sábado, 14 de novembro de 2009

O efeito mágico de um sorriso.








Este texto me foi enviado através de e-mail por um amigo. Gostei tanto deste exemplo de socialização que achei por bem dividir com você. Está sendo publicado na íntegra, nem uma virgula sequer foi mudada, preservando o conteúdo estético e gramatical do autor. Devo esclarecer ainda que o seu autor é desconhecido.



Esta é uma bela história e é também uma história real, por favor, leia-a até o fim! (Após o final da história, alguns fatos bastante interessantes!)Sou mãe de três crianças (14, 12 e 3 anos) e recentemente terminei a minha faculdade. A última aula que assisti foi de sociologia...

O professor dava as aulas de uma maneira inspiradora, de uma maneira que eu gostaria que todos os seres humanos também pudessem ser.

O último projeto do curso era simplesmente chamado "Sorrir"...

A classe foi orientada a sair e sorrir para três estranhos e documentar suas reações...Sou uma pessoa bastante amigável e normalmente sorrio para todos e digo oi de qualquer forma. Então, achei que isto seria muito tranquilo para mim...

Após o trabalho ser passado para nós, fui com meu marido e o mais novo de meus filhos numa manhã fria de Março ao McDonald's.

Foi apenas uma maneira de passarmos um tempo agradável com o nosso filho...

Estávamos esperando na fila para sermos atendidos, quando de repente todos a nosso redor começaram a ir para trás, e então o meu marido também fez o mesmo...

Não me movi um centímetro...

Um sentimento arrebatador de pânico tomou conta de mim, e me virei para ver a razão pela qual todos se afastaram...

Quando me virei, senti um cheiro muito forte de uma pessoa que não toma banho há muitos dias, e lá estava na fila dois pobres sem-teto.

Quando eu olhei ao pobre coitado, próximo a mim, ele estava "sorrindo"...

Seus olhos azuis estavam cheios da Luz de Deus, pois ele estava buscando apenas aceitação...

Ele disse, Bom dia!, enquanto contava as poucas moedas que ele tinha amealhado...

O segundo homem tremia suas mãos, e ficou atrás de seu amigo...

Eu percebi que o segundo homem tinha problemas mentais e o senhor de olhos azuis era sua salvação...

Eu segurei minhas lágrimas, enquanto estava lá, parada, olhando para os dois...

A jovem mulher no balcão perguntou-os o que eles queriam...

Ele disse, "Café já está bom, por favor...", pois era tudo o que eles podiam comprar com as poucas moedas que possuiam... (Se eles quisessem apenas se sentar no restaurante para se esquentar naquela fria manhã de março, deveriam comprar algo. Ele apenas queria se esquentar)...

Então eu realmente sucumbi àquele momento, quase abraçando o pequeno senhor de olhos azuis...

Foi aí que notei que todos os olhos no restaurante estavam sobre mim, julgando cada pequena ação minha...

Eu sorri e pedi à moça no balcão que me desse mais duas refeições de café da manhã em uma bandeja separada...

Então, olhei em volta e vi a mesa em que os dois homens se sentaram para descansar...

Coloquei a bandeja na mesa e coloquei minha mão sobre a mão do senhor de olhos azuis...

Ele olhou para mim, com lágrimas nos olhos e me disse, "Obrigado!!" Eu me inclinei, acariciei sua mão e disse "Não fui eu quem fiz isto por você, Deus está aqui trabalhando através de mim para dar a você esperança!!" Comecei a chorar enquanto me afastava deles para sentar com meu marido e meu filho... Quando eu me sentei, meu marido sorriu para mim e me disse, "Esta é a razão pela qual Deus me deu você, querida, para que eu pudesse ter esperança!!"...

Seguramos nossas mãos por um momento, e sabíamos que pudemos dar aos outros hoje algo pois Deus nos tem dado muito....

Nós não vamos muito à Igreja, porém acreditamos em Deus...

Aquele dia, me foi mostrada a Luz do Doce Amor de Deus...Retornei à aula na faculdade, na última noite de aula, com esta história em minhas mãos. Eu entreguei "meu projeto" ao professor e ele o leu...

E então, ele me perguntou: "Posso dividir isto com a classe?" Eu consenti enquanto ele chamava a atenção da classe para o assunto...

Ele começou a ler o projeto para a classe e aí percebi que como seres humanos e como partes de Deus nós dividimos esta necessidade de curarmos pessoas e de sermos curados...

