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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O garoto que o seu primeiro grande amor foi a leitura


Principiava-se do mês de junho, o ano, este. Porém, uma parte da história de mútua convivência entre Luis Gustavo e Maria Rita, teve o seu início no ano passado. Os alunos do Colégio Estadual de São Luís de Montes Belos, pequena cidade do estado de Goiás, no Brasil, com população de pouco mais de 32 mil habitantes, estavam todos se preparando para as provas, que concluiriam o primeiro semestre eletivo. Luis Gustavo estava entre esses alunos. Embora com um saldo de notas positivo, ainda assim, teria que se submeter ao calendário escolar, também participaria das provas. Portanto, estava em parte, focado nas suas obrigações escolares.

O histórico de comportamento de Luis Gustavo em sua casa, não se encontrava tão bem, como no colégio. Estava em baixa com o seu pai, Fernando de Paula. Tudo porque, há um ano e meio, mais precisamente, dezembro, próximo ao Natal, ele havia conhecido uma garota da sua idade, 16 anos, que o havia seduzido para o universo da leitura. Maria Rita desde pequena tinha o hábito de ler. Lia livro, um após o outro, de maneira incansável. Muitas vezes Luis Gustavo, se sentiu perdido, fora de sintonia, diante do vasto conhecimento da nova amiga. Precisava encontrar uma maneira de estar pelo menos, mais próximo da conexão com o seu mundo intocável, das histórias contadas nos livros. Lógico que, também estava tendo uma queda por ela. Isto requeria dele, passar a dedicar-se de corpo e alma, aquele universo antes não experimentado.

Os seus amigos, como ele, não curtiam a leitura, estavam mais linkados ao instagram, watsApp, selfie, facebook e outra redes sociais da internet. Uma área que Maria Rita desprezava. Isto não significava que ela estava mais próxima do comportamento nerd. Acontece que sua visão sobre temas banais, não correspondia com o seu apetite por leitura. Cumpria com dedicação suas obrigações escolares, sempre com notas altas no currículo. Entretanto, a atmosfera que respirava, encontrava-se, a grande distância das pessoas consideradas normais, comum entre os colegas do colégio. Os dois estudavam na mesma escola, embora em turma e ano diferentes.

Maria Rita aprendeu desde cedo que viajar através de uma boa história, conhecer novos personagens, novos lugares, novos hábitos, novos costumes, próprios das ambientações literárias, eram mais interessantes. Além de enriquecer seus conhecimentos, a mantinha mais preparada para o vestibular, o ENEM, suas metas para breve. Pretendia se formar em Relações Internacionais e, no futuro, se tornar uma diplomata, pronta para representar o Brasil em alguma parte do mundo. Para tanto, dedicava tempo integral a pesquisas, cursos de idiomas e em literatura, independente de que país fosse o autor.

Atraído pelo fascínio e a inteligência de Maria Rita, Luis Gustavo procurou uma maneira de se aproximar de sua deusa da sabedoria. Não foi fácil, já que Maria Rita era muito seletiva com as suas amizades, ainda mais, em se tratando de um garoto tão jovem, como era o caso de Luis Gustavo. Geralmente garotas na sua faixa etária, preferem os jovens mais experientes, mais vividos, mais preparados para desenvolver um assunto mais proveitoso. Mesmo tendo que enfrentar algumas objeções, não se deu por vencido, até que, numa discussão sobre determinado livro, Luis Gustavo se sobressaiu, conquistando a atenção da sua pretendida. 

A partir de então, sempre que sobrava uma brecha, lá estava Luis Gustavo, procurando conversar do Maria Rita, seja para se informar dos assuntos do colégio ou de um livro que estivesse lendo. Com o passar dos dias a convivência foi se estreitando entre eles. Percebeu que teria que dar outro passo à frente e, o melhor a fazer seria começar a se interessar pela leitura. Sua iniciação foi na biblioteca do próprio colégio, com a ajuda da sua professora de literatura e gramática. Depois passou a ler os livros que Maria Rita o emprestava.

