szifron, 2014) – Diante de uma realidade crua e imprevisível, os personagens deste filme caminham sobre a linha tênue que separa a civilização da barbárie. Uma traição amora, o retorno do passado, uma tragédia ou mesmo a violência de um pequeno detalhe cotidiano são capazes de empurrar estes personagens para um lugar fora de controle.

8 – O Grande Hotel Budapeste (Wes Anderson, 2015) – No período entre as duas guerras mundiais, o famoso gerente de um hotel europeu conhece um jovem empregado e os dois tornam-se melhores amigos. Entre as aventuras vividas pelos dois, constam o roubo de um famoso quadro do Renascimento, a batalha pela grande fortuna de uma família e as transformações históricas durante a primeira metade do século 20.

9 – Onde os Fracos Não Têm Vez (Joel Coen e Ethan Coen, 2008) – Texas, década de 80. Um traficante de drogas é encontrado no deserto por um caçador pouco esperto, Llewelyn Moss (Josh Brolin), que pega uma valise cheia de dinheiro, mesmo sabendo que em breve alguém irá procura-lo devido a isso. Logo Anton Chigurh (Javier Bardem), um assassino psicótico sem senso de humor e piedade, é enviado em seu encalço. Porém para alcançar Moss ele precisará passar pelo xerife local, Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones).



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10 – Quem Quer Ser um Milionário? (Danny Boyle, 2009) – Jamal K. Malik (Dev Patel) é um jovem que trabalha servindo chá em uma empresa de telemarketing. Sua infância foi difícil, tendo que fugir da miséria e violência para conseguir chegar ao emprego atual. Um dia ele se inscreve no popular programa de TV “Quem Quer Ser um Milionário?”. Inicialmente desacreditado, ele encontra em fatos de sua vida as respostas das suas perguntas feitas.


Imagens: revista Bula



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terça-feira, 28 de julho de 2015

OS 12 LIVROS MAIS VENDIDOS DA HISTÓRIA




Bússola Literária tem a gratidão de compartilhar com os seus seguidores(as), companheiros(as) por identidade e parceiros(as) pela afinidade à literatura, este providencial trabalho realizado pelo jornalista e crítico literário Carlos Willian Leite, para a sua coluna Livros, publicado em 24 de julho último, na revista Bula, na qual ele esclarece com informações claras os critérios utilizados para sua avaliação. Vejamos.

Em 2012 a Revista Bula publicou o primeiro levantamento sobre os dez livros literários mais vendidos da história, em 2015 repetiu o levantamento utilizando os mesmos critérios do levantamento anterior – pouco se alterou em relação ao resultado de três anos antes: apenas a inversão na ordem de alguns dos livros mais vendidos e a inclusão de dois novos títulos à lista. A metodologia para se chegar ao resultado foi a mesma utilizada em 2012.

Foram consultadas reportagens, entidades editoriais, empresas de pesquisas de mercado e publicações especializadas. Livros religiosos, políticos, educacionais e de curiosidades como: “Bíblia Sagrada”, “Iluminatti: Sociedade Secreta”, “Corão”, “Dicionário Xinhua Zidian”, “A Arte da Guerra” e “Livro Guiness dos Recordes” não foram contabilizados, apenas livros literários.

Carlos Willian Leite acrescenta informando que, considerou do levantamento, publicações de veículos como: “The Paris Review”, “Washington Post”, “Open Culture”, “The Guardian”, “Telegraph”, “Toronto Star”, “New York Times”, “Global Times”, “Financial Times”; as entidades editoriais International Publishers Association (IPA), European and International Booksellers Federation (EIBF) e International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA); e as empresas de auditagem e pesquisas de mercado Nielsen e a GfK.

Os livros, “Cinquenta Tons de Cinza” e “O Senhor dos Anéis”, apesar de terem sido publicados em mais de um volume – foram considerados como um livro único – porque, originalmente, seus autores os conceberam como obra única, diferentemente da série Harry Potter.
Embora não exista concordância sobre os números exatos do mercado de livros ao longo dos séculos, os levantamentos das publicações, instituições e empresas mencionadas, parecem ser o que mais se aproximam do consenso editorial.