Do meu jeito, eu consegui tocar algumas pessoas no McDonald's, meu filho e o professor, e cada alma que dividia a classe comigo na última noite que passei como estudante universitária...

Eu me graduei com uma das maiores lições que certamente aprenderei.

Fotos: Internet Fotosearch

Autor: Desconhecido.


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Vasculhando a estante - nº 05

Urgente!

Esta informação já deveria ter sido divulgada em caráter de urgentíssimo!

Uma bela biblioteca digital, desenvolvida em software livre, mas que está prestes a ser desativada por falta de acessos. Imaginem um lugar onde você pode gratuitamente:

a) - Ver as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci;
b) - Escutar músicas em MP3 de alta qualidade;
c) - Ler obras de Machado de Assis, ou a Divina Comédia;
d) - Ter acesso às melhores historinhas infantis e vídeos da TV Escola e muito mais... Este lugar existe!

O Ministério da Educação disponibiliza tudo isto, basta acessar o site:


Só de literatura portuguesa são 732 obras.

Estamos em vias de perder tudo isto, pois vão desativar o projeto por desuso, já que o número de acessos ser muito pequeno. Vamos tentar reverter esta situação, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura.

Texto me enviado por e-mail.
Foto: Fotosearch

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Máquina de escrever


A gaúcha Letícia Wierzchowski faz sucesso com A Casa das Sete Mulheres e lança sua sexta obra em quatro anos de carreira.

A gaúcha Leticia Wierzchowski, de 30 anos, é um fato novo na literatura brasileira. Há muitos anos não se via ficcionista jovem e desconhecida atingir o alto das listas de vendagem. Conseguiu a façanha com o romance A Casa das Sete Mulheres. O livro narra a Revolução Farroupilha (1835 - 1845) pelo ângulo feminino. Representa, também um caso exemplar de construção do sucesso em várias frentes, a começar pela televisão. Estourou por causa da audiência da série homônima da Globo, que estreou em janeiro e atinge, até agora, a média de audiência de 30 pontos do Ibope. Lançado em abril de 2002, o livro já havia esgotado três edições em oito meses. Com a série, foram-se outras três em menos de um mês, num total de 20 mil exemplares.

Leticia aproveita e lança a novela O Pintor Que Escrevia, sexto livro de ficção em quatro anos de carreira, em torno de um caso incestuoso. Finalizou, ainda, um romance, a sair até o fim do ano, sobre um malandro no submundo carioca dos anos 50. Mas há algo além do êxito a partir da telinha. Pela primeira vez no Brasil, um livro foi concebido para virar imagem. É o que os americanos chamam de tie-in, história projetada para se realizar na tela. Antes de a obra ter sido concluída, em nove meses, em junho de 2001, uma sinopse já circulava na Globo.

"Tudo ocorreu como um conto de fadas", comenta a agente literária Lucia Riff. Ela foi responsável pela mudança de editora de Leticia em 2000, da média L&PM para a grande Record, e por a história ter chagado à Globo. A agente levou a edição a Maria Adelaide Amaral, escritora que adapta histórias para as séries da emissora. Ela adorou. "Não me lembro de nada igual", diz a editora Luciana Villas-Boas, da Record. Quando começou a trabalhar nos originais, pensava que o futuro de Leticia seria brilhante, em dez anos. "Ela tem apelo audiovisual e teve sorte de ser lida por gente influente", diz. Luciana acha que a autora indica "mudança no mercado, pois ajuda a aumentar o público e a amadurecer a indústria, capaz de produzir autores vendáveis de ficção, não apenas de auto-ajuda". A editora está feliz por ter forjado o que ela donomina "a Rosa-munde Pilcher brasileira". Explica que o texto romântico de Leticia seduz o público feminino de modo parecido ao da escritora inglesa, especialista em destilar conflitos lacrimejantes em ambientes silvestres. Ambas vendem como feno. Mas há distinções. Se Rosa-munde reciclou o "romance para moças", Leticia prende-se à tradição brasileira. Lembra Rachel de Queiroz em seus anos sentimentais e dá um toque feminino à literatura gauchesca.

