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domingo, 4 de maio de 2014

Quais são os dez livros que mais marcaram sua vida?



Fatos curiosos e consideráveis também acontecem nas redes sociais. É claro que, a quantidade de assuntos fúteis, desnecessários, fofocas, autopromoção de beleza estética, inconveniência e indiscrição, também se fazem presentes. Há também aqueles céticos que não acreditam que o homem já chegou à lua, também pudera, como lunáticos, só podem estar no mundo da lua! Essas pessoas podem até achar que estou exagerando, mas não é difícil conferir os fatos, só um cego não veria estas incoerências. Mas vamos ao que nos interessa no momento: literatura.

O Facebook – entre as redes sociais –, pode-se afirmar ser um excelente meio de comunicação com destaque cultural, bem utilizado, é claro. Vou citar algumas páginas em que os seus administradores interagem de forma harmoniosa; preocupam transmitir bons conteúdos, promover saborosas discussões, enquetes e proveitosas indicações de bons livros entre os seus aliados.

São páginas dirigidas aos aficionados pela boa leitura. Onde os seus integrantes se interagem de forma inteligente propondo e apresentando sugestões, independente de qual seja, a escola ou tendência literária com valiosos resultados. Ao citá-las posso estar me esquecendo de algumas que também são dignas de reconhecimento pelo seu prestígio de informar com equilíbrio e compromissadas de promover a leveza de uma saudável leitura. Aos editores dessas páginas não mencionadas, que me perdoem pelo branco mental.

Eis algumas páginas que sigo no Facebook, que as considero bons exemplos de empáticas e proveitosa propostas de convivência literária: Grupo de Leitura – O vendedor de livros; Memei Correa – A vida em poesia; LP-Books Editora - Seleta Cultural Brasil Portugal; Biblioteca do Kaká; Macarani/BA; Baú do professor; Skoob – Estante virtual; Orvalho d’Alma, Núpcias d’Alma; e Sussurro poético. Todas estas páginas merecem ser respeitadas pela agradável interação entre os seus discípulos, sem apelar pela mediocridade e a ressurreição da ignorância literária.

Esta enquete bem credenciada que encontrei na internet: "Quais são os dez livros que mais marcaram sua vida?" é de autoria do nosso amigo no face, Danilo Venticinque, Editor de livros de ÉPOCA, na qual, mantém às terças-feiras na sua coluna, enfoques de análise e crítica sobre leitura, literatura e o mercado editorial. Somente ampliei sua publicação original, sem, contudo, desestruturar seu excelente trabalho. Foi apenas um impulso, no sentido de expandir as informações sobre as obras autorais evidenciadas de cada escritor da pesquisa. Mais um detalhe: esta publicação está autorizada pelo autor.


Quais são os dez livros que mais marcaram sua vida?

Doze autores aderem à corrente que começou no Facebook e revelam seus dez livros favoritos



Até as correntes na internet podem ser úteis de vez em quando. Nas últimas semanas (janeiro/14), em vez de histórias de fantasmas, lendas urbanas e notícias falsas, minha linha do tempo no Facebook foi inundada por uma bem-vinda série de mensagens virais. Um amigo publicava sua lista de dez livros favoritos e convidava outros dez a fazer o mesmo. Esses dez convidavam outros dez e, de repente, a rede social havia se transformado numa animada mesa de bar para discussões literárias. Por que esse Philip Roth e não aquele? Por que Brás Cubas e não Dom Casmurro, ou mesmo Quincas Borba? Por que só romances? Por que nenhuma mulher? Logo todos chegavam à conclusão de que todas as listas são imperfeitas, mas nem por isso menos divertidas.

Os mais mal-humorados certamente não entrarão na brincadeira. Dirão que dez livros é muito pouco para abarcar toda sua paixão pela leitura e que esse tipo de lista é tão inútil quanto qualquer outra coisa publicada no Facebook. É um exagero. Ninguém resolverá grandes questões da literatura universal com meia dúzia de likes e comentários, mas as listas têm seu valor. Servem não só para que troquemos indicações de leitura, mas também para nos conhecermos melhor. Dez livros são o bastante para que esbocemos um perfil do autor da lista – não só de suas preferências literárias, mas também de sua personalidade. É um retrato superficial, claro. Mas o que não é superficial no Facebook?

Tão interessante quanto saber o que nossos amigos lêem, é descobrir os livros de cabeceira de escritores de sucesso. Além de especular sobre suas preferências literárias e personalidade, podemos usar a lista como ponto de partida para tentar desvendar as principais influências de suas obras e as raízes de seu estilo.

Convidei doze autores de diferentes gêneros e idades para participar da brincadeira. Suas listas são interessantes tanto para fãs que querem conhecer melhor seus autores favoritos quanto para leitores curiosos em busca de boas indicações de leitura.



Joan Pablo Villalobos, autor de Festa no Covil: é o seu primeiro romance, mas poderia ser o décimo. A voz que conta a história é o jovem Tochtli, que quer ganhar um hipopótamo anão da Libéria, tem uma coleção de chapéus e sabe muitas palavras difíceis. Com um desejo tão surreal, o livro poderia ser uma história sobre as fantasias de uma criança – e não deixa de ser, mas não é apenas isso. Afinal, Tochtli pode conseguir os hipopótamos anões da Libéria para seu pequeno zoológico que fica no quintão de seu “palácio”, uma casa grande no meio do “nada” no México.

Tochtli pode ter quase tudo que quer, inclusive hipopótamos anões da Libéria. Seu pai é um poderoso traficante mexicano e vive confinado com o filho em seu palácio, na companhia de poucos integrantes de seu bando. Pelos olhos inocentes do observador e inteligente Tochtli, nós temos uma visão diferente da vida de um poderoso traficante.