1 – Harry Potter e a Pedra Filosofal (J.K. Rowling) – Publicado em 1997, é o primeiro volume da série Harry Potter, da britânica J. K. Rowling. O livro narra a história de um garoto órfão que vive infeliz com os seus tios. Até que, repentinamente, ele recebe uma carta contendo um convite para ingressar em uma famosa escola especializada em formar jovens bruxos. Estima-se que tenha vendido entre 850 e 950 milhões de cópias.






2 – Dom Quixote (Miguel de Cervantes) – Publicado em Madrid em 1605 é composto de 126 capítulos, divididos em duas partes. O livro narra a história de Dom Quixote de La Mancha, um cavaleiro errante que perdeu a razão e, junto com seu fiel escudeiro Sancho Pança, vive lutas imaginárias. Estima-se que tenha vendido entre 600 a 630 milhões de cópias.








3 – O Conde de Monte Cristo (Alexandre Dumas) – Publicado em 1844 é, juntamente com “Os Três Mosqueteiros”, a obra mais conhecida de Alexandre Dumas e, uma das mais celebradas da literatura universal. O livro narra a história de um marinheiro que foi preso injustamente. Quando escapa da prisão e, toma posse de uma misteriosa fortuna, arma um plano para vingar-se daqueles que o prenderam. Estima-se que tenha vendido entre 300 e 350 milhões de cópias.





4 – Um Conto de Duas Cidades (Charles Dickens) – Publicado em 1859 é um romance histórico que trata de temas como culpa, vergonha e retribuição. O livro cobre o período entre 1775 e 1793, da independência americana até a Revolução Francesa. Dickens evita o posicionamento político, centrando a narrativa nas observações de cunho social. Estima-se que tenha vendido entre 280 e 300 milhões de cópias.







5 – O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry) – Publicado em 1943 é uma das obras mais traduzidas da história. Por meio de uma narrativa poética, o livro busca apresentar uma visão diferente de mundo, levando o leitor a mergulhar no próprio inconsciente. Estima-se que tenha vendido entre 250 e 270 milhões de cópias.








6 – O Senhor dos Anéis (J.R.R. Tolkien) – Publicado em três volumes, entre 1954 e 1955 é um romance de fantasia que ocorre em um tempo e espaço imaginários. A história narra o conflito entre raças para evitar que um anel poderoso volte às mãos de seu criador, o senhor do escuro. Estima-se que tenha vendido entre 230 e 250 milhões de cópias.








7 – O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (C.S. Lewis) – Publicado em 1950 é um romance infantil do escritor britânico, C.S. Lewis. O livro narra a história de quatro irmãos que vivem na Inglaterra durante a 2ª Guerra Mundial. Em uma de suas brincadeiras descobrem um guarda-roupa que leva quem o atravessa ao mundo mágico habitado por seres estranhos como, Centauros e gigantes. Estima-se que tenha vendido entre 200 e 220 milhões de cópias.






8 – Harry Potter e o Enigma do Príncipe (J.K. Rowling) – Lançado oficialmente em julho de 2005 é o sexo livro da série que dá continuidade à saga do jovem bruxo Harry Potter, que acabou de completar 16 anos e parte rumo ao sexto ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, animado e, ao mesmo tempo, apreensivo com a perspectiva de ter aulas particulares com o professor Dumbledore, o diretor da escola e o bruxo mais respeitado em toda comunidade mágica. Estima-se que tenha vendido entre 180 e 200 milhões de cópias.




9 – O Caso dos Dez Negrinhos (Agatha Christie) – Publicado em 1939, é o maior clássico moderno das histórias de mistérios. Dez pessoas diferentes recebem um mesmo convite para passar um fim de semana numa ilha. Na primeira noite, após o jantar, elas ouvem uma voz acusando cada uma de um crime oculto cometido no passado. Mortes inexplicáveis se sucedem. Estima-se que tenha vendido entre 150 e 170 milhões de cópias.







