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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Mel da Tâmara


Caminhando pelo Saara de sua subsistência, um beduíno errante, conhecido em toda dimensão do deserto por Sharif, resolve entregar-se ao descanso dos deuses. Merecidamente, afinal naquele dia já havia viajado por horas sob o sol causticante na sua seara de amor, lutas e conquista. Seu corpo carecia de repouso e seria ali, debaixo da tamareira o lugar ideal para repor energias. Assim, no oásis de seus encantos, sob a sombra fresca da tamareira, na solidão do pastoreio, cogitou instalar-se ali, expectante que o céu azul turquesa do momento, mostrasse no horizonte dos seus olhos reluzentes, o pôr-do-sol cheio de presságios bondosos, uma visão poética do sol se escondendo atrás das dunas, as quais ele se negava a não contemplar.

Cobrindo sua cabeleira, um turbante nácar expunha sua genialidade e sua elegância. Com o pensamento flutuando no universo das recordações, vagou por épocas belíssimas remetendo-se à sua infância junto à família, aos primeiros aprendizados e lições recebidas. Acessou fragmentos de sua jovialidade e, num estalar de dedos, surgiu na sua mente requintes de um acontecimento que marcou sua vida, suas ações, seu respeito à natureza e de quem dela abastece as necessidades do corpo: o sabor adocicado da tâmara, feito a essência de mel suave. Sua boca salivou sentindo o prazer do seu sabor. Nesse momento, já no acalanto da noite, olhou para o céu todo iluminado por uma constelação de luzes proféticas, agradeceu ao Divino as bênçãos concedidas e se entregou à meditação.

Oh, como é perfeita a obra do Criador! Sonorizou num estufar do peito e deliciou-se com o momento. Só ele e uns poucos conheciam a felicidade de sentir aquele sabor inenarrável, e dormir sentindo o aconchego de uma tamareira bem no abstrato mundo das ilusões, dos sonhos e da esperança. Abriu preguiçosamente os braços, bocejou calmamente, cerrou os olhos, com a alma vigilante descansou o corpo dolorido pelas viagens da sua vida.

Durante o sono, transmutou-se para outra realidade, alvissareira e enigmática. Atraído pelos devaneios da mente, encontrou-se com Malba Tahan. Pela fluidez dos sentidos, tornou-se impossível não divisar-se frente a frente com o homem que calculava: Beremiz Samir, o gênio dos cálculos. Beremiz exercitava com tanta determinação sua capacidade de fazer cálculos que, aproveitando dessa sua faculdade tão extraordinária, resolveu ajudar o seu patrão nos negócios com as tâmaras. Passou então, a contar todos os frutos dos cachos das tamareiras pelos oásis sob o seu domínio. Sua habilidade com a matemática era tão fascinante, que já o havia permitido contar os pássaros em bando no céu; folhas das árvores durante o trajeto de sua viagem à Bagdá do Século XIII; e todas as abelhas de um enxame.

Sharif, nômade por ideal e origem, conhecia muitas histórias e lendas sobre as tamareiras e o seu fruto. Na sua maioria, contadas por diferentes etnias, pesquisadores e andantes do árido deserto. Orgulhava-se de narrar aos viajantes menos esclarecidos às vantagens, curiosidades, e as crenças religiosas que elas representam para os povos da imensidão desértica.

Não era um estudioso, tampouco conhecia de botânica, muito menos havia sentado num banco escolar tradicional. Sua sabedoria vinha de uma mente prodigiosa, adicionada as experiências da vida adquiridas nas suas andanças pelo deserto escaldante e, de ter aproveitado as oportunidades como ouvinte se informar de assuntos diversos travados entre os inúmeros desconhecidos que encontrara pelo caminho. Com esse estranhos, embora mestres por experiências vividas, pode absorver cada detalhe das suas histórias contadas, tendo como cenário o deserto e suas inóspitas surpresas. 

Mesmo na sua maneira simples de expressar, Sharif dava “show” de conhecimentos e se envaidecia com o prazer de poder compartilhar o seu saber, abordando os fatos com maestria e singularidade. Atitude digna de uma pessoa que realmente fazia justiça à sua personalidade de incansável desbravador de conteúdos. Focava com desenvoltura os temas relativos ao deserto, desde o “b a bá” até as mais notáveis histórias de outras civilizações.

Ao se despertar-se do sono reparador, surpreendeu-se diante de si, uma pequena comitiva de mestres e alunos em viagem de estudos, desenvolvendo os seus primeiros trabalhos “in loco”, com a finalidade de absorver experiências além dos livros. Assim que o viram deitado na tranquilidade que lhe era permitido, sorvendo a embriagante aragem da manhã, aproximaram-se cordiais, na tentativa de manter segura aquela oportunidade rara: estarem frente a frente com o homem símbolo daquele território. Apresentaram-se, em seguida indagaram se ele estava disposto para conversar e revelar algo relevante dos seus conhecimentos a respeito do Saara, sobre o qual tão bem conhecia. 

Com muita disposição se prontificou a colaborar. Para ele era um prazer fazer aquele obséquio. Ao começar os seus relatos, coincidência ou não, com o sonho que acabara de vivenciar, escolheu como tema a tamareira. Sua importância na vida dos povos do deserto, outro mundo exclusivo dos bravos e destemidos de raça e fé. Seria uma forma de agradecer as tantas vezes que aquela majestosa palmeira, havia lhe dado o alimento tão necessário, conforto e o bem estar de sua sombra.          