A história me passou a mesma sensação que tive ao ler “O Menino do Pijama Listrado” – embora sejam completamente diferentes entre si. A sensação comum que as duas histórias me passaram é que são duas crianças inocentes, alheias ao papel dos seus pais no mundo que vivem (no caso de Bruno, um oficial nazista; já Tochtli tem um pai que é um traficante). A inocência que Tochtli encara o mundo é surpreendente, ao mesmo tempo que a morte é algo comum para ele, faz parte do seu cotidiano. Ele tem uma maneira muito peculiar ao falar de certos assuntos, mas ainda assim é velado, você sente a proteção que o pai tem com ele para que descubra as coisas na hora certa – especialmente em relação às notícias na TV. Acho que foi isso que me lembrou muito “O Menino do Pijama Listrado”, pois os pais de Bruno e Tochtli são pais, apesar de tudo. Até quem consideramos menos humanos possuem um lado humano.      Por Iris Figueiredo.

1. Dom Quixote, de Miguel de Cervantes
2. Cândido ou o otimismo, de Voltaire
3. Jacques o fatalista, de Diderot
4. Tristram Shandy, de Laurence Sterne
5. Ferdydurke, de Witold Gombrowicz
6. El uruguayo, de Copi
7. A lua vem da Ásia, de Campos de Carvalho
8. Nadie encendía las lámparas, de Felisberto Hernández
9. Una violeta de más, de Francisco Tario
10. Ese modo que colma, de Daniel Sada



Raphael Montes, autor de Suicidas: Nasceu em 1990, no Rio de Janeiro. Advogado e escritor, publicou contos em diversas antologias de mistérios, inclusive na revista Playboy e na prestigiada revista americana Ellery Queen Mystery Magazine. Suicidas é o primeiro romance do autor, nascido de um projeto de mesclar subgêneros clássicos do policial em uma roupagem moderna. Amante e pesquisador do tema, Raphael é dono de uma biblioteca com mais de 5.000 livros do gênero e autor de variados estudos, tendo uma coluna semanal sobre literatura policial no Jornal do Brasil.

Sua pouca idade e a escrita tensa e instigante chamaram a atenção do mercado literário brasileiro: Suicidas (Ed. Benvirá) foi finalista do Prêmio Benvirá de Literatura 2010, do Prêmio Machado de Assis 2012 da Biblioteca Nacional e do prestigiado Prêmio São Paulo de Literatura 2103.

Sucesso de crítica e bem recebido pelos leitores, o autor foi recentemente convidado a publicar em inglês, em antologia policial organizada por Clifford Landers, ao lado de nomes como Rubem Fonseca, Lygia Fagundes Telles e Patrícia Melo. Além disso, realiza trabalhos como copidesque, ministra palestras sobre o processo criativo e escreve o projeto de uma série policial para TV. Dias Perfeitos, sua próxima obra policial, foi publicada pela Ed. Companhia das Letras em março deste ano.   Por Walcir Carrasco, escritor e novelista.

1. O caso dos 10 negrinhos, de Agatha Christie
2. O talentoso Ripley, de Patricia Highsmith
3. Se um viajante numa noite de inverno, de Italo Calvino
4. Paciente 67, de Dennis Lehane
5. Um estudo em vermelho, de Arthur Conan Doyle
6. Dom Casmurro, de Machado de Assis
7. Elogio da mentira, de Patricia Melo
8. Clube da luta, de Chuck Palahniuk
9. Um assassino entre nós, de Ruth Rendell
10. Traduzindo Hannah, de Ronaldo Wrobel

Vanessa Barbara, autora de Noites de Alface: É jornalista, tradutora e escritora. Depois de um livro-reportagem (O Livro Amarelo do Terminal), um romance em co-autoria (O Verão do Chibo, com Emilio Fraia), um infantil (Endrigo, O Escavador de Umbigos) e uma graphic-novel (A Máquina de Goldberg, com Fido Nesti), Vanessa lança o seu primeiro romance em parceria consigo mesma, como ela diz.

Noites de Alface estreou antes de virar romance. Suas páginas iniciais foram publicadas na coletânea dos melhores jovens autores brasileiros da revista Granta, que saiu pela editora Alfaguarra no ano passado, criando expectativa entre os leitores sobre o que viria a seguir. “Todo mundo esperava um romance mais introspectivo e triste, a julgar pelo capítulo inicial”, suspeita a autora. Mas, a julgar pela forte presença do humor que ajuda a diluir o peso do drama central do livro, sairão melhor contemplados aqueles que esperarem de Noites de Alface a ironia afiada e o destaque às sutilezas cotidianas, típicos dos textos da autora.

O epicentro da história é o drama da perda, a partir do qual se desdobram outros temas, como a percepção do outro, a individualidade no contexto da vida comum e a imprevisibilidade da morte, que chega justamente quando ninguém está preparado – na casa de Otto, as roupas ainda pingavam no varal. 

A personalidade de Otto, o personagem principal do livro, vai se mostrando conforme ele interage com uma numerosa vizinhança que se compadece dia a dia pela morte da esposa. Os personagens, quase todos amalucados ou dotados de alguma peculiaridade – como um jovem obcecado por bulas de remédio ou uma senhora adepta do sincretismo religioso – ajudam Otto a lidar com a perda e reencontrar sua individualidade confundida na vida a dois.

Vanessa constrói com habilidade as contradições dos personagens para demonstrar a natureza volúvel do ser humano. Ao mesmo tempo em que se mostra ranzinza e indisposto a lidar com os outros, o personagem Otto é extremamente doce, o que fica visível em trechos como este: “Ada amava o quintal. Quando estava com ela, Otto amava também; sozinho, detestava igualmente as tulipas e os vizinhos.”     Por Renata Penzani

1. Tristram Shandy, de Lawrence Sterne
2. Madame Bovary, de Gustave Flaubert
3. Bouvard e Pécuchet, de Gustave Flaubert
4. O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald
5. Moby Dick, de Herman Melville
6. A consciência de Zeno, de Italo Svevo
7. Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll
8. Histórias de Cronópios e de Famas, de Julio Cortázar
9. O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien
10. Hamlet, de William Shakespeare



Carolina Munhóz, autora de Feérica: É jornalista, romancista, integrante do Potterish, um dos maiores sites de Harry Potter do mundo e do Rapadura, Cast do site Cinema com Rapadura. Carol lançou o livro chamado ''A Fada'' e é também autora de Feérica. Carolina Munhóz lança seu mais novo livro, o Feérica. Mais uma ótima e diferente visão do seu já consolidado universo de fadas. Carolina Munhóz lança seu mais novo livro, o Feérica. Mais uma ótima e diferente visão do seu já consolidado universo de fadas.