Daí, para os encontros com fins exclusivos de discutirem o conteúdo de um livro que acabara de ler, foi mais uma conquista alcançada. Naturalmente, o livro em questão, pertencia ao acervo da garota. Passaram a ter encontros semanais na sorveteria da cidade, onde discutiam suas impressões sobre o tema lido. Já havia lido quase todos os livros da amiga. Por outro lado, precisava demonstrar que também tinha interesse de ter o seu próprio acervo, de preferência com livros que não constavam entre os de Maria Rita. Estava se sentindo minimizado com a situação em que se encontrava.

Achou por bem, recorrer à mãe que era professora. Vera, sua mãe, vendo o interesse do filho pela leitura, e os avanços de informações adquiridos, resolveu que deveria contribuir, arranjando títulos com enfoques diferenciados. Evidente, que sua mãe, tinha suas preferências, contudo, achava que o melhor para Luis Gustavo naquele momento, seria livros próprios da idade. O primeiro livro que colocou em suas mãos para ler, foi O Diário de Dany, de Michel Quoist. Ela já havia lido O Diário de Ana Maria, do mesmo autor, por recomendação da própria mãe. Então, achou que o melhor caminho seria o mesmo: livros dirigidos a adolescentes.

Luis Gustavo ficou de boca aberta com a escolha da mãe. Seus conhecimentos estavam muito além daquela fatídica idade. Havia lido clássicos da literatura brasileira, inclusive alguns com alusões picantes de relacionamentos, comuns nos textos de Jorge Amado. Portanto, O Diário de Dany, parecia até uma afronta aos seus conhecimentos e preferências de leitura. Resolveu abrir o jogo, falar abertamente com a mãe.

- Mãe, parece que a senhora parou no tempo. Estamos no século XXI, à década de 50 ficou há muito tempo para trás.

- Hoje existe a internet, os jovens sabem mais coisas que até os pais duvidam.

- Agradeço sua boa vontade, mas estou em busca de literatura pura, isto não significa que os livros contemporâneos, comuns entre os jovens, como a saga Crepúsculo, Harry Potter, O Senhor dos Aneis, os quais, já li todos.

- Noites de Alface, Dragões do Éden, Divórcio, Quiçá, Filhos do Éden, Sal, Cinquenta tons de cinza, A cabana, A hora é das estrelas, A última música, Escrito nas estrelas, O lado bom da vida, e tantos outros, também já os li.

- Quero ler livros que proporcione uma boa discussão, debates, com conteúdo envolvente.

 - Não que os autores menos destacados na opinião dos jovens e das pessoas que leem, sejam de péssimo gosto. Mas quero ler autores que me estimule; que me motive a continuar lendo, sempre lendo. A senhora está me entendendo?

A professora Vera, o olhou desentendida. Demorou a cair à ficha. Mas compreendeu que, de fato, estavam vivendo uma época totalmente diferente da sua (anos 80), precisava mais que depressa se adequar aos avanços, tanto tecnológicos, quanto dos novos conceitos do comportamento dos jovens atuais. Ela tinha pleno conhecimento dessas mudanças, afinal era professora e convivia diariamente com alunos da idade do filho, até menos. Todos conheciam muito bem os assuntos relativos à sexualidade, inclusive, sobre a prática sexual que os jovens já vinham utilizando no seu cotidiano. Até as telenovelas e o telejornalismo, haviam evoluído quanto aos seus assuntos temáticos. Atualmente, vinham propondo na sua órbita de informações, as questões que envolvem tabus e preconceitos; promover a tolerância entre as desigualdades; discutir a homofobia e o bullying nas escolas e no meio social num todo. Pegou o telefone e ligou em seguida para uma amiga que reside em Goiânia, capital do estado.

- Marina, sou eu, Vera.

- Eu sei, reconheci sua voz. Está tudo bem com você? – Quis saber Marina.

- Está tudo bem, só estou precisando de um favor seu. – Respondeu Vera.

- O meu filho me pediu algumas sugestões de livros pra ele ler, como estou um pouco por fora sobre o que está mais em evidência na literatura. Sendo você, uma pessoa que gosta de ler, achei que poderia me ajudar, nesse assunto. – Esclareceu Vera.

- Não tem problema. Diga-me apenas sobre que estilo de leitura o Luis Gustavo mais gosta? – interessou-se Marina.

- Estivemos conversando, pelo que pude notar, ele não está diferente de qualquer outro jovem da sua idade, e, até os mais velhos, bem mais velhos, está me entendendo?