A crítica culta, pelo menos a do Sul, se rendeu ao charme da filha da terra, depois de um breve surto de ciumeira. Leticia sofreu ataques e se magoou. Acusaram-na de "modorrenta" e de profanar o túmulo de Erico Verissimo, autor de O Tempo e o Vento. Para fugir do assédio, passou janeiro em Punta del Este. De lá, assistiu, divertida, à série. "As cenas de sexo não têm a ver com o livro, que trata de moças vigiadas de 1830. Mas não posso reclamar, posso?" Ela se descreve como "contadora de histórias com cumpulsão de escrever". E arremata: "Não quero conquistar a crítica, mas arrancar o leitor do cotidiano e levá-lo à aventura". Filha de um incorporador imobiliário, morou numa casa de quatro mulheres (é a mais velha de três irmãs), leu Gabriel Garcia Márquez e não pensava em ser escritora. Trabalhou com o pai, desenhava bem e montou uma confecção. "Cursei arquitetura, mas desisti para escrever." A revelação se confirmou na Oficina de Criação Literária, do escritor Luiz Antonio de Assis Brasil. "Quando Leticia concluiu o curso, em 1997, tinha quatro romances prontos", entusiasma-se o professor. "Nunca vi alguém com tamanha produtividade. É um Balzac de saias."
Um dos livros saídos do curso foi o romance fantástico O Anjo e o Resto de Nós, com o qual estreou em 1998. Desde então, produz uma média de duas obras anuais. A fecundidade levou-a a ultrapassar seu padrinho literário, Tabajara Ruas, cunhado de sua tia, autor de seis livros. Ela se inspirou no romance Os Varões Assinalados (1985), de Ruas, para contar sua versão da Guerra dos Farrapos. "Ela tem talento e só lhe falta cinzelar o estilo", diz Ruas. Para o crítico Luis Augusto Fischer, Leticia é um fenômeno. "É capaz de criar um épico pré-colombiano em mais de 1 000 páginas durante uma viagem de apenas uma hora!", garante. O poeta Fabrício Carpinejar pensa que A Casa das Sete Mulheres consiste na "súmula de uma narrativa palavrosa sem densidade narrativa". Sugere, porém, que "vele ler sua obra porque ela supera com doçura os dilemas bélicos da literatura gaúcha, além do que a ler é melhor do que sentir inveja de sua personalidade literária".

Dona de uma beleza digna das heroínas que descreve, Leticia leva uma vida ao avesso das fantasias que põe no computador. Casada com o publicitário Marcelo Pires, tem um filho de 1 ano, João, e mora em Porto Alegre. "Minha vida é comum e quase destituída de histórias. Por isso, gosto de inventá-las."

Texto extraído da revista Época de 3 de fevereiro de 2003, escrito por Luís Antônio Giron.
Fotos: revista Época e Veja

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Adiós, Neruda


Poeta chileno não serve mais nem para arranjar namorada.

Sabe aquele Neruda que você me tomou - e nunca leu? Pode ficar com ele. O tempo mostrou que o chileno Pablo Neruda foi um poeta interessante, mas não um dos maiores da língua espanhola. Atingiu cedo o auge, com Residência na Terra (1925 - 1931), mas nas outras 7 000 páginas que se gabava e ter escrito mais diluiu do que refinou esse êxito. Tratava-se também de uma personalidade notável, só que pelo narcisismo e pelo dogmatismo político. Escreveu que Stalin era "mais sábio que todos os homens juntos". Jamais aceitou que o assassinato de milhões pela ditadura soviética pudesse ter algo de criminoso. Assim, os 25 anos da morte de Neruda, celebrados neste dia 23 de setembro de 1998, não são motivo para entusiasmo excessivo nem para que se perca muito tempo com os Cadernos de Temuco que a Bertrand Brasil lança agora (tradução de Thiago de Mello; 266 páginas; 30 reais). Os cadernos foram preenchidos por um Neruda "teen", entre os anos de 1919 a 1920. Ficaram na gaveta por décadas e só há dois anos foram redescobertos e publicados. Há no livro versos que antecipam temas desenvolvidos mais tarde na lírica do poeta, como o erotismo e o fascínio pela natureza. Mas é só. Talvez pesquisadores chilenos - que têm mesmo a obrigação de investigar uma de suas figuras literárias centrais - encontrem valores outros na obra. Para os demais, esses Cadernos de Temuco não servem nem para arranjar namorada. Os versos de Neruda, que faziam suspirar as estagiárias de pernas peludas do anos 70, não comovem mais as moças de hoje.