Violet sempre foi uma fada diferente, a começar pelos cabelos roxos e por ser dona de uma disposição suficiente para realizar seu maior sonho: ser famosa. Ao se transportar para Hollywood, de repente, tudo o que desejou passa a ser real. Festas badaladas, encontros amorosos com jovens milionários, dinheiro e fama passam a fazer parte do cotidiano de Violet Lashian. 

Mas, sem contatos, sem amigos por perto e diante de uma nova cultura, será que ela será capaz de manter a pureza de sua raça mágica em um mundo corrompido pelo deslumbre material? A partir daí, ao perceber que se tornar uma estrela na Terra é tão difícil como se destacar em Ablach, El tem que aprender lidar com o pior da sociedade humana. Será que ela vai conseguir?

Ainda não sabemos, mas estamos ansiosos para descobrir o que acontece em Feérica, o novo livro da escritora Carolina Munhóz, da Fantasy – Casa da Palavra, que está em pré-venda e já disponível em todo país a partir de julho de 2013. Quem curtiu os últimos livros da autora, A Fada e O Inverno das Fadas, certamente vai se encantar por Feérica.   Por Lívia Lopes

1. Harry Potter, de J.K. Rowling
2. Brida, de Paulo Coelho
3. As brumas de Avalon, de Marrion Zimmer Bradley
4. Dragões de éter, de Raphael Draccon
5. Anjos e demônios, de Dan Brown
6. Eragon, de Christopher Paolini
7. Jogos vorazes, de Suzanne Collins
8. Os homens que não amavam as mulheres, de Stieg Larsson
9. Fortaleza digital, de Dan Brown
10. A culpa é das estrelas, de John Green


Raphael Draccon, autor de Dragões de Éter: É roteirista profissional e autor de literatura fantástica contemporânea, ficção de horror e romances sobrenaturais. É o autor mais jovem a assinar com os braços nacionais deduas das maiores holdings editoriais do mundo, e roteirista premiado pela American Screenwriter Association. Um dos autores ignorados por Frankfurt, motivo que fez Paulo Coelho desistir de ir à feira. Raphael Draccon de “Dragões de Éter” faz sucesso no México. Em cinco meses, sua trilogia ocupou o quarto lugar nos mais vendidos da Sanborns, a maiaor rede de livrarias daquele país. 

Ao lado de André Vianco e Eduardo Spohr, Raphael Draccon completa a tríade de autores brasileiros de ficção especulativa, mais bem-sucedidos dos últimos tempos. Enquanto o primeiro ficou notório pela autopublicação de “Os Sete”, vendendo-o diretamente às livrarias no ano de 2000, e o segundo utilizando as redes sociais e a força do “podcast” do Jovem Nerd, Raphael aqui utilizou-se do caminho convencional, sendo publicado inicialmente por uma grande editora como a Planeta e posteriormente pela gigante portuguesa Leya, a mesma casa do adorado George Martin aqui no Brasil, com o seu “Guerra dos Tronos”.   Por Pablo Grilo

1. Capitães da areia, de Jorge Amado
2. O rei do inverno, de Bernard Cornwell
3. O iluminado, de Stephen King
4. Robin Hood, autor desconhecido
5. Conan, de Robert Howard
6. O Senhor dos anéis, de J R.R. Tolkien
7. As crônicas de gelo e fogo, de Geo’rge R.R. Martin
8. Musashi, de Eiji Yoshikawa
9. Sandman, de Neil Gaiman
10. A menina que roubava livros, de Mark Zusak

Thalita Rebouças, autora de Era uma vez minha primeira vez: Antes de superar fronteiras, a obra da escritora chegará aos cinemas brasileiros. A autora fechou contrato com três produtoras cinematográficas diferentes para transformar em filmes Ela disse, ele disse, Uma fada veio me visitar e Tudo por um namorado. “Já negociei os direitos, só está faltando mesmo assinar o contrato de Tudo por um namorado, mas está praticamente tudo certo. São três livros meus que estão sendo adaptados para a telona, acho que em 2012 já devem estar pipocando, eu espero”, adianta.

Antes de ser conhecida, Thalita distribuía pirulitos em livrarias e anunciava seus livros em altos brados nas feiras literárias. O sucesso não mudou o seu estilo peculiar de divulgar seu trabalho. Durante a noite, distribuiu brigadeiros para as leitoras, em uma simpática caixinha com a inscrição “Ler comendo brigadeiro é legal”, e “botons” da campanha “Ler é bacana”. “É uma resposta ao ‘ler é chato’, que eu tanto ouvi no começo da minha carreira há 11 anos. Ler não é chato, é muito legal. Já distribuí mais de 20 mil “botons” ao longo desses anos todos, e muita gente boa já aderiu essa campanha. O Veríssimo, Zuenir Ventura, João Ubaldo, Guti Rocha, Ziraldo. Fico muito feliz por ver os “botons” nas mochilas das alunas das escolas por onde passo. É lindo, é fofo”, comemora.

Antes da criação literária, Thalita Rebouças passou pela faculdade de Direito durante dois anos. Depois, resolveu cursar jornalismo e trabalhou em várias redações e assessorias de imprensa no Rio de Janeiro, no Guarujá e em Nova York. Hoje, ela acredita que em time que está ganhando não se mexe e persiste na temática adolescente – sempre tratada com muito bom humor. “Fico muito à vontade para escrever sobre o universo feminino. Eu não vou escrever livros de vampiro e não vou escrever um livro de bruxa. Crepúsculo eu comecei a ler, mas eu não amo vampiro e não terminei. Mas bato palmas para a Sthephanie Meyer, por ter feito tanta gente ler. Harry Potter eu li o primeiro, gostei muito, mas também não me interesso por bruxos e não quis ler o resto da série”, conta.