Lembrou-se providencialmente da página de uma revista americana, guardada com muito cuidado nos seus alforjes, sobre a qual um sábio viajante a traduziu para ele. Pegou o papel já amarelado, mostrou a cada um, para que não houvesse dúvida quanto a veracidade dos fatos, contou o seu conteúdo, que dizia entre outras informações, uma que considerou muito importante: “Segundo a FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação - os países asiáticos e africanos, principalmente Egito, República Islâmica do Irã, Arábia Saudita, Paquistão, Iraque e os países vizinhos juntos, produzem aproximadamente 98% das tâmaras do mundo. Estados Unidos, Espanha e México produzem o restante”.

Acrescenta a metéria, que as tâmaras são um cultivo de subsistência de extrema importância em quase todas as regiões desérticas. Para milhões de pessoas constituem um importante alimento nutricional, vindo a contribuir de forma significativa com a cultura alimentar e a agrobiodiversidade da população.     

A partir daí, o assunto foi fluindo naturalmente, deixando evidente o seu vasto conhecimento. Esclarece ainda o simpático beduíno, que a tamareira é uma espécie de palmeira, que nasce nas alturas, símbolo de retidão e vitória. Crescem para cima e para baixo, suas raízes descem as mais profundas camadas, até encontrar solo rochoso onde se abraçam nas rochas, adquirindo força para suportar os fortes ventos e tempestades do deserto, mantendo-se sempre de pé.

Fazendo-se valer dos seus conhecimentos científicos, adquiridos através do convívio com intelectuais do deserto, e pela sua sede pelo saber, continuou dizendo que a tamareira ou datileira – Phoenix dactylifera – é uma planta de quinze a vinte metros de altura, surgindo às vezes em touças, com vários troncos partilhando o mesmo sistema radicular, ainda que, não pertencendo a mesma touceira, mas de forma isolada. As folhas são frondes pinadas, com até três metros de comprimento, pecíolo espinhoso e cerca de 150 folíolos. Cada folíolo tem por volta de trinta centímetros de comprimento e dois centímetros de largura. Quando terminou, todos se entreolharam incrédulos com o que acabaram de ouvir, principalmente por ter partido de um simples homem do deserto.

Concluído sua explanação, por meio da manifestação dos gestos de suas mãos, apontou para todas as tamareiras que se exibiam elegantes no oásis em que se encontravam. Insatisfeito com o seu argumento, resolveu não dar por terminada sua fala. Então, disse a todos, que alguém o havia informado certa vez, sobre um pesquisador brasileiro, doutor em melhoramento de vegetais de nome Manoel Abílio de Queiroz, membro do Centro de Pesquisas Agropecuárias do Trópico Semi-Árido e o Centro Nacional de recursos Genéticos, órgãos de estudos da Embrapa, no Estado de Pernambuco, o qual havia dito que: “Uma boa  surpresa foi à adaptação da planta no sertão. Começou a dar frutos com quatro anos depois de plantada. No Oriente Médio, isso acontece aos oito anos”. Acrescentou ainda que, além do fator econômico, a tamareira também oferece vantagens ambientais. Elas fertilizam o solo, suavizam a temperatura e interrompem a progressão das zonas em processo de desertificação.

Demonstrando serenidade, atitude comum nos contadores de histórias, Sharif disse que a tamareira é uma planta bastante cultivada há milênios pelos seus frutos comestíveis. Sua área natural de distribuição é desconhecida, mas supõe-se sua origem ter surgida nos oásis do deserto  da região norte africana.

Há controvérsias, algumas pessoas, acreditam sua origem é do Sudeste da Ásia. Talvez por terem servido de alimento e abrigo aos egípcios, babilônios e assírios. Há também aqueles fervorosos nas suas crenças religiosas, que afirmam ter Moisés se servido do seu fruto na sua saga de encontrar a Terra Prometida. Aos seguidores do islamismo e sua fé a Allah, acreditam que o profeta Maomé na sua cruzada pelo deserto, teve nas tâmaras o seu principal alimento.

Mesmo depois de ter prestado ricas informações, ainda não satisfeito, Sharif resolveu enveredar-se mais uma vez no conhecimento científico, ao dizer que a planta se trata de uma espécie dioica, apresentando na sua genética, flores masculinas e femininas responsáveis pelo nascimento de palmeiras diferentes. Sendo que, só as fêmeas produzem frutos, polemizados pelo pólen fornecido pelos machos.

Continuou seu relato já em estado de exaltação. Estar ali, conversando com pessoas tão ilustres, ressaltando suas experiências, disse sem se hesitar: “Segundo informações provenientes de alguns comerciantes brasileiros e de um livro que mantenho entre os meus guardados, traduzido para o idioma árabe pela Universidade do Cairo. As primeiras plantas da tamareira foi introduzida no Brasil, há muitos anos. Porém estudos sistemáticos realizados com o sua utilização para o cultivo, revela que, o primeiro registro de sua introdução data de 1928, quando algumas fontes reprodutivas chegaram a São Paulo. Na época, alguns estudos foram realizados na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, onde foram originadas algumas variedades”. De forma instintiva, Sharif, imediatamente de posse do livro, abriu na página desejada, comprovou o seu relato.  