10 – Cinquenta Tons de Cinza (E. L. James) – Publicado em 2011 é um romance erótico da autora inglesa Erika Leonard James. O livro retrata Anastasia Steele, uma garota virgem de 21 que, após entrevistar o milionário Christian Grey para o jornal da faculdade, passa a ter um relacionamento sadomasoquista com o seu sedutor Christian. A história se passa em Seatle com ricos detalhes de bondage, sadismo e masoquismo. Estima-se que tenha vendido entre 120 e 130 milhões de cópias.





11 – O Sonho da Câmara Vermelha (Cao Xueqin) – Publicado em meados do século 18, é uma das obras-primas da literatura chinesa. O livro faz um relato detalhado da aristocracia chinesa da época. Acredita-se que o conteúdo da história seja autobiográfico descrevendo o destino da própria família do escritor. Estima-se que tenha vendido entre 100 e 110 milhões de cópias.








12 – Ela, a Feiticeira (Henry Rider Haggard) – Publicado em 1887 é um livro de aventura e fantasia do escritor britânico Henry Rider Haggard. O livro narra as aventura de dois amigos numa região inexplorada da África, onde encontram uma civilização perdida, na qual reina uma misteriosa feiticeira chamada Ela. Estima-se que tenha vendido entre 85 e 95 milhões de cópias.












Uma observação curiosa foi citada em comentários, por Ney César Silva Souza, administrador do blog que leva o seu nome, no qual publica sobre literatura, no mesmo dia da publicação desta relação (24-07-2015), conferida ao jornalista Carlos Willian Leite, na qual Ney César, ressalta a existência de um problema na lista. Esclarece dizendo: “Para a trilogia O Senhor dos Anéis foi considerada a série inteira, mesmo que cada livro seja um livro independente e tenha até seu próprio título: A Sociedade do Anel, As Duas Torres e O Retorno do Rei. No entanto, para a série Harry Potter e para As Crônicas de Nárnia, foram considerados cada livro da série. Com certeza, essa diferença de critério afeta o resultado”, ressaltou.



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Imagens: revista Bula

sexta-feira, 22 de maio de 2015

15 livros imperdíveis para leitura da Literatura Brasileira dos últimos 15 anos



O colunista de livros, da revista Bula, Sérgio Tavares, publicou recentemente sua análise sobre os “15 livros obrigatórios dos últimos 15 anos da Literatura Brasileira”. Bússola Literária, não poderia deixar de registar essas fascinantes sugestões. Os livros estão comentados, inclusive com citações importantes sobre os seus autores.

De acordo com Sérgio Tavares, ao contrário do que creem alguns autores, a Literatura Brasileira não se inicia no abrir de seu livro. Todo engenho de um novo título é a amálgama de referências pretéritas, uma tessitura invencível ao tempo, dispensável a luminosa. A lista dos memoráveis exemplares, que se segue abaixo é composta por obras de escritores que, cientes dessa condição, renovaram ou revigoraram gêneros e tradições literárias. Pois como bem assinalou o gaúcho Gustavo Guertler, autor de O Colorado, o qual também é diretor administrativo da Editora Belas-letras, a ficção contemporânea precisa de “autores que não saibam com quem se parecem, mas que saibam de quem eles são diferentes”. Essa é a chave para, de fato, ter valor a abertura de um livro.


1 – Deixe o Quarto Como Está, de Amilcar Bettega Barbosa – O gênero fantástico no Brasil, cujo ápice pertence aos anos 70, nas veredas icônicas do mineiro Murilo Rubião e do goiano de Corumbá de Goiás (1915 – 1999) J. J. Veiga, autor de Os Cavalinhos de Platiplanto (1959), A Hora dos Ruminantes (1966), A Máquina Extraviada (1967), entre outros, avigora-se nessa coletânea de contos estupendos. Com assombroso engenho para conformar personagens que povoam o cotidiano que nos abraça, o autor os confronta com o inesperado, o insólito, o absurdo que age furtivamente sem deformar as hastes que constituem a normalidade, criando uma nova realidade regida pela lógica – ou falta desta – do mundo redesenhado. Ao fim do livro, é inescapável ao leitor idear qual animal se hospeda nas suas costas.