- Gosta dos livros que estão sendo comentados entre as pessoas que leem com frequência. Não tenho uma receita para facilitar o seu entendimento, mas sei que está me entendendo, pelo menos é o que espero. – Tentou explicar.

- Você ainda continua a frequentar os sebos, comprando livros usados interessantes? – Indagou Vera.

- Sim, é claro. Não existem lugares melhores para comprar bons livros, por custos bem mais em conta. Principalmente quando nos preocupamos com a época da edição.

- Como se trata de livros usados, torna-se uma bela maneira de ficarmos mais próximos dos originais. Deixa eu te explicar melhor: quanto mais antigas forem as edições, mais próximas nós nos tornamos dos originais.

- Além desses livros, já terem proporcionado momentos super prazerosos pelo seu conteúdo a outras pessoas – Esclareceu sua interpretação, sobre o valor dos livros usados.

- Está interessada em algum livro em específico? – Respondeu Marinha.

- Não, não é isto. Vou te enviar um valor em sua conta bancária e, você pode comprar o que for possível com a quantia que estarei te enviando. Pode fazer isto, por mim? – Solicitou Vera.

- Claro, tenho vários livros aqui em casa, posso enviar alguns ainda hoje. Você se encarrega da postagem. Fica bom pra você? – Prontificou Marinha.

- Não se preocupe, eu cuido de retirá-los nos Correios, mas vai pensando em outros. O Luis Gustavo, pelo que pude perceber, está constantemente lendo livros de uma amiga do colégio. Não está se sentindo bem ter que estar dependendo da amiga, com os seus livros.

- Também deseja ter os seus próprios. Lógico, para também poder compartilhá-los com sua amiga de leitura. E assim, estarão fazendo o que mais gostam, trocando conhecimentos e livros. Não acha bem bacana? – Emendou Vera.

- Isto é fantástico! Quando era mais nova, na minha adolescência, eu e duas amigas, fazíamos o mesmo. Infelizmente hoje, isto não esteja mais acontecendo.

- Uma se casou e mudou para o interior, a outra foi morar em Brasília, virou funcionária do governo. – Respondeu Marina com tom menos empolgante, mas feliz.

- Logo irei visitá-los. Diga ao Luis Gustavo, que quero trocar boas ideias e experiências, que já experimentei, e, se possível, acrescentar alguns aditivos nesta sua fantástica fase de buscar na leitura, sua perfeita formação como ser humano. Estou encantada! – Disse Marina.  

- Isto é muito bom. Parece que os dois, estão formando um interessante casal de amigos, preocupados com a leitura. – Acrescentou Vera.

- Estou gostando da ideia. Os livros que Luis Gustavo leu, são quase todos da amiga. Acho justo que ele também tenha os seus próprios livros. – Repetiu, enfatizando Vera.

- Ah! Antes que me esqueço, o nome da amiga é Maria Rita, tem a mesma idade. Não é formidável, esta sintonia etária? – Disse Vera.

- Tenho pelo menos uns dez livros, que posso te enviar. E, não faz muito tempo que os li. São ótimos e muito comentados, inclusive na internet. – Ressaltou Marina.

- Tenho certeza que o Luis Gustavo vai adorar. Isto se ele já não os tiver lido. Você mesma disse que ele se despertou para a leitura. Como são livros que estão nas rodas de comentários dos leitores, possivelmente já os tenha lido, mas irei te enviar daqui a pouco, antes que a agência dos Correios feche. – Esclareceu Marinha.

- Obrigado amiga, vou ficar ansiosa aguardando os livros. Assim que for retirá-los na agência, vou aproveitar e te enviar o dinheiro, para que possa comprar outros. Enquanto isto, vou continuar conversando com o Luis Gustavo, quem sabe, aparece alguma novidade, né? – Disse Vera.

- Então está bem, farei isto com muito prazer. Beijo carinhoso no Luis Gustavo e, outro pra você minha amiga. – Despediu-se Marina.

Marina cumpriu o prometido enviando os livros. Em questão de semana enviou os outros, que comprara com o dinheiro que Vera havia depositado. Vieram às provas do colégio, em seguida o período de férias anual. Todo esse tempo foi diluído em leitura. Os habituais encontros na sorveteria continuaram. E mais e mais, títulos foram lidos. Chegava a parecer uma competição, até mesmo uma doença, uma obsessão. Daí surgiu outra preocupação para Vera e Fernando de Paula, seus pais.