Texto extraído da revista Veja de 23 de setembro de 1998, escrito por Carlos Graieb.
Fotos: Internet.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Valentes e corajosos homens do mar - Final.











Na parte anterior capitão Moribundo depois de enfrentar desafios perigosos, aproxima-se dos seus desafetos instalando-se provisoriamente na França.
Torna-se influente empresário no setor de perfumaria e em seguida
chega à sua terra natal
como um Don Juan e rico empreendedor.
É o momento de articular suas ações.



Com sua visão estudada e bem elaborada de um experiente investidor, transformou um velho casarão sem muita utilidade, numa vistosa e ampla loja de perfumes com todos os requintes necessários capaz de atrair a nobreza inglesa, aliando-se a estes pormenores o seu incontestável charme de um galã e conquistador incorrigível. Não demorou muito estava frequentando às suntuosas e concorridas festas da corte. Os seus produtos foram rapidamente conquistando destaque a ponto de se transformarem luxo de consumo para todas as ricas e influentes damas da sociedade. Na mesma proporção em que empregava com sucesso o seu admirável fascínio de "bon-vivant" e empresário. Beneficiado pela obra do destino conheceu Mary Christine Lemmon, 22 anos, filha caçula de George Lemmon, justamente o seu principal alvo da vingança. Aquele que o incriminou para subtrair fortunas em ouro, pedras preciosas e especiarias do seu Rei.

A partir do momento em que ficou conhecendo a jovem Mary Christine, além dos reveses que a vida proporciona, só restava esperar e dar corda à imaginação fértil de que era especialista; infiltrar na intimidade da família, apronfundar suas atenções nas ações do seu patriarca e descobrir até onde se estendia seus negócios e seus compromissos financeiros. Fazendo-se valer de seus refinados gestos de elegante conquistador e atencioso "gentleman", não demoraria se tornar pessoa de confiança do seu alvo: o desafeto George Lemmon. O desfecho e a consolidação da sua vingança provando sua inocência e de seus amigos seria uma questão de tempo e oportunidade.

Enquanto isto Espantalho e seus amigos curtiam suas férias, em verdadeiras festanças no litoral frances. Para os momentos de descanso escolhiam impreterivelmente o conforto nos aconchegantes aposentos a bordo do inigualável Tigre Veloz. Entretanto, nas ocasiões de comemorações mais intensas e ousadas procuravam as inquietantes tabernas e casas de mulheres onde conseguiam afogar suas solidões e marasmos, através do consumo desenfreado das refrescantes, ora calientes bebidas da região, contudo, sempre bem dispostos aguardando o chamado do seu líder. Estavam protegidos como viajantes em busca de negócios e de prazer pelo continente europeu.

Charles inteligentemente infiltrado nos bastidores da burguesia e dos negócios inglês é informado de que um grande e precioso carregamento contendo finíssimas peças de sedas, riquezas em porcelanas e pedraria finas, principalmente de jade, estava para sair da China com destino à Inglaterra, enviou um mensageiro levando consigo e com urgência um recado codificado até aos seus corajosos companheiros, informando-lhes da necessidade de interceptar em águas internacionais do Pacífico o navio Guardian que navegava com bandeira holandesa. Fazer seu comandante prisioneiro, libertar a tripulação em improvisadas chalupas, saquear a valiosa carga, afundar a embarcação e se dirigirem rapidamente à Inglaterra.

Assim que tomou conhecimento da mensagem a tripulação ansiosa por novos desafios, pôs-se a caminho contente por voltar à ação. Todos estavam se sentindo desgastados e irritados pelo ostracismo a que submetiam. Até alcançar o ponto ideal do cargueiro em vista, seriam pelo menos três semanas, ainda assim teria que se fazer um estudo pormenorizado para descobrir em que curso estaria navegando, verificar possibilidades e análises detalhadas da melhor abordagem. Não poderiam falhar, estava naquela embarcação à chave principal que abriria as portas para o futuro, proporcionando-lhes toda tranquilidade desejada, além de uma vida farta, dígna somente dos ricos. Aí sim, poderiam dizer que cumpriram realmente com suas missões.