2 – Pó de Parede, publicado em 2008, de Carol Bensimon – Celebrada pelo romance Sinuca Embaixo D’água, (2009) e de Todos nós adorávamos caubóis (2013), a literatura de Carol Bensimon, apresenta, nessa debutante seleta de contos, o motor-temático que embalará suas narrativas: o processo de formação – que também é o de autoconciliação – resultante de um trauma. Nos três contos de longo fôlego, personagens tentam lidar com o amadurecimento instalado com brusquidão, produzindo efeitos que constituem um sentido de unidade ao fim do livro. “A caixa” é um dos melhores contos da literatura brasileira.

Bensimon foi selecionada em 2012, como uma dos 20 melhores jovens escritores pela revista britânica Granta, “que indica os nomes que irão construir o mapa da literatura brasileira”. No Brasil a revista é publicada pelo selo Alfaguara, que pertence à editora Objetiva.


3 – A Passagem Tensa dos Corpos, de Carlos de Brito e Mello – Nesse romance em que o estranhamento é a chave para o encanto, acompanhamos um narrador espectral que transita por cidades mineira, coletando registros de morte, enquanto não consegue refazer-se carne. Durante essa passagem incansável, este depara-se com a absurdeza de uma família que mantém um pai insepulto, entes incapazes de romperem o liame que os salvam do tempo enlutado. Aqui, a linguagem são os despojos.

Carlos de Brito e Mello lança mão de uma linguagem fragmentada e precisa para imprimir ao romance um andamento trepidante e acelerado. Ironia e humor negro bem medido também compõem esta narrativa sobre a morte e sua relação com a memória, à linguagem e o ofício de narrar.


4 – Entre Rinhas de Cachorro e Porcos Abatidos, de Ana Paula Maia – Um livro que é um tratado da animalidade dos homens. Formada por duas novelas que frequentam um mesmo universo, temos aqui uma realidade desidratada de todos os contornos edulcorados, crua, suja e antiutópica. Personagens que se valem de gestos mecânicos e mínimos proveitos para tocar a vida em meio à bestas e, dessa condição quadrúpede, colocar-se ao mesmo nível delas. Um soco no estômago.

O primeiro romance de Ana Paula Maia foi O habitante das falhas subterrâneas, publicado em 2003. Depois veio a trilogia, A saga dos brutos, iniciada com as novelas Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos e O trabalho sujo dos outros – publicados em um único volume – e concluída com o romance Carvão animal.


5 – A Morte Sem Nome, de Santiago Nazarian – Ousado, intrigante e instigante. Um romance constituído por fragmentos de um puzzie alucinatório, onde a protagonista suicida-se a cada fim de capítulo. Na ciranda de mortes, todavia, é que se vislumbra aspectos da vida, uma sorte de memórias e delírios que alinham passado e presente, pois ao futuro cabe a brevidade de um eptáfio. Nazarian oferece uma experiência literária contundente e hiperestésica.

Em 2007, Nazarian foi eleito um dos autores jovens mais importantes da América Latina, pelo júri do Hay Festival em Bogotá, Capital Mundial do Livro. Em 2010, seu romance juvenil, Garotos Malditos foi contemplado com a bolsa de criação literário do programa Petrobras Cultural. Seu romance Mastigando Humanos foi adotado pelo Projeto Nacional Biblioteca na Escola (PNBE) e se tornou leitura obrigatória do vestibular da UEPB, em 2013.


6 – Casa Entre Vértebras, de Wesley Peres – Acessar a prosa poética desse romance montado por breves capítulos é perder o chão e ser sugado para um fluxo de devaneios. Um mecanismo sinestésico, no qual o homem, o ser encarnado e anímico, é mimetizado em linguagem. A casa orgânica é o cárcere de ideias que se retroalimentam de sonhos, reminiscências da infância, reflexões sobre a finitude e o credo. Um livro cujo arroubo estético e vigor da prosa valeram o Prêmio Sesc de Literatura.