Em Era Uma Vez Minha Primeira Vez, ela conta a história de seis amigas inseparáveis, todas entre 15 e 19 anos, que enfrentam juntas o antes, durante e depois de um dos momentos mais importantes de sua vida: a primeira relação sexual. Mas não espere um manual com dicas sobre sexo, virgindade, gravidez e afins. “Não é um livro que a pessoa vai ligar para o namorado e falar: ‘estou pronta, vamos hoje’. Pelo contrário, é um livro que faz a menina pensar. É um livro que vai fazer companhia às meninas que estão pensando nisso ou ainda vão passar pela situação. O livro trata das emoções, do antes e depois, o sexo em si passa batido”, pondera, sem querer usar tom professoral. “Não quero ser uma tia chata. Sou uma tia legal”, conta Thalita, que se tornou ídolo das adolescentes e lança ‘Era uma vez minha primeira vez’, sua 12ª obra, e tem três títulos sendo adaptados para o cinema       
Por Leo Pinheiro

1. Ensaio sobre cegueira, de José Saramago
2. Travessuras da menina má, de Mario Vargas Llosa
3. O grande mentecapto, de Fernando Sabino
4. Comédias da vida privada, de Luis Fernando Verissimo
5. Navegação de cabotagem, de Jorge Amado
6. O menino do pijama listrado, de John Boyne
7. A hora da estrela, de Clarice Lispector
8. Feliz ano velho, de Marcelo Rubens Paiva
9. Um brasileiro em Berlim, de João Ubaldo Ribeiro
10. A invenção de Morel, de Adolfo Bioy Casares
  

Fabrício Carpinejar, autor de Ai meu Deus, Ai meu Jesus, como diz o subtítulo, é um maravilhoso livro escrito por Fabrício Carpinejar que fala sobre amor e sexo. Em suas deliciosas crônicas o autor entra na alma do leitor, em especial na alma das leitoras. Trata sobre sexo e casamento, encontro e sentimentos ardentes dos amantes apaixonados, a dor de um amor não correspondido, o desejo que as mulheres têm em ser desejadas e mais outras gostosuras. Revela-se, colocando a sua essência no livro e acaba fazendo com que quem leia se encontre em suas palavras. Vale à pena se lambuzar!    Por Bárbara Barros

1. Poemas para combater a calvície, Nicanor Parra
2. Dom Quixote, de Miguel de Cervantes
3. Ofício de Viver, de Cesare Pavese
4. Alguma Poesia, de Drummond
5. Paradiso, de Lezama Lima
6. Werther, de Goethe
7. O conde e o passarinho, de Rubem Braga
8. A Paixão segundo G.H., de Clarice Lispector
9. Cão sem plumas, de João Cabral
10. Álvaro de Campos, de Fernando Pessoa

 
Ricardo Lísias, autor de Divórcio: Categorizado como "autoficção", este novo romance de Ricardo Lísias conta como o autor conheceu de fato a jornalista com quem estava casado havia quatro meses. Para encurtar a história trás assim, sua história: Um escritor encontra em casa o diário de sua mulher, onde ela revela o que de verdade o que de verdade pensa dele: um homem que não viveu, inexperiente, desinteressante, entediante, nada apaixonante, sem graça. "Patético", "autista", "esquisito" e "apenas um menino bobo", são alguns dos adjetivos que ela usa para defini-lo.
Ao mesmo tempo, vê o contraste do que ela pensa de si mesma: bela, sedutora, bem-sucedida, bem vestida, bem educada, experiente, viajada, desejada. "Sou a melhor jornalista de cultura do Brasil", ela repete, em diversos trechos do diário.
O casamento acaba ali, e ele tem de lidar com a vontade de morrer, de sumir, de se recompor. Se fosse uma obra de ficção, essa seria uma grande ideia para um romance. Não sendo, é uma tragédia pessoal para os dois envolvidos. Ele foi atropelado pelo desprezo que não desconfiava que a mulher tinha dele. Ela foi exposta a ponto de ver trechos inteiros do seu diário, com seus pensamentos mais íntimos e pessoais, as verdades que ela não tem coragem "de contar nem para o terapeuta", transpostos para o livro. .Por iG São Paulo  
1. Dom Quixote, de Miguel de Cervantes  
2. Quincas Borba, de Machado de Assis
3. Ulysses, de James Joyce
4.
Rumo ao farol, de Virginia Woolf

5. Noturno do Chile, de Roberto Bolaño
6. A vida modo de usar, de George Perec
7. As benevolentes, de J. Littell
8. Grande Sertão: veredas, de João Guimarães Rosa
9.
Carta ao pai, de Franz Kafka

10. Molloy, de Samuel Beckett


 
Luisa Geisler, autora de Quiçá. A estreia no romance com “Quiçá”, que recebeu o Prêmio Sesc de Literatura, vem após Luisa Geisler ter ganhado, por “Contos de mentira”, o mesmo prêmio na categoria contos em 2010. Paralelamente, tornou-se a mais jovem integrante do grupo de autores a participar da edição brasileira da revista literária “Granta”. Conquistas que, por si só, levam editoras, críticos e novos leitores a examinar com mais atenção a prosa dessa escritora gaúcha de 21 anos.

Luisa é uma escritora ambiciosa, no bom sentido da palavra, e não se contenta em escrever de forma linear, nem por saídas fáceis. Opta por investigar um período conturbado da formação do sujeito, a adolescência, com todas suas contradições, suas elipses, seus mal-entendidos. Para contar esta história do ponto de vista de Clarissa, com 11 anos, e de seu primo Arthur, a autora constrói uma estrutura que intercala capítulos sobre as descobertas e os embates entre os primos, com passagens curtas e tão variadas quanto um apedrejamento de uma mulher por adultério, uma citação de José Saramago ou a mera sentença solta na página: “Precisa-se de chapista.” Outros pedaços de histórias, reflexões, cenas descritivas, fragmentos esparsos que não almejam formar um conjunto a não ser o do próprio movimento perpétuo do mundo.      Por Giovanna Dealtry 

1. 
Eles eram muitos cavalos, de Luiz Ruffato
2. Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
3. Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa
4. O deus das pequenas coisas, de Arundhati Roy
5. O guia do mochileiro das galáxias, de Douglas Adams
6. Clases de literatura, de Julio Cortázar
7. Os sofrimentos do jovem Werther, de Goethe
8. As boas mulheres da China, de Xue Xinran
9. A farewell to arms, de Ernest Hemingway  
10. Clube da luta, de Chuck Palahniuk

 
André Vianco, autor de A Noite Maldita.  A obra marca a volta do autor à mitologia dos vampiros, tema que o consagrou em livros como Os Sete e Sétimo.