Depois de uma breve pausa e uma boa respirada, Sharif quis certificar-se se seus atenciosos ouvintes tinham alguma dúvida, ou se estavam satisfeitos com cada detalhe abordado. De repente começou a sorrir provocando a curiosidade de todos. Misturando palavras desconexas com o seu riso, passou a contar a história de um laociano de nome Sansunnang Vaiollang, vindo da região de Luang Prabang no Laos, justamente o local considerado pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Conta Sharif que o "laociano Sansunnang, de posse de uma foto em que, se estampava várias tamareiras de sua terra, olhou para as nossas palmeiras aqui do deserto, começou a dar gargalhadas sem explicação. Depois de muito tempo, foi que entendeu o motivo de tanta graça. Simplesmente porque as tamareiras de sua terra eram anãs. Ele brincou com a situação dizendo que as da sua região eram muito jovens, mas que um dia seriam tão grandes quanto as nossas. De repente mudou sua jeito divertido, para uma aparência demonstrando seriedade, começou a me contar como se fosse realmente um grande entendido no assunto. Disse ele, que a tamareira anã – Phoenix Rebelenni O’Brien – é uma pequena palmeira originária da sua região na Ásia. Ela é largamente cultivada como planta ornamental nos trópicos e nas regiões subtropicais e temperadas. Possui estipe de dois a quatro metros de altura e cerca de dez centímetros de diâmetro", conta.

Acrescenta: "As plantas femininas ocorrem geralmente agrupadas em grandes touceiras. Seus frutos alongados, com aproximadamente um centímetro e meio de comprimento, são numerosos e de coloração variando de vinho a preto quando maduros." Terminou sua exposição mostrando-se uma pessoa além do senso de humor à flor da pele, um grande caráter, completa Sharif.

Além das lendas e histórias de conteúdos mágicos, o atencioso beduíno, contou aos curiosos que a tamareira é considerada árvore sagrada e mágica há milhares de anos. No Egito era uma espécie sagrada, a folha símbolo do deus Heh, que representa a eternidade. Mais tarde, passou a ser símbolo de fecundidade, fertilidade e vitória.

As tâmaras também são usadas como doces ou como quitutes afrodisíacos. Os egípcios as comiam antes de fazer sexo. E ainda, tem como lenda a relacionada ao desterro da Virgem Santíssima no Egito, em que, Maria havia procurado abrigo e descanso sob a sombra de uma tamareira, a qual se inclinou para que as tâmaras ficassem ao alcance de suas mãos.

Sharif sem perder o ritmo sempre atencioso com os seus ouvintes, mestres e estudantes que deixaram sua Universidade em busca de conhecimentos fora dos padrões de ensino desenvolvido dentro do próprio Campus Universitário. Pelo que demonstravam, pareciam estar em estado de graça com suas maneira de contar sobre a palmeira e seu fruto, quando mencionou a importância dos Paleontólogos, os quais também deram sua contribuição na rica história das tâmaras.

Segundo esses pesquisadores incansáveis, uma semente com cerca de dois mil anos, foi encontrada nas escavações realizada em 1963, no deserto da Judeia. Esta preciosa descoberta foi plantada por cientistas israelenses e germinou, segundo artigo publicado na revista especializada Science. A região é a mesma da antiga fortaleza do rei Herodes, em Masada, perto do Mar Morto.

Na ocasião, os cientistas encontraram um grupo de sementes, que as mantiveram em uma sala com temperatura ambiente adequada, na intenção de estudá-las mais a fundo. O lugar era famoso por suas tâmaras com propriedades medicinais e principal produto de exportação da região hoje ocupada por Israel.

O simpático beduíno Sharif observou atentamente a todos, depois olhou para o alto e notou quão tinha passado o tempo. O sol já estava no auge de seu posicionamento no céu, foi quando teve noção de que a conversa que seria para poucos minutos, já se passara pelo menos um quarto do dia.

Embora os mestres e estudantes estivessem satisfeitos e impressionados com os requintes dos esclarecimentos, fez questão de encerrar sua fala com algo lúdico, contando que Ali Babá e os Quarenta Ladrões também se beneficiaram tanto da doçura do fruto quanto do repouso de sua sombra nas imediações da caverna encantada de Sésamo.

Agora sob os encantos de Mil e Uma Noites de imagens e conteúdo. De ter falado pra uma turma de elevados padrões culturais, aquele seria o momento ideal para colocar-se a caminho de sua jornada. Não sabia quanto tempo duraria, mas tudo bem, já havia descansado por sete sois e sete luas. Assim o dever o aconselhava cumprir sua missão e seguir adiante.

Este relato bem que poderia ter sido apresentado por um dos alunos presentes naquele dia de memorável aprendizado e, servido de subsídio para sua tese na Universidade, sobre vegetais do árido e semi-árido.

No entanto, se algum dia encontrar um beduíno com as características de Sharif procure-se aproximar dele. Se não for o próprio Sharif, não maldiga falta de sorte. Todos os povos do deserto têm lindas histórias pra contar. Verá que existe doçura no olhar e nas atitudes dos pacíficos de alma, bondade cultural da sua raça e no mel da tâmara.