Havia acabado de dobrar o Cabo da Boa Esperança, também conhecido como Cabo das Tormentas quando por uma incrível ironia o mar ficou bravio, manifestação comum para todos os navegantes daquela área. Preocupados abaixaram as velas a meio mastro navegando com extrema cautela. Afastaram um pouco da costa para evitar qualquer arrebentação. Estavam numa zona repleta de perigosas elevações rochosas. Umas possíveis de serem vistas com mais facilidade por sobressaírem sobre as ondas, outras ficavam encobertas pelas águas e diante daquela situação de agitação do mar o perigo seria iminente. Cuidadosos faziam inúmeros cálculos de probabilidades. Qualquer desvio perderia a oportunidade milionária.

Após outros dois dias de constantes preocupações, ouviram-se gritos de alerta vindos do mastro de observação. Todos viraram em direção do horizonte na espera e divisar a embarcação que mais se assemelhava a um ponto distante no infinito balançando suas velas. Não tardaria seria possível identificar sua origem por intermédio da sua bandeira e suas características de cargueiro. Foram momentos de ansiedade e tensão. Os homens que seriam os responsáveis pelos canhões providenciaram todo o necessário para uma vitoriosa contenda, os demais com suas armas prontas e vistoriadas também aguardavam impacientes. Inclusive foram instaladas cordas sobressalentes em vários pontos dos mastros e cordames para em caso de invasão pudessem ser transportados direto de uma embarcação à outra pelo ar.

Comprovado tratar-se do Guardian, Tigre Veloz comandado por Espantalho fez uma manobra evasiva, numa demonstração de que estava evitando qualquer aproximação com o navio em curso e tranquilizar a atenção da tripulação adversária, para no momento exato içar totalmente as velas, estender a temida bandeira e empreender velocidade máxima, não permitindo qualquer possibilidade de fuga do inimigo. A ocasião lhes favorecia com ventos fortes e o galeão em questão carregado e pesado, facilitaria para que tudo ocorresse como o planejado. E foi o que aconteceu. O resultado não poderia ter sido melhor, as baixas foram mínimas, assim mesmo somente do lado rival. Aqueles que sobreviveram se renderam e o capitão capturado foi mantido como prisioneiro, conforme determinou Charles Grahann. Concluído o saque da carga, livraram-se dos prisioneiros atirando-os ao mar nas chalupas improvisadas com materiais retirados do próprio navio abatido e depois o afundaram.

Passados algumas semanas em que enviou a mensagem, Claude Fontaine, acreditando na sua experiência de homem do mar e de ter calculado as possibilidades de tudo ter ocorrido como era o esperado, procurou o juiz Richardson, respeitado magistrado do reino. Depois de longa conversa e utilizando-se de muito tato e ponderações, conseguiu convencer o merintíssimo a atender ao seu pedido.

- Merintíssimo está chegando a qualquer dia ou hora, no porto principal, trazido por pessoas de minha confiança um homem a quem gostaria que o senhor acompanhasse o seu depoimento sem se apresentar, ou deixar-se ser visto. De prferência acompanhado de outras autoridades como o senhor. - Explicou Claude Fontaine.

- Mas o que significa isto? - Perguntou admirado e meio confuso o magistrado.

- Não se preocupe, acontece que esse homem é responsável por crimes bárbaros e deploráveis, cumprindo ordens de pessoas influentes do reino e da sociedade. - Esclareceu Claude Fontaine.

- Você tem noção do que está me propondo e da gravidade que isto pode gerar, efetuando uma prisão indevida e sem mandato judicial? - Advertiu o magistrado.

- Tem alguma relação com os seus negócios? - Questionou curioso o preocupado juiz.

- Não, não tem. Mas tem muito a ver com o País. - Respondeu seguro de suas convicções o elegante empresário Claude Fontaine.

Preocupado, porém curioso o magistrado Richardson concordou com os argumentos aceitando a proposta. Em seguida começou a selecionar mentalmente aqueles que poderiam ser os seus convidados para acompanhá-lo naquela missão tão atípica e preocupante.

Novamente Tigre Veloz com outra bandeira, agora inglesa tomava o seu rumo em direção a Inglaterra. A tripulação como era de se esperar vestidos com a elegância de nobres viajantes milionários navegavam em rítmo de festa e entusiasmados. Incrível mas naquele momento realmente poderiam considerar-se milionários, o carregamento que transportavam era valiosíssimo. Contudo, ainda não lhes pertenciam.

Pelo fato do saque ter acontecido em águas internacionais, não tinha como outro país reivindicar o direito sob à carga. Era intenção de Charles Grahann, mesmo depois de identificar os culpados dos crimes que a eles foram atribuídos e os autores condenados, nem mesmo a Inglaterra teria direito ao seu conteúdo, a qual seria vendida e o resultado da arrecadação dividida entre os seus corajosos lobos do mar, que a partir daquele momento estariam livres de todas as acusações e milionários.