A história de A Noite Maldita é ambientada trinta anos antes dos acontecimentos relatados na saga Vampiro Rei (Bento, Cantarzo e Bruxa Tereza) e conta as origens da epidemia que adormecia as pessoas e as transformava em vampiros, além de mostrar as primeiras mobilizações de resistências nas cidades brasileiras. A narrativa segue os passos de Graziano, um sargento da policia militar que sai em busca de sua irmã e seus sobrinhos, ao mesmo tempo em que tenta cumprir seu dever profissional de proteger a sociedade.

De acordo com a editora Novo Século, o livro está disponível nas lojas desde a primeira semana de abril de 2013.      Por Thiago Romariz

 1. A dança da morte, de Stephen King
2. Os miseráveis, de Victor Hugo
3. Não verás país nenhum, de Ignácio de Loyola Brandão
4. Marcelo marmelo martelo, de Ruth Rocha
5. Musashi, de Eiji Yoshikawa
6. Páginas de sombra, antologia de Bráulio Tavares.
7. Contato, de Carl Sagan
8. O diário da sibila rubra, de Kizzy Isatis
9. Operação cavalo de Tróia, de J. J. Benitez
10. A fera na selva, de Henry James

 
Leticia Wierzchowski, autora de Sal. É uma obra de literatura escrita para um dia de primavera, uma manhã silenciosa e com as reminiscências do frio de inverno. É uma leitura claramente inspiradora (especialmente para aqueles que sonham um dia escrever seu próprio romance), mas que precisa ser degustada com parcimônia e tempo. A narrativa é fluida, mas poética e floreada, portanto o leitor deve reservar um momento seguro e de exclusividade para se perder nas palavras que compõe a história.

Desde o início da leitura há aquela sensação inquietante de que precisamos estar atentos a cada palavra , pois elas guardam um segredo, o prenúncio de que acontecimentos impactantes estão por vir. Seja para o melhor ou para o pior. A autora faz uso livre de simbologia e metáforas que ajudam a criar a qualidade imaginativa e quase alegórica do romance. Fãs de literatura terão muitas razões para encontrar em “Sal” uma leitura extraordinariamente prazerosa. A autora dá vida às suas personagens através de cores que carregam suas personalidades e as escolhas que modificaram as vidas de todos os membros de uma família. A marca de uma grande história (bem contada) está no fato de que ao terminar a leitura senti que aquelas pessoas viviam agora em mim. Para mim, o fato de Flora, uma das vozes narradoras da obra, ser uma leitora convicta e escritora apaixonada, foi um verdadeiro conforto e eu me senti em meu próprio elemento.     
Por Marina Moura

1. 
Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar
2. Rumo ao Farol, de Virgínia Woolf
3. Lolita, de Nabokov
4. Jovens de um novo tempo, despertai!, de Kenzaburo Oe
5. O barão nas árvores, de Ítalo Calvino
6. O mar, de John Banville    
7. A marca humana, de Philip Roth  
8. O destino de um homem, de W. Somerset Maugham
9. O bom soldado, de Ford Madox Ford
10.  Cem anos de solidão, de Gabriel Garcia Marquez

 
Eduardo Spohr, autor Filhos do Éden: Diferentemente de seu primeiro livro, onde o foco era sobre o universo e, principalmente, sobre um evento específico – o seu fim, a trama de “Filhos do Éden” trata quase que exclusivamente dos personagens, e considera a guerra celeste como pano de fundo para explorar a característica de cada casta angélica, bem como as motivações individuais deste grupo de protagonistas. Apesar de haver certa urgência nos acontecimentos que permeiam a missão de Kaira, nada é tão importante quanto à revelação de seu passado, algo extremamente ínfimo, dada as dimensões da guerra, mas de extrema importância se olharmos para a trama atual.
O foco mais intimista do romance é uma escolha pertinente, da maneira que diante dela o monomito (Campbell, 1949) pode ser melhor explorado, criando um elo mais forte de identificação e sedução entre o leitor e a obra; embora o autor tenha utilizado tal estratégia de maneira um tanto óbvia, obedecendo quase que religiosamente a “cartilha” sem qualquer indício de incursões arriscadas. Certamente em “A Batalha do Apocalipse”, Spohr usou seu talento na forma mais purista, conquistando seu público quase que unicamente por sua inventividade, o que não desmerece completamente seu segundo trabalho, mas realmente demonstra uma escolha mais segura.
Talvez o maior mérito de Spohr seja sua capacidade de criar conceitos inteligentes, sendo eles originais ou reaproveitados de mitologias humanas – como quando discorre sobre vértices, vórtices, tecido da realidade e os diferentes céus. Sua narrativa, entretanto, ainda carece de brilho, e esboçam algumas decisões equivocadas ao intercalar de forma confusa, diversos acontecimentos em uma suposta teia de eventos que compartilham relações de causa e consequência. A concepção desses conceitos juntamente à sua habilidade descritiva extremamente incisiva faz de Spohr um magnífico escritor de livros de RPG, mas um não tão brilhante autor de romances de fantasia.         Por Revista Ambrósia
1. 1984, de George Orwell
2. Shogun, a gloriosa saga do Japão, de James Clavell
3. Pilares da Terra, de Ken Follet
4. Lúcio Flávio, passageiro da agonia, de José Louzeiro
5. Entrevista com o vampiro, de Anne Rice
6. O iluminado, de Stephen King
7. O rei do inverno, de Bernard Cornwell
8. Conan, o cimério, de Robert E. Howard
9. O exorcista, de William Peter Blatty
10. O apanhador no campo de centeio
, de J. D. Salinger


A propósito, você já acessou a fan page do meu livro infantil Juju Descobrindo Outro Mundo? Não imagina o que está perdendo. Acesse: www.fecebook.com/jujudescobrindooutromundo.