Nota: Esta crônica Mel da Tâmara já esteve disponível aqui mesmo no Bússola Literária, desde 26 de setembro de 2009. Agora resolvemos dar uma repaginada e, revivê-la com várias modificações no seu texto original. Quem sabe também, seja o momento para que sirva como objeto de discussão num fórum de debates, abrangendo não só o seu conteúdo sob forma de pesquisa, mas literário e ortográfico.


Imagens exclusivas por Neli Vieira: ilustradora, artista plástica, escritora e poetisa.

Texto baseado de excertos compilados na internet.



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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Era uma vez Papai Noel


Quando presenciamos uma criança maravilhada com o brinquedo que acabara de ganhar no Natal; sua felicidade refletida na delicadeza do seu sorriso inocente, nos remete a pensamentos alegres que esta data significou para muitos de nós adultos. Todavia, em algumas ocasiões, essa noite tão esperada, tornou-se símbolo de decepção, até de nostalgia, quando imaginamos a quantidade de crianças, que sequer recebeu o seu brinquedo por mais simples que fosse. O sonho do presente vindo de muito longe, entregue pelo Papai Noel no seu trenó voador, puxado por nove renas com poderes mágicos, nem sempre acontece como deveria. Não fossem, a atitude carinhosa, manifestada no próprio lar, muitas crianças seriam marginalizadas e o seu presente não passaria de um insignificante sonho. Felizmente, há quem se preocupa e o faz acontecer.  

É nesse momento que o sentimento de generosidade familiar invade a sensibilidade humana e os filhos não são esquecidos. Permitindo sobreviver à presença do bom velhinho, mesmo de forma anônima, pelas mãos singelas e calejadas de uma mãe, de um pai ou de alguém responsável, devido à orfandade do destino. Contudo, a grandeza desse amor incondicional, mantém vivo o lirismo do imaginário infantil e a felicidade persiste, transcendendo a barreira do infortúnio para viver somente o esplendor do Natal.

Todos os dias nós nos confrontamos com desafios. Alguns desanimadores, outros indecifráveis. No entanto, entre todos, dois deles martelam na nossa consciência, fazendo-nos refletir os por quês das nossas dúvidas no momento de enfrentá-los: acreditar e superação. Para essas duas determinações, às vezes temos que sacrificar projetos considerados redentores, mudar fórmulas e nos redescobrir. Buscar a verdadeira razão para o nosso encontro com nós mesmos.

Reencontrar o nosso próprio equilíbrio não é fácil.  Obstáculos tempestivos existem, são reais e intransferíveis. Todavia, para que tudo termine bem e o oponente superado, é necessário confiar nas nossas potencialidades, na concepção dos nossos sonhos e conquistar a alegria tão desejada, sem medo de encarar outros desafios que por certo virão. Que tal, da próxima vez, alcançar a nota máxima no seu salto à distância pelo qual tanto lutou? Não importa o que as pessoas pensam e exigem, acredite, o salto é seu somente seu, então voe e conquiste esse seu universo glorioso, restaure sua fé e a sua autoconfiança.

Por exemplo: A magia do Natal precisa voltar a habitar entre as pessoas. Para que, a fé lúdica das crianças não se eterise no anacronismo que a data tenta eternizar pela sua importância memorial; não alimente a diluição do sonho de um milagre, que ao longo dos tempos vem se desgastando pelo excesso impertinente da ausência do amor, da presença de Deus na vida dos gananciosos, dos famigerados seres humanos que só enxergam o valor do dinheiro.

Esta realidade soberba, impiedosa e implacável conseguiu eliminar o encanto e a beleza do Natal, tornando as crianças céticas quanto à existência do Papai Noel. Destruiu a pureza dos sonhos de infância, quando o bom velhinho era aguardado com ansiedade por todos. Independente se a data estivesse mascarada nos rótulos das marcas comerciais e a preocupação principal etiquetada com fatores meramente econômicos, ainda assim, era Natal, era a presença lúdica de Papai Noel e a confirmação das profecias pregadas pelos profetas bíblicos da vinda do Messias, o filho unigênito de Deus.

É importante que a humanidade continue acreditando no Natal e, sobretudo, no dia do nascimento do menino Jesus, 25 de dezembro. Acreditar na estrela de Belém que guiou os Reis Magos à Jerusalém; ter a humildade para reconhecer que um modesto estábulo acolheu o Messias e uma simples manjedoura serviu de leito para o filho de Deus. Que o seu nascimento não corresponda apenas uma ilustração bíblica, mas sim, no enviado de Deus na terra, para salvar a humanidade dos seus pecados e ensinar o verdadeiro sentido do amor. E, deixar esse amor registrado como o seu principal mandamento: "Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes." (Marcos 12:30-31).

Para muitos adultos e até mesmo para muitas crianças, Papai Noel é uma utopia, é um hipócrita seletivo nas suas escolhas, no momento de dar o seu presente de Natal. Ele está mais preocupado em visitar os lares dos granfinos, acenando um adeus ao sonho e a magia que perpetuou ao longo dos tempos, para aquelas crianças que estão à margem da sociedade, desprovidas do resultado financeiro. Quem sabe em algum lugar as crianças infelizes por terem de conviver com as dificuldades diárias, encontrem o pássaro azul e com ele a felicidade?  Surpresas maravilhosas podem acontecer, precisa-se apenas acreditar.