7 – Aberto Está o Inferno, de Antonio Carlos Viana – O maior contista brasileiro em atividade reprisa, nessa antologia de rutilante engenho, temas de naturezas umbilicais à sua ficção: a infância asselvajada, a perda da inocência, a finitude traumática e a cavidade de sentimentos. Viana faz das palavras o esteio para focar o regional e o universal com mesma voltagem, congelando o leitor diante de um painel onde a crueza e o encanto coexistem.  Tarefa árdua distinguir a melhor narrativa.

Sua coletânea de contos compreende: Brincar de manja (1974), Em pleno castigo (1981), O meio do mundo e outros contos (1993), Aberto está o inferno (2004) e Cine privê (2009), ganhador do Prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes).


8 – K., de B. Kucinski – A busca de um pai pela filha desaparecida durante o regime militar brasileiro é o mote desse romance ímpar na literatura brasileira. Com um domínio técnico admirável, Kucinski constrói um elo com o leitor logo nas primeiras linhas, fazendo com que este, desconcertado, (re)viva o período de opressão e de torturas precisamente remontado por conta de uma narrativa pungente e avassaladora. Uma obra-prima.

Bernardo Kucinski é jornalista, escrito e ex-professor da USP, trabalhou como assessor da Presidência da República, durante o primeiro mandato do presidente Lula. Grande parte de suas criações literárias estão esgotadas, escreveu inúmeras produções jornalísticas para o The Guardian. Criações como: Pau de Arara, a Violência Militar no Brasil, em suas edições Masperó e Siglo XXI, escritos em colaboração com Ítalo Tronca, não foi publicada no Brasil.


9 – Eles Eram Muitos Cavalos, de Luiz Ruffato – Uma cidade partida em dezenas de fragmentos narrativos que, a um só tempo, concentram suas histórias e entrecham um mosaico que compreende a um dia inteiro. Marco da ficção experimental, esse romance embalado por um fluxo contínuo, que ora sofre a velocidade de um vórtice ora a de um sussurro, reúne linguajares, aspectos de contos, qualidades de personagens e estamparias estruturais. Ao retratar um cosmo, o autor cria o seu próprio.

O seu primeiro livro publicado foi Histórias de Remorsos e Rancores (1998), uma coletânea de contos. Nesse livro, os sete contos geram em torno dos mesmos personagens moradores do beco “Zé Pinto” situado em Cataguases, cidade natal do escritor. Os contos não são inter-relacionados, nem possuem ordem cronológica. O fio condutor das histórias é o fato de tratarem de pessoas de mesma classe social, pobres, subempregados, ex-prostitutas. Em sua resenha do livro o jornalista Ivan Ângelo, afirma que o autor demonstra “originalidade, ousadia formal, domínio da narrativa e do assunto”, criação de uma linguagem que define a lugar e as pessoas.

Em 2000 publicou Os sobreviventes, também uma coletânea de contos. O livro recebeu menção especial do Prêmio Casa de Las Américas de 2001. O livro é composto por seis contos: A solução, O segredo, Carta de uma jovem senhora, A expiação, Um outro mundo e Aquário.

Seu romance Eles eram muitos cavalos, de 2001, ganhou o Troféu APCA, oferecido pela Associação Paulista de Críticos de Arte e o Prêmio Machado de Assis, da Fundação Biblioteca Nacional. Esse livro tornou o escritor reconhecido no país. Em 2011, concluiu o projeto Inferno Provisório, composto por cinco livros sobre o operariado brasileiro, com a publicação do romance Domingos Sem Deus.


10 – Pronopopeia, de Reinaldo Moraes – A galopes e resfôlegos, esse romance publicado em 2009, é uma incursão pelo submundo paulistano, combustada por sexo e toxicomania. A epopeia de Zeca, um tipo incomum na literatura brasileira, um anti-herói cativante, defensor de um desbunde característico dos anos 60. Moraes faz gato e sapato da linguagem coloquial, combinando senso de humor e termos chulos. Do autor também é muito recomendada à leitura de A Órbita dos Caracóis.