E o site da Juju Descobrindo Outro Mundo, já o acessou? Se eu fosse você iria conferir imediatamente. Acesse: www.admiraveljuju.com.br 


Imagens: Google

domingo, 1 de setembro de 2013

O Véu

 
O Véu é um conto curioso, elegante e sintomático. Escrito a quatro mãos (palavras dos autores) pelos escritores A.M.Narciso e L.Midas. O seu conteúdo é limpo, com ausência de linguagem tosca, vulgar; de palavras obscenas e levianas, muito comuns em textos desse gênero. O foco da ideia é ilustrar o que estamos acostumados a praticar (uns mais, outros menos) através da internet, por meio dos sites de relacionamentos, o envolvimento virtual, deparando com suas encruzilhadas e seu destino. Por outro lado, sem me preocupar com as questões, ética e moral, advindas dos sites de relacionamentos, continuo acreditando que os direitos são individuais.

Numa análise superficial, pode-se notar que em determinado momento, uma pessoa carente, pode se entregar de corpo e alma ao virtual, na expectativa de que está fazendo uma grande conquista, uma grande descoberta, ou revelação. Não diria pura ilusão. Mas quem de nós não a tem. E muitas vezes até admitimos tal irracionalidade, porém, mesmo envergonhados seguimos em frente, imaginando, o tanto que somos bons em iludir e ser iludidos.

Como o próprio L.Midas ressalta, o conto “O Véu” é um fanfic concebido           por A.M.Narciso e inspirado no livro “Redes Sensuais”, com adaptação e revisão de ambos. O livro é a estrutura deste conto, que na sua proposta concebida e essência, é bem envolvente. Redes Sensuais, pra se ter uma noção da sua aceitação diante do leitor, segundo L.Midas, o seu autor, disse que o livro, já está na sua segunda edição, pela Geração Editorial. Prova consistente de que se trata de um excelente exemplar de leitura e entretenimento. Recomendo sua leitura, bem como a leitura deste conto, com prazer.

O Véu
Por: A. M. Narciso & LMidas

 
“Quando o elemento de insatisfação adentra em si o natural é buscar preenchê-lo, seja o tempo, o sentimento ou o contato. Os interesses que se sobrepõem acima de todas as circunstâncias, são verdadeiros véus”. Miriam fecha o livro “O Véu de Vênus” não sem antes pensar se o que estaria para acontecer não a transformava em uma das personagens desta que era sua obra predileta.

Levanta-se da sua aconchegante poltrona e faz um check-list mental. Constata que ainda tem tempo e abre o laptop. Spam, email da sua irmã reclamando da vida. Abre o Facebook. Conforme noticiou na grande rede social, estava na Europa participando de um Congresso de Artes. “Sim, será uma breve temporada que promete muitas aventuras.” A mais importante delas, minuciosamente planejada, o encontro com uma paquera do Facebook. Um homem, brasileiro, super sensual que a conquistou no primeiro “Ibox”.

Ele devia saber que ela estava pelas terras medievais (afinal, estava “anunciado” no Facebook para quem quisesse ver) mas a Europa é grande. Ele, da última vez, perguntou se poderiam se encontrar, mas ela explicou que a agenda seria muito movimentada com diversas exposições e palestras. E que, como curadora de Arte, não poderia faltar: Afinal, haviam pago a passagem e hotel de primeira classe exatamente pela sua presença.

O que ele não sabia é que Miriam adorava o elemento-surpresa: no dia anterior havia feito um check-in no aclamado hotel londrino, visto de perto o Big Bem, passeado no London Eye. Caminhadas que lhe inspiraram lembranças. Como se dantes já conhecesse aquela paisagem de forma tão nítida. Como se já tivesse esperado antes por um amante desconhecido.

Era tudo fácil. Afinal, há muito sabia, através dos emails trocados quando o Facebook não dava vazão aos sentimentos devido ao fuso horário, a assinatura com contatos profissionais: Carlos E. Souza, “Chief information Officer, British Telecon”, telefone +44 32 4567689. Horas antes, teclara este número e do outro lado uma voz masculina, adentrara por seus ouvidos, e de imediato sentiu um arrepio na espinha e na barriga como o primeiro beijo de adolescente.

Procurou ser curta, ele queria muitas explicações, mas se desculpou dizendo que não podia no momento, Ela sabia que abriria o espaço na agenda custe o que custasse. Horário, data e local acertados na verdade ela confere o relógio: faltam cinco minutos. Fecha o laptop. O virtual é um mundo paralelo, uma realidade paralela, uma inexistência real, uma simulação, um simulacro talvez, um sonho... É a conta de conferir os últimos detalhes e o telefone do quarto toca avisando da chegada do visitante.

Carlos se depara com a porta do quarto, toca a campainha e ouve uma voz feminina pedindo que entrasse, trancasse a porta e se acomodasse no divã da sala do apart. Adentra e depara-se com luzes apagadas, velas acesas por todos os lados. O coração bate acelerado. Ainda tenta se acostumar com a penumbra do quarto. Vislumbra em cima do mezanino o livro “O Véu de Vênus” de Anita Iset que foi “a causa” do contato inicial no Facebook.

Não consegue visualizar a presença de sua conquista virtual quando vê ao longe uma sombra saindo de um canto da suíte com um hobby vermelho transparente. Sua visão parece embaçada pelas fumaças das velas e pelo choque da iluminação forte do corredor em contraste com a penumbra da suíte. Sabe que há muito desejava estar neste lugar, havia que sonhava com este momento.

Viu o contorno de curvas de uma mulher de salto alto, usando um corpete cinta-liga vermelhos, pele branca e cabelos ruivos e reluzentes. A boca vermelha complementa o conjunto que reluz sob o treme-treme das luzes das velas. Ela é direta e pede-o que não mova um dedo sequer e fique em silêncio apenas observando-a de pé ao lado mezanino... e assim ele obedece deslumbrado com a cena... novamente sonha... conforme haviam virtualmente combinado que assim seria.

“Tudo tão surpreendente, inesperado, inacreditável. Sonhos às vezes se tornam realidade”. Custa a acreditar na sua sorte, mas miragem ou não, sente algo dentro de suas calças latejando violentamente, como querendo saltar para fora da cueca que agora lhe apertava chegando a provocar uma dor deliciosa. Ela vai se aproximando e cumprimenta-o com o olhar de entendimento mútuo e diz “essa era a nossa fantasia”.