No seu martírio da volta, o infeliz comandante capturado imaginasse o castigo a que iria se submeter preferiria mil vezes a morte a ser colocado como prisioneiro. Espantalho com sua elegância demoníaca o aterrorizava insistentemente, não lhe permitindo descanso ou até mesmo um beve cochilo aliviador. Tratava-se de uma pessoa não grata, além de um velho conhecido inimigo de todos e todos o julgavam grande devedor. A tortura chegou a ser tão angustiante que quase o levou a loucura.

Quando Tigre Veloz aportou como majestoso navio de cruzeiro, tremulando no mastro principal a orgulhosa flâmula inglesa, sua tripulação vestida a caráter, desceu em terra e chorou copiosamente, afinal foram anos a espera daquele momento tão aguardado. Seria também a oportunidade de rever familiares que nem imaginavam como poderiam se encontrar, ou até mesmo se foram responsabilizados e duramente torturados em busca de respostas e informações que desconheciam. Imediatamente, assim que conseguiram respirar o ar saudoso da pátria querida, enviaram notícias ao seu líder que apareceu depois de algumas horas vestido como um lorde. Todos riram e brincaram efusivos com a situação. Depois de acertados os detalhes da revelação foram visitar o prisioneiro que se encontrava em estado merecedor de cuidados. Sua aparência estava mais próxima de um moribundo do que o próprio capitão no auge do momento em que foi nomeado com o referido nome em terras portuguesas. Um médico se encarregou de recuperá-lo, enquanto isto o respeitado juiz estava sendo informado de todos os detalhes que convinha a missão. Antes, porém, toda a carga saqueada havia sido descarregada e colocada em lugar seguro para evitar algum tipo de acontecimento imprevisto.

Alguns dias se passaram. Quando tudo estava visivelmente normalizado, Claude Fontaine convidou os supostos amigos e protegidos pelo status de nobre personalidades - também seus alvos de esclarecimentos -, a visitarem o seu navio que acabara de adquirir e que se encontrava ancorado no porto principal. Como combinado previamente, o juiz e outras autoridades do reino encontravam-se devidamente acomodados em uma sala contígua - escolhida com capricho, envolvendo criterioso cuidado para o momento -, acompanhavam cada detalhe da conversa a bordo. Após longas trocas de amabilidades Charles orgulhoso do seu navio, mostrava prazeroso o luxo interno das acomodações provocando aos sorridentes covidados manifestações de satisfação e elogios. Sem mais delongas então chegou o fatídico momento da cuidadosa e bem elaborada ocasião. Bastou abrir uma porta para aparecer diante de todos aquele que seria o verdadeiro espectro da maldição. Quando apresentaram o prisioneiro o espanto e a incredulidade tomou conta dos convidados. Tratava-se nada menos que Johnny Flampper, o corsário bandido, que já havia assumido o ataque ao Tigre Veloz nas imediações do Canal da Mancha, acrescentando ainda que mesmo ferido se recuperasse com a ajuda dos seus comparsas. Revelou em seguida que depois de recuperado, retornou à sua vida de saqueador a mando dos ilustres figurões, atividade que admitiu praticar a vários anos sob as ordens e orientação de George Lemmon seu principal mandante. Esclarecidos os crimes, todos os envolvidos foram julgados e condenados à forca.

Concluído os trabalhos de julgamento na Corte, Claude Fontaine revelou sua verdadeira identidade como Charles Grahann e de toda sua tripulação, sendo imediatamente absolvidos de todos os crimes a eles responsabilizados, além de serem condecorados envolvendo todas as honras com comendas entregues pelo prórpio Rei em uma movimentada festa no palácio real.

Charles não abandonou suas atividades como empresário de perfumaria e ainda manteve-se como milionário e dono de um extraordinário navio de cruzeiro. Como se não bastasse recebeu do Rei, pelos seus méritos de serviços prestados à coroa o título de Sir Lord of the Golden Tiger, entregue pela Soberana Corte do Parlamento Inglês. Os amigos seguiram seus caminhos também como milionários. Todavia, agora como cidadãos respeitados na condição de livres e nobre sonhores do reino.

Imagens: Internet, Fotosearch