Reinaldo Moraes é escritor, roteirista, cronista e tradutor. Estreou na literatura em 1981, com o romance Tanto faz, livro que se tornaria cultuado por diversas gerações de leitores. Em 1985, lançou Abacaxi, continuação de seu livro de estreia. Ambos foram reeditados em um único volume pelo selo Má Companhia, da editora Companhia das Letras. Depois dos primeiros romances, o autor fez uma pausa na literatura e ficou quase duas décadas sem publicar ficção. Voltou às prateleiras com a narrativa infantojuvenil A Órbita dos Caracóis (2003), seguido pelo volume de contos Umidade (2005).


11 – Nove Noites, de Bernardo Carvalho – Há quem aponte Mongólia, mas considero este o grande livro de Bernardo Carvalho. Um tipo peculiar de romance-reportagem que combina registros epistolares e relatos de uma investigação acerca do suicídio de um antropólogo norte-americano em terras indígenas. Carvalho usa a ficção como argamassa para casar fatos desses dois universos distintos: a experiência de um homem solitário no coração da selva e as representações da cultura da tribo. O resultado propicia inúmeras leituras.

Bernardo Carvalho foi editor do suplemento de ensaios Folhetim e correspondente da Folha de São Paulo em Paris e Nova Iorque. Seus dois primeiros livros foram editados na França. O seu livro Mongólia, foi laureado com o Prêmio APCA da Associação Paulista dos Críticos de Arte, edição 2003, bem como o Prêmio Jabuti de 2004, ambos na categoria romance. Antes, ele recebeu, a meias com Dalton Trevisan (Pico na Veia), o Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira, com o romance, Nove Noites.


12 – Cinzas do Norte, de Milton Hatoum – Um grande romance autobiográfico, sem de fato sê-lo. Emprestado as próprias memórias para a tessitura de linhas de ficção. A trama centra-se na trajetória de dois amigos conectados por amores, autoenganos e mistérios. Dessa relação, Hatoum coincide, com enlevo narrativo, os movimentos mundanos e íntimos de seus personagens. A vida numa condição paginada.

Descendente de libaneses, Milton Hatoum, ensinou literatura na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e na Universidade da Califórnia em Berkeley. Escreveu quatro romances: Relato de um Certo Oriente, Dois Irmãos, Cinzas do Norte – esse último vencedor do Prêmio Portugal Telecom de Literatura e todos os três primeiros ganhadores do Prêmio Jabuti, de melhor romance – e Órfãos do Eldorado. Seus livros já venderam mais de 200 mil exemplares no Brasil e foram traduzidos em oito países, como a Itália, os Estados Unidos, a França e a Espanha. Em janeiro de 2015, o diretor Luiz Fernando Carvalho, inicia as gravações da adaptação de Dois Irmãos para a minissérie da TVGlobo.


13 – O Filho Eterno, de Cristovão Tezza – A autoficção, ultimamente em voga na literatura brasileira, encontra aqui seu coroamento. Um relato comovente e visceral do convívio de um pai-narrador com o filho portador de Síndrome de Down. O tom cru e impiedoso de enxergar os dias asfixiados por essa dependência intratável, cobra do leitor pausas e respiro e, mesmo com o peito esmagado, este não consegue se defender do arrebatamento derradeiro.

Em sua juventude, Tezza fez teatro, foi da marinha mercante, trabalhador ilegal na Europa e ainda relojoeiro. Tinha enorme paixão por esta profissão, mas percebeu que os consertos de relógio não sustentariam suas ambições literárias. Já era escritor bem jovem: aos treze anos criou seu primeiro livro, designado por ele mesmo como “muito ruim”.

Cristovão Tezza, já publicou dez romances. Uma das marcas de seu texto é a presença de mais de um narrador: em Trapo, por exemplo, vemos a história do ponto de vista do professor Manoel, que estuda o poeta Trapo, e paralelamente do ponto de vista do poeta, através de seus poemas. Em 2003, Tezza publicou um ensaio sobre Mikhail Bakhtin, originalmente sua tese de doutorado.

Doutor em Literatura Brasileira, Tezza é professor de Linguística na Universidade Federal do Paraná. Em algumas declarações ele afirma que “só uns quatro ou cinco escritores brasileiros poderiam viver só dos livros” e, por esse motivo, é professor. Ganhou o Prêmio da Academia Brasileira de Letras, de melhor romance brasileiro em 2004, pelo seu livro O Fotógrafo. Foi considerado pela revista Época, um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009. É também colunista quinzenal da Folha de S. Paulo e cronista da Gazeta do Povo, de Curitiba.