Muitas das vezes a insatisfação gera conflitos e o egoísmo se manifesta arrogante e destruidor. Mínimas coisas são motivos de desavenças, por isto, a presença da humildade seja tão necessária. Ela é complacente e tolerante, capaz de produzir efeitos mágicos surpreendentes de bondade e compreensão. Duas virtudes pilares para a boa convivência. Não ostenta o luxo, substitui este brilho artificial, pelo vigor da sabedoria. Esta sim, é uma companhia fecunda e real solução para tantos males que teimam serem soberanos. Então o olhar terno da criança modifica a face vincada do sofrimento, pelo resplandecer da aurora e o prelúdio de uma nova vida, refeita pela boa vontade de Deus, que brota através da semente do amor.

Bússola Literária estará ao seu lado criança de todas as idades, comemorando a mensagem que a data requer; seguindo a Estrela de Belém, ao lado dos reis magos e do bom velhinho, seja ele atendendo pelo nome de Noel, Nicolau, Claus e tantos outros nomes, mas que esteja vestido de vermelho, cabelo e barba brancos, viajando pelo mundo distribuindo bondade e simpatia, no seu trenó mágico e suas renas, em inglês: Rudolph, Dasher, Dancer, Prancer, Vixen, Comet, Cupid, Donner e Blitzen. Em português: Rodolfo, Corredora, Dançarina, Empinadora, Raposa, Cometa, Cupido, Trovão e Relâmpago. Portanto Feliz Natal pra ti, e que, em 2015, continuemos juntos, distribuindo sorrisos e bons momentos de leitura.

Ah, o Bússola Literária, não poderia deixar sua noite e o seu dia de Natal, sem algo interessante para ler. Por isto, seguem-se três pequenos e belos contos, cuja autoria é desconhecida, sobre os quais não temos dúvidas, farão muito bem ao seu coração.



O Presente



Acordei nesse primeiro dia de dezembro, com vontade de comprar um presente para Jesus, afinal, não existe maior amigo que o Mestre dos Mestres, e no dia 25 o aniversário é Dele.

Saí cedo de casa e fui ao maior Shopping Center da cidade, pensei primeiramente numa camisa branca, mas quando vi que o branco mais branco da Terra, ainda era cinza perto da sua pureza, fiquei com vergonha e desisti. Em outra vitrine vi um sapato de couro, lindo e caríssimo, mas quando me lembrei dos seus pés calçados pelas sandálias da missão cumprida, achei que não existiria na Terra algo tão confortável que merecesse os seus pés.

Uma caneta foi isso que a próxima vitrine me apresentou, uma linda caneta de marca famosa. Seria um lindo presente, mas lembrei-me que Ele nunca escreveu nada, tudo que Ele falou, mostrou na prática, servindo e amando sempre.

Lembrei-me, que um dia Ele falou que não tinha sequer um travesseiro para recostar sua cabeça, então eu pensei no melhor travesseiro de plumas de uma loja especializada em sono. Era importado e muito confortável, mas lembrei-me que os justos dormiam tranquilos e que Ele jamais usaria o travesseiro.

E, assim fui olhando as vitrines, abotoaduras de ouro, malas de viagem, bebidas finas, comidas importadas, tudo supérfluo, tudo matéria que o tempo iria corroer. Confesso que saí um pouco chateado do Shopping, afinal eu saíra para comprar um presente para Você Jesus, e não havia achado nada. Na porta do Shopping, um menino muito miudinho sorriu para mim, perguntou meu nome e eu o dele. Ele riu e me estendeu a mão, tinha o rosto muito sujo, as mãos encardidas; perguntei pela sua mãe, ele deu de ombros, sobre o pai, nem sabia onde estava... perguntei se ele queria tomar um lanche, ele sorriu um sim, pegou na minha mão.

Na porta do Shopping olhou para suas roupas e olhou para mim. Sabia que não estava corretamente vestido, peguei-o no meu colo – era a senha para ser feliz –, seus olhinhos miúdos percorriam aquelas luzes, enfeites e pessoas bonitas como se fosse um filme de Walt Disney...

Na lanchonete sentou na cadeirinha giratória e sorriu como “reizinho”, e entre uma montanha de batatas fritas, ríamos felizes como dois velhos amigos.

Falamos sobre bolinha de gude, pipas e bola de futebol, coisas importantes para o ser humano, principalmente, quando somos crianças. Devoramos dois lanches e, quando perguntei se ele queria um sorvete gigante como sobremesa, seus olhos brilharam feito o sol. Pedi um instante, fui até o caixa, quando voltei com os sorvetes na mão, ele já não estava mais ali...

Por um instante, pensei que ele havia ido ao banheiro ou estaria olhando a lanchonete, mas não estava ali mesmo. Foi quando sobre a caixa de batatas vazias, vi um papelzinho, um bilhetinho escrito com letra miúda, que dizia assim: “Obrigado pelo melhor presente de aniversário que poderia me dar. Fizeste feliz um dos pequeninos do mundo!”



A maior bronca que já levei




Tínhamos uma aula de Fisiologia na escola de medicina, logo após a semana da Pátria. Como a maioria dos alunos havia viajado aproveitando o feriado prolongado, todos estavam ansiosos para contar as novidades aos colegas e a excitação era geral. Um velho professor entrou na sala e imediatamente percebeu que iria ter trabalho para conseguir silêncio. Com grande dose de paciência tentou começar a aula, mas você acha que minha turma correspondeu?