Ela percorre seu rosto e sua respiração por todo rosto dele e deixa-o ainda mais louco com aquela troca de calor sem poder sequer se mexer e ou tocá-la, afinal, ela é uma desconhecida, ambos são na realidade desconhecidos um para o outro. Ela o mantém dominado pelo olhar, e percorre a mão por cima da camisa branca e começa a desabotoá-la. Descortina um peito branco e macio. Ele sentiu aquele primeiro toque tão desejado. Em um reflexo, tenta mexer a mão e é repreendido de imediato. “Carlos, lembra o que combinamos?” Diz ela.

A voz sedosa e sensual, mas não deixa dúvidas que aquilo era uma ordem. As pernas nuas dela deslizavam entre as suas, a mão dela deslizava cada vez mais embaixo e vai de encontro com o seu mastro já latejante e rubro. Sem a menor sombra de pudor e sem dizer uma palavra ela apenas sorri um sorriso sedutor que o deixa mais louco. A esta altura, ela desabotoa o cinco da calça e a protuberância de macho se aloja entre as pernas de ambos.

A deusa de vermelho senta-se em cima do mezanino e puxa-o entrelaçando entre as suas coxas prendendo-o a si fisicamente, ambos sabem que é o sinal para a realização física das ideias virtuais que trocaram por meses a fio. Ele traz para perto de seu rosto a sua boca vermelha e quente, ela contorna suas mãos no pescoço dele e ambos se puxam reciprocamente, no beijo ardente que faz ambos entenderem que as preliminares já estavam feitas.

Num movimento rápido ele desenlaça o hobby que a envolve e a olha fundo como se a conhecesse de outras vidas, de outras reencarnações. Ali no mezanino eles se atracam, se enlaçam e se penetram... jogam as roupas ainda por tirar ao lado e nus transam rápidos, frenéticos e desesperadamente. Toda uma volúpia de desejo e paixão se exala dos corpos que se envolvem, durante horas, no mezanino, no divã, na cama... molhados de paixão, suores se misturam em meio ao êxtase e rastros por toda parte.

Ele penetra devagar, sentido-a a cada palmo de seu interior, de seu calor vaginal. Como ela é quente, apertada e deliciosa. Ele geme e beija-a demasiadamente como se matasse naqueles beijos alucinados a sede da água e do sabor daquele néctar feminino exalando dentro de si. Mais uma, outra e mais outra estocada e ele novamente expelindo o desejo guardado.

De todas as posições, a inicial do encontro ainda reinava soberana, pois ela havia sido capaz de imobilizá-lo só pelo poder sexual emanado dos seus olhos, da mente... de imaginar que estaria por realizar seus desejos virtuais. Os corpos, este sim, reais, agora se esfregam frêmitos de gozo, prazer e tesão. Gritos e gemidos de prazer real ecoam em seus ouvidos, e líquidos jorram entre os lençóis.

Suas mãos deslizam por entre as pernas dela, descortinam seus segredos, sua púbis, seu prazer. Ela lhe olha, ainda mais sedutora que nunca, estendendo-lhe uma taça de "champagne" para molhar-lhe a garganta seca de tanto lamber, chupar, beijar. Estava suado, cansado, mas ainda desfrutaria muito daquela mulher. Tinham muito tempo ainda. No balde de gelo, vislumbrou ainda uma segunda garrafa. Entendeu a mensagem da segunda garrafa: “Não foi à toa que ela disse que adorava servir de copo...”

Miriam o vê acordar, subitamente, de um tranco. Parece atordoado. Nota-lhe o olhar, inicialmente turvo, desanuviar. Ele parece não entender porque está ali. Ou quem ela é. Nota-o lentamente recobrando os sentidos, tentando colocar juntas as lembranças que lhe chegam faltando pedaços.

“Oi”, ele diz, por fim.

“Olá”, ela retruca com um grande sorriso.

“Você tem ideia que horas são?”, ele pergunta.

“São 22:30”.

“Quê? Como? Quanto tempo eu dormi? Nossa, o que aconteceu? Tenho uma dor de cabeça terrível”.

“Querido, deve ser a "champagne". Você bebeu quase duas garrafas.” E aponta para o balde de gelo, duas garrafas vazias comprovavam o fato. “Você se lembra?”

“Na verdade... hummm... preciso ir ao banheiro. Acho que estou passando mal”.

Ele levanta-se, atordoado, quase perdendo o equilíbrio. Nem sabe onde é o banheiro, mas obviamente era para o lado direito. Devia ser para lá. Correu, nu, segurando-se nas paredes. Miriam houve a porta bater, e um barulho de vômito. “Pobrezinho”, ela pensa.

Ouve o chuveiro. Ele sai de lá, lívido. Parece um pouco recuperado. Tem uma toalha envolta na cintura. Vai ao casaco, checa o celular. Pelo visto estava cheio de mensagens. Ele parece mexer no aparelho por alguns minutos. Ela nota-o, observando-a de soslaio, estudando-a. Ela finge estar concentrada na TV, mas ela também o segue com os olhos discretamente. Vê-o retirar a carteira da jaqueta, abrir, e discretamente conferir o conteúdo. Ele abre a maleta, com a desculpa de procurar um cartão ou algo semelhante, mas na verdade está observando se o laptop está lá dentro.

Parece satisfeito com o exercício, porque dá meia volta e vem ao seu encontro na cama. Tem a toalha envolta na cintura, mas ela nota que por baixo está nu.

“Desculpa querida, me senti muito mal. Acho que foi a "champagne". Isto nunca me aconteceu”.

“Você vomitou? Ouvi um barulho.”

“Sim, mas já estou bem melhor. Bebi água e escovei os dentes com a escova gratuita do hotel. Espero não estar com gosto ruim.”

“Só vou saber testando”, ela sorri, oferecendo a boca. Se beijam. Ela desliza a mão por entre a toalha, pegando no membro flácido.

“Querida, está tarde, perdi tanto tempo dormindo...”

A mão dela já acaricia o membro. Ela lhe cala um beijo, enquanto trabalha com a mão. Com a outra, usa o controle remoto para desligar a TV e num ato contínuo, abaixa a cabeça e engole todo o membro.