14 – Galileia, de Ronaldo Correia de Brito – Revisitando aspectos dos sertões de Guimarães Rosa e de Graciliano Ramos, o romance, faz uma ponte entre o mundo arcaico e o moderno, centrando-se na travessia de três primos ao caminho da fazenda onde passaram parte da infância e, quando mais velhos, deixaram-na sem olhar para trás. À volta, em razão da doença terminal do avô, reatam laços que guardam segredos e rancores de um período de violência que tentaram apagar da memória. Por meio de uma narrativa cortante e lapidar, Correia de Brito prova que não é possível, nunca vai embora.

Ronaldo Correia de Brito é escritor, médico e dramaturgo brasileiro. Radicado no Recife, formou-se em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1975. Foi escritor residente da Universidade de Berkeley, participou de diversos eventos internacionais, como a Feira do Livro de Bogotá e o Salon du Livre de Paris. Recebeu homenagens por sua obra, como a da VIII Bienal Internacional do Livro de Pernambuco.

Sua carreira artística envolve as mais diferentes linguagens, como literatura, teatro e música. São de sua autoria Baile do Menino Deus, para o teatro, Lua Cambará, disco em parceria com Antúlio Madureira. Faca, seu livro de contos, traduzido para o francês e lançado pela editora Chandeigne no Salão do Livro de Paris, com o título Le jour où Otacílio Mendes vite le soleil. Galileia, romance ganhador do Prêmio São Paulo de Literatura e o seu mais recente romance, Estive lá fora. Em 2013, foi um dos autores brasileiros convidados a participar da Feira do Livro de Frankfurt e da Jornada Literária de Pequim.


15 – Vermelho Amargo, de Bartolomeu Campos de Queirós – Sensível feito o gume de uma navalha, esse romance derradeiro ocorre na retina de um narrador-menino, que revisita os desvãos assombrados do seio familiar. Tal qual nas tramas de Lúcio Cardoso e de Cornélio Pena, o lirismo se sopresa a fim de substanciar as angústias e as perdas dessa voz modulada por metáforas e jogos de palavras. Queirós, um dos maiores escritores infantojuvenil do país, estrutura sua prosa adulta com o inverso da fantasia, uma realidade que machuca por soar irreal. “Dói muito. Dói pelo corpo inteiro”, até o fim.

Com mais de 40 livros publicados – alguns deles traduzidos para o inglês, espanhol e dinamarquês – Bartolomeu Campos de Queirós (1944 – 2012), formou-se em educação e artes, e criou-se como humanista. Cursou o Instituto de Pedagogia em Paris e participou de importantes projetos de leitura no Brasil, como o ProLer e o Biblioteca Nacional, dando conferências e seminários para professores de leitura e literatura. Foi presidente da Fundação Clóvis Salgado/Palácio das Artes e membro do Conselho Estadual de Cultura, ambos em Minas Gerais, sendo também, muito convidado para participar de júris e comissões de salões, além de curadorias e museografias.

Idealizou o Movimento por um Brasil Literário, do qual participava ativamente. Por suas realizações, Bartolomeu colecionou medalhas: Chevalier de I’Ordre des Arts et des Lettres, na França; Medalha Rosa Branca, em Cuba; Grande Medalha da Inconfidência Mineira e Medalha Santos Dumont, pelo governo do Estado de Minas Gerais. Recebeu ainda, láureas literárias importantes, como Grande Prêmio da Crítica em Literatura Infantil/Juvenil, pela APCA, Jabuti, FNLIJ e Academia Brasileira de Letras. E visitou a casa de Genívia de Jesus Moreira.

Dentre suas obras, destacam-se: O Raul e o Luar, O pato pacato, De letra em letra, Pé de Sapo e Sapato de Pato, Sem palmeira ou sabiá, Antes do depois, Para ler em silêncio, Sei por ouvir dizer e O ovo o anjo.




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Excertos adicionais: Wikipédia.
Imagens: revista Bula