Que nada. Com certo constrangimento, o professor tornou a pedir silêncio educadamente. Não adiantou, ignoramos a solicitação e continuamos firmes na conversa. Foi aí que o velho professor perdeu a paciência e deu a maior bronca que eu já presenciei.

- Prestem atenção porque eu vou falar isso uma única vez, disse, levantando a voz e um silêncio carregado de culpa se instalou em toda a sala e o professor continuou.

- Desde que comecei a lecionar, isso já faz muitos anos, descobri que nós professores, trabalhamos apenas 5% dos alunos de uma turma. Em todos esses anos, observei que de cada cem alunos, apenas cinco são realmente, aqueles que fazem alguma diferença no futuro; apenas cinco se tornam profissionais brilhantes e contribuem de forma significativa para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Os outros 95%, servem apenas para fazer volume; são medíocres e passam pela vida sem deixar nada de útil.

- O interessante é que esta percentagem vale para todo o mundo. Se vocês prestarem atenção notarão que, de cem professores, apenas cinco são aqueles que fazem a diferença; de cem garçons, apenas cinco são excelentes; de cem motoristas de táxi, apenas cinco são verdadeiros profissionais; e podemos generalizar ainda mais: de cem pessoas, apenas cinco são verdadeiramente especiais.

- É uma pena muito grande não termos como separar estes 5% do resto, pois se isso fosse possível, eu deixaria apenas os alunos especiais nesta sala e colocaria os demais para fora, então teria o silêncio necessário para dar uma boa aula e dormiria tranquilo, sabendo ter investido nos melhores.

- Mas, infelizmente não há como saber quais de vocês são estes alunos. Só o tempo será capaz de mostrar isso. Portanto, terei de me conformar e tentar dar uma aula para os alunos especiais, apesar da confusão que estará sendo feita pelo resto.

- Claro que cada um de vocês, sempre pode escolher a qual grupo pertencerá. Obrigado pela atenção e vamos à aula de (...).

Nem preciso dizer o silêncio que ficou na sala e o nível de atenção que o professor conseguiu após aquele discurso. Aliás, a bronca tocou fundo em todos nós, que a minha turma teve um comportamento exemplar em todas as aulas de Fisiologia, durante todo o semestre. Afinal, quem gostaria de espontaneamente ser classificado como fazendo parte do resto?

Hoje não me lembro muita coisa das aulas de Fisiologia, mas a bronca do professor eu nunca mais esqueci. Para mim, aquele professor foi um dos 5% que fizeram a diferença em minha vida. De fato, percebi que ele tinha razão e, desde então, tenho feito de tudo para ficar sempre no grupo dos 5%. Mas, como ele disse, não há como saber, se estamos indo bem ou não. Só o tempo dirá a que grupo pertencemos.

Contudo, uma coisa é certa: se não tentarmos ser especiais em tudo que fazemos; se não tentarmos fazer tudo o melhor possível, seguramente, sobraremos na turma do resto.




O Presente das Rosas




Três homens, sendo um ingrato, um conformado e um generoso, foram visitados, no mesmo instante e local, por um Gênio saído da lâmpada.

Diante do inusitado um deles falou:

- Gênio, o que nos trazes?

- Rosas! – Disse o Gênio.

E, abrindo o seu manto mágico, dele retirou três lindos buquês de rosas, que os ofereceu aos visitantes, entregando um para cada. Antes de partir, olhou-os fixamente, percebendo algum desapontamento por conta da simplicidade de sua oferta, justificou-se:

- Rosas... porque elas são jóias de Deus. Deixam a vida mais rica e bela! Os homens se entreolharam surpresos e, após se despedirem, cada um seguiu o seu destino, dando finalidade diferente ao presente recebido.

O ingrato, maldizendo sua falta de sorte, por haver encontrado um Gênio e dele recebido apenas flores, jogou-as num rio próximo.

O conformado, embora entristecido pela singeleza do presente, levou-as para casa, depositando-as num jarro.

O generoso, feliz pela oportunidade que tinha em mãos, decidiu repartir seu presente com outras pessoas. Foi visto pela cidade distribuindo rosas, de ponta a ponta, com um detalhe: quanto mais rosas ofertava, mas seu buquê crescia de tamanho, beleza e perfume. Ao final, retornou para casa com uma carruagem repleta de rosas.

No dia seguinte, no mesmo local e instante, os três homens se reencontraram e, de súbito, ressurgiu o Gênio da véspera.

- Gênio, que desejas? – Disse um deles.

- Que as vossas rosas se transformem em jóias! – Disse o Gênio.

Dessa forma, o homem generoso encontrou em casa uma carruagem repleta de jóias, extraordinariamente belas, tornando-se rico comerciante.

O homem conformado, retornando imediatamente para o seu lar, encontrou, pendurado sobre o jarro, onde depositara as rosas, um lindo e valioso colar de pérolas. Resignou-se em ofertá-lo à sua esposa.

O homem ingrato, dirigindo-se ao lugar onde jogara o buquê de rosas, viu refletindo sobre as águas, um brilho intenso, próprio de jóias valiosas, que sumiram de seus olhos, quando se atirou ao rio no propósito de alcançá-las.