Durante a tarde, antes do sono profundo, ela mal aguentou engolir 1/3 do membro. Agora, a boca dela encostava nas suas bolas quase engolindo-as, a língua mexia de um lado para o outro. Ele gemia, gostava. Ela sorvia o membro em toda sua extensão que continuava flácido. Sentiu que o tempo passava e o homem começou a dar sinais de impaciência...

“Querida, isto nunca me aconteceu... quer dizer, acontece sim, se bebo muito. Acho que não vou conseguir mais... e estou preocupado, porque já é tarde... não avisei em casa...”

Nitidamente enrubescido e envergonhado, ele levanta-se da cama.

“Desculpa”. “Quando você vai embora mesmo?

“Amanhã cedo”.

“Ah! Que pena. Olha, eu tenho de ir...”

Ele começou a se vestir. Está envergonhado. Ainda mais ele, que se gabava de ser incansável em suas conversas pela internet. Que dizia que gozava muitas vezes seguidas. Tudo mentira... Ou seria mesmo o efeito do "champagne"... “Querida, quando bebo muito isto acontece... que diabos, como bebi tanto assim?”

Despedem-se com um longo beijo na porta do quarto.

“Na próxima... sem bebidas, tá, ele diz para ela sorrindo.

“Querido, você provou que tudo que disse era verdade... antes de dormir... não se preocupe... eu adorei!!! 

Espero revê-lo em breve...” manda-lhe um beijo enquanto o vê sumir elevador adentro. Fecha a porta e o sorriso se esvai. Tem de sair dali, rápido. Pelo sim, pelo não, arriscar é bobagem. Existe software que não evita, mas pode alertar o que aconteceu. Talvez ele descubra ao chegar em casa. Talvez nunca.

Recolhe as coisas, rapidamente. A esta altura Carlos já deve estar razoavelmente longe. Telefona para a recepção, pede que fechem a conta e solicitem um táxi  “Para onde?” pergunta o recepcionista.

“Enxerido”, ela pensa. “Aeroporto!”

“Qual?” Ele insiste.

“Ai, que merda... que cara chato”. “Stansted”.

Vê-se nua no espelho. As pernas são lindas, a pele branca, sem varizes, sem rugas na face. Tem 35 anos, mas passa por menos de 30. O rosto, a boca, os olhos... todos perfeitos. Mas os seios são ainda seu maior diferencial. Obviamente siliconados são grandes e firmes. Duros. O tamanho, relativamente desproporcional ao seu corpo, embora sem grandes exageros, prova que se trata de uma intervenção artificial na natureza. O único problema é que quando um homem toca aqueles dois montes voluptuosos ele entende que aquilo tudo é carne, não há cicatriz, nunca existiu mão de cirurgião, ali quem operou foi somente a mãe natureza.

Ela pondera quanto tempo ainda tem em que eles continuarão a desafiar a gravidade. “Bem, que todo mundo acha que sou siliconada, se eles caírem e eu colocar silicone ninguém nem vai saber mesmo, hahahaha” ela sorri pra si mesma, e pensa que um dia se aproveitará dos avanços tecnológicos da ciência que fazem da mulher cada vez mais atemporal. “Um caso típico de profecia auto-realizadora”, ela ri para si mesma.

Vai ao banheiro e abre um pontinho de metal. Pega cuidadosamente uma pequena pílula branca. Abre aquele que é o seu grande mimo: um anel, com uma pedra azul que carrega no dedo médio. A pedra azul se destaca e revela um interior oco. Coloca cuidadosamente uma pílula no anel, fecha-o novamente. Cada pílula, comprada no mercado negro custa cinquenta dólares. Garantem um sono profundo de no mínimo duas horas, e no máximo quatro, com pouca ou nenhuma ressaca ou efeito colateral. Nada mais do que o que seria causado por duas garrafas de "champagne".

Sempre sente um pouco de tristeza ao jogar fora o resto da champagne da qual consumiram apenas dois cálices. Mais tristeza ainda, ao abrir e imediatamente esvaziar uma garrafa inteira na privada. Ainda mais ela que adora "champagne". Mas hora de beber, beber... hora de trabalhar, trabalhar...

Já está pronta. Desce, puxando uma pequena mala marrom com emblemas das letras L e V estilizados atrás de si. No ombro, uma bolsa grande. O Check-out é rápido e eficiente, o táxi espera. “Madam, it is the airport of Stansted, right?” Pergunta o motorista, apenas por cortesia.

“No, not really. Eurostar terminal” retruca de forma firme e decidida. Com um pouco de sorte, ainda pegaria o último trem. Sempre existem lugares vagos na primeira classe. Amanhã de manhã já estaria na França, pensou, enquanto o típico táxi preto londrino deslizava nas ruas com pouco movimento. Ao seu lado, dentro da bolsa, estava o seu laptop. Quando estivesse no hotel, em Paris, faria o upload da cópia dos dados do laptop de Carlos que havia criado no seu próprio computador.

Na cidade-luz não teria outro encontro até o fim da semana: poderia passear e se distrair um pouco. Rever o Louvre, subir a Torre Eiffel a pé relendo os inúmeros pôsteres explicativos ao longo do percurso de centenas de degraus. O próximo amigo “virtu-real” seria Bernt Kone, um suíço figurão do mundo dos negócios, estando no Conselho Administrativo, não apenas do conglomerado ABB, o qual presidiu por vários anos, mas também outras 4 multinacionais dos mais diversos setores. Quais segredos industriais estariam no laptop deste senhor, certamente nem os próprios compradores, que pagavam fortunas por este material, saberiam os detalhes. Para Miriam, era tudo um jogo, era tudo virtual, não se envolvia. Fechou os olhos, lembrou-se na hora em que ele a penetrou profundamente, o orgasmo dela não foi virtual, foi real. “Bem, pelo menos não precisei fingir”, pensou absorta vendo a paisagem se movimentar ante aos seus belos olhos azuis.


Ainda manteria contato com o Carlos pela rede social, até para saber se ele descobriu algo ou não. “Sempre é bom mantê-los por perto”, já dizia Sun Tzu, mas sabia que nunca mais iria vê-lo e assoprou um beijo mental para o amante daquela tarde, enquanto saía do táxi  “E adeus pra você também, Londres”.


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Imagens: Google Image