Nota: O Bússola Literária tem o prazer de agradecer ao site Contadora de Histórias, pela nobreza de compartilhar estes três lindos e edificantes contos, extraídos do seu arquivo. Obrigado ao seu administrador, com os nossos votos de um feliz Natal! E que, em 2015 continue publicando textos com esplêndidos exemplos de virtudes invejáveis.



A propósito, você já acessou a fan page do meu livro infantil Juju Descobrindo Outro Mundo? Não imagina o que está perdendo. Acesse: www.fecebook.com/jujudescobrindooutromundo.


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Imagens: Google


domingo, 11 de maio de 2014

A essência do amor e da luxúria


Não é difícil acreditar que algumas pessoas em algum momento relembram determinadas situações envoltas num saudosismo ardente contido no peito, capaz até de fazer o corpo tremer. Algo inexplicável, mas verdadeiro. É nessa agradável manifestação da nossa efêmera existência que algo infinitamente sublime se transpõe para o universo paralelo dos nossos pensamentos. Como se trata de lembranças é natural tornar essas recordações inconcebíveis leveza de espírito no mundo dos sonhos. Permitindo que tenhamos o desejo de trilhar ocasiões jamais envelhecidas.

Como uma fumaça dissipando de maneira suave, de repente Jorge Victor se viu no lugar onde nasceu, uma elegante e próspera cidade do sul do Brasil, pela sua importância turística e a qualidade de suas vinícolas. Passeava de maneira descompromissada por um bosque deslumbrante e envolvente. Havia flores, gramíneas, esquilos e pássaros, que contribuíam com aquele cenário encantador. As árvores com sua exuberância frondosa compunham aquela tela do mundo das fábulas, pintadas pela essência das mãos hábeis de um talentoso artista, seduzido pela destreza do seu pincel. Sim, o lugar remetia a uma pintura nos estilos realista e impressionista, arte que somente o talento de um Gustave Courbet e Claude Monet, seria capaz de descrever com perfeição, aquela magia colorida, que os seus olhos se deliciavam registrar.

Quanto mais caminhava, mais sua mente se exercitava feito a um processador cibernético, criando imagens e mais imagens de belezas contagiantes. E o seu corpo respondia incrédulo ao frescor daquela tardezinha com o sol se escondendo por detrás das nuvens brancas, semelhantes a uma bruma que lampeja a alvorada de uma nova vida.

Jorge não resistiu aquele encanto e sentou-se sob a fronde de um imponente jacarandá e continuou admirando aquele ambiente singular. Com os seus olhos inquietos como a luneta de um observador em busca de sua nova descoberta, logo avistou caminhando, uma linda e fascinante mulher, quem sabe que nem ele, apenas curtindo o visual e deixando transbordar a alegria de viver. Com passadas lentas foi se aproximando de onde se encontrava, sem ainda tê-lo visto.

Jorge Victor, pelo ímpeto do momento e com a rapidez de um falcão, fez um passeio ocular em toda sua exaltação feminina, reparando com mais atenção suas curvas bem delineadas e glamorosas. Como estava contra o sol e o seu vestido moldado num fino tecido, causava a transparência que mostrava o quanto ela era perfeita e sedutora.

Dando cordas à sua visão estonteante, pode repará-la mais detidamente e exclamou com a voz quase muda: É ela...! Não pode ser, mas é ela sim!... Tratava-se de uma paixão infantil que se fizera mulher, uma bela mulher, capaz revirar o cérebro num amontoado de recordações. Mais uma vez, balbuciou: “Como desejei esta oportunidade de estarmos próximos. Só eu e você Silvia! Apenas nós dois”.

Enquanto sussurrava a frase vinda de seus pensamentos, Silvia o olhou, como dizendo, te conheço. E sei até de onde: do Colégio Olavo Bilac. Mas preferiu manter-se muda, apenas sorriu. Diante daquele sorriso cristalino, Jorge Victor, ainda relutante, convidou-a a compartilhar com ele aquele momento só visto na fantasia de uma mente apaixonada que ainda acreditava na felicidade, no amor e, sobretudo, aproveitar cada segundo como se fossem eternos e exclusivos.

- Oi, você está linda! – disse.

- Você me conhece? – Indagou Silvia.

- Não creio, mas devo confessar, é a garota mais linda que imaginei ver.

Silvia sorriu agradecida pela boa receptividade. Ela também estava admirada com a elegância e a beleza de Jorge Victor, após uma rápida olhada por toda a dimensão da sua estrutura masculina.

Sem hesitar, Silvia sentou-se logo à sua frente cruzando as pernas feito uma praticante de yoga. O vestido leve e solto, cobria-lhe apenas parte de suas pernas. O vento na sua misteriosa cumplicidade resolveu dar sua ajudazinha. Manifestando-se de maneira carinhosa com o seu sopro suave, levantou o tecido, permitindo a Jorge Victor a oportunidade de vislumbrar suas coxas bronzeadas e lisas até próximo de sua calcinha. Silvia era uma morena, 28 anos, com aproximadamente 1,70m, corpo esguio, seios atraentes que se destacavam no generoso decote; olhos castanhos e brilhantes; cabelos também castanhos pouco acima da cintura que esvoaçavam ao sabor do vento. Pode até que seja uma artimanha das circunstância, mas o vento naquele momento mais parecia o cupido prevendo uma linda história de amor, desejos e sedução.

Permaneceram conversando até que a noite mostrasse sua majestosa delicadeza. O luar estava perfeito e as estrelas contribuíam enfeitando e iluminando aquela atmosfera de verdadeiro bem estar. Combinaram um novo encontro ainda naquela noite, num barzinho da cidade. O local não poderia ser mais prazeroso, frequentado pela juventude local, onde se podia ouvir boa música ao vivo e bebericar várias opções de bebidas.

Jorge Victor ansioso foi o primeiro a chegar. Procurou um lugar menos movimentado, mas que permitia estar atento a tudo que acontecia. Silvia chegou meia hora depois. Ao se encontrarem já havia um clima de mais intimidade o que lhes permitia compartilhar beijinhos no rosto. Sentaram-se e iniciaram agradável bate papo. Ambos optaram pela cerveja, acompanhada por uma saborosa porção de filé ao molho madeira, com torradas.

Permaneceram conversando horas incansáveis. Relembraram remotas passagens do passado, até a revelação feliz das estórias do Colégio Olavo Bilac, que surgiram pela casualidade do destino. A partir desse momento, o assunto se resumiu ao colégio, a cidade natal e a trajetória que cada um seguiu ao concluir o ginásio.

Silvia havia mudado com a família para outro estado, tornado-se médica; Jorge Victor a gosto dos pais, foi morar em Paris, onde estudou e aos 30 anos, tornou-se um competente engenheiro naval, disputado por grandes multinacionais. Não fazia uma semana que transferira para o Brasil, a convite de um magnata brasileiro, amigo da sua família, que mantinha estreita relações empresariais com influentes produtores de petróleo no Oriente Médio.

Naquela noite não aconteceu nada de extraordinário no que se refere à intimidade afetiva. Mas o próximo encontro já ficara combinado para almoçarem juntos. Jorge Victor a acompanhou até a casa de seus tios, enquanto permanecesse na cidade. Em seguida seguiu para o hotel onde estava hospedado. Para ambos o sono teimou em não aparecer, permitindo que desenhassem cenas felizes e emocionantes do casual encontro e o seu desfecho, semelhante o folhear de um álbum de recordações.

Almoçaram distribuindo simpatia, alegria, bom humor e jovialidade. Após o almoço fizeram um passeio pelos lugares que marcaram suas infâncias, incluindo é claro, o Colégio Olavo Bilac. Perguntaram a alguns moradores sobre determinados amigos e amigas da época, sem resultado. Parecia que todos resolveram partir, deixando para trás apenas memórias, nada mais.

À noite novo encontro já estava combinado e a aproximação entre os dois se tornava cada vez mais ardorosa e espontânea. Jorge Victor com o objetivo de agradar sua companheira com o que há de melhor, em sinal de agradecimento pelos belos momentos que passaram juntos e, prevendo uma noite aconchegante na companhia de Silvia, havia trocado seu apartamento nem tão nobre, pela suíte mais luxuosa do hotel. Seria ali o provável ninho de amor do casal.

E assim aconteceu. Silvia ainda que, meio tímida aceitou o convite e partiram para o que seria o momento mais feliz entre os dois, desde que se encontraram. Ao abrir a porta da suíte, via-se num local selecionado com esmero a pouca luz, uma mesa bem ornada com velas apropriadas que realçava o encantamento da ocasião; taças de cristais para ser servido um “authentique Sauvignon Blanc”, escolhido como se estivessem na frança por José Maria Ferrier  “sommelier” do hotel; prataria e porcelanas de fino bom gosto os esperavam para um jantar inesquecível.

Após o jantar, acomodaram-se numa confortável poltrona próxima à lareira, conversaram por alguns instantes e logo começaram a se entregarem ao feitiço da luxúria. Não demorou a buscarem o conforto da cama, que mais parecia um oceano de amor. Um fino lençol lilás de seda dava o tom do que viria a acontecer. Despiram-se peça por peça na sintonia de uma valsa, beijando-se e se tocando com ardor, que às vezes até atrapalhava a respiração, mas nada os impediam de viver o êxtase daquele clima que consumia a lascívia do desejo incontido.

Como dois amantes em completa entrega, seus movimentos em sincronia, descreviam a harmoniosa efervescência da paixão. Uma atração inebriante de excitação, que queimava feito lavas incandescentes percorrendo sobre seus corpos suados e extasiados de desejos e prazer. Seus hormônios em vibrantes loucuras liberavam a adrenalina contida na volúpia de um cérebro que respirava e cheirava sexo. Capaz de paralisar o tempo, para impedir que o sabor do pecado de amar e se entregar aos desejos da carne se tornassem momentos inenarráveis.

No clarear do dia, os dois acordaram movimentando-se com gestos preguiçosos. Antes do café da manhã que seria servido na própria suíte, resolveram que o melhor a fazer naquele momento seria um excelente banho morno na banheira de hidromassagem que os esperava. Como estavam entregues ao prazer, não demorou a reiniciarem a sessão de libidinagem. E assim, nesse clima de prazer, amor e sexo, Jorge Victor e Silvia tiveram uma manhã envolta na paixão sem limites.

No dia seguinte ambos se separariam, seguindo cada um o seu caminho em atenção às necessidades imperiosas da profissão. Evidente que a internet haveria de contribuir para que não esfriasse o desejo de se amarem revivendo as loucuras do prazer.

Nota: Este Conto foi criado por Dilson Paiva, em 10 de maio de 2014.


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