Em menos de um ano, os dois amigos, já não sabiam ao certo quantos livros haviam lido. No quarto de ambos, podia se deparar com pilhas de livros. Chegou ao ponto que não estavam mais lendo, mas sim, devorando-os. Luis Gustavo esquecia-se das próprias refeições diárias; esquecia de tomar banho; pouco saía para encontrar os amigos. Quando não estava no colégio cumprindo sua rotina de estudante, ou conversando com Maria Rita, estava em seu quarto lendo. Até a economia financeira que mantinha na poupança para comprar sua tão desejada moto, uma parte do dinheiro, tinha sido utilizado na compra de livros, vídeos e e-books. Comprou também, outro computador mais avançado, com memória de se respeitar.

Nesse ínterim, Fernando de Paula estava preocupado com o que presenciava. Porém, sempre que ficava nervoso com as atitudes do filho. As quais, pouco compreendia, na maioria das vezes, encontrava na mãe sua protetora. Com argumentos bem conduzidos, conseguia melhorar os ânimos domésticos, evitando atritos entre pai e filho. Mas eis que chegou o dia, que o pai, não deu conta de segurar a onda. Totalmente possuído por uma raiva incontida, invadiu o quarto do filho, tomou de suas mãos o livro que estava lendo, e o rasgou em vários pedaços, aos gritos. Utilizando-se de palavras desagradáveis até de serem pronunciadas. Luis Gustavo, atônito com a situação, desentendido pela ação inesperada do pai, ficou parado, estupefato, desacreditando no estava acontecendo.

Quando o pai se retirou do seu quarto, ainda furioso, possesso, Luis Gustavo, juntou os pedaços do livro e foi montando-os como se fosse um quebra-cabeça, pedacinho por pedacinho. Mal sabia o pai, que naquele momento o filho estava justamente estudando para a prova de história, que seria no dia seguinte, sobre o Império Bizantino. Sua última prova para o término do semestre.

Enquanto montava os pedacinhos do seu livro, com lágrimas no rosto, aconteceu o inusitado. Luis Gustavo foi se transcendendo como se estivesse entrando numa viagem no tempo, sendo transportado, numa retração cósmica, de forma inesperada, para um lugar que ele jamais imaginaria estar. Totalmente fora de órbita, encontra-se deitado em posição uterina meio inconsciente e atordoado, sob o sol forte de uma manhã qualquer. Nada à sua volta parecia com o pacato dia a dia da sua cidade natal. Estava vestido apenas de bermuda e camiseta, do mesmo jeito em que se encontrava na sua casa. Aos poucos foi recobrando os sentidos, quando pode constatar a real situação em que se metera.

Por sorte ou cumplicidade do destino, divisou a algumas dezenas de metros, uma suntuosa edificação. Pelos seus minaretes que se elevavam imponentes na retidão dos céus, constatou tratar-se de uma extraordinária igreja ou mesquita. Mas como? Como pode ser? Onde poderia estar? O que estava acontecendo, estaria pirando de vez? Sua cabeça girou num amontoado de indagações.

Precisou de alguns minutos, para que o seu raciocínio começasse a decifrar aquela visão. Ao notar a altura das janelas, com formato ovalado na sua extremidade superior; suas vidraças decoradas com afrescos em forma de mosaicos, retratando figuras que se aproximavam de entidades religiosas e, mais outros detalhes que conseguira captar, num estalo de percepção, notou que não se tratava de algo estranho. Impossível sim, mas estranho não.

Aquela construção quase pronta, que estava à sua frente, era semelhante à foto que espelhava a página do seu livro de história, que estava estudando. Os seus olhos continuaram capturando as imagens sob vários ângulos, quando pode perceber mais detidamente, todo aquele esplendor arquitetônico. Admirado, permaneceu por algumas frações de segundos, pensativo. Como um flash fotográfico, percebeu a existência de uma enorme cúpula, qual nada mais era, do que, um dos domos da Igreja da Sagrada Sabedoria ou Hagia Sophia, mais conhecida nos livros de história, como Basílica de Santa Sofia.

Rapidamente ele deduziu que estava no ano, entre 532 e 537 d.C., quando fora construída. Provavelmente se encontrava em 536, já que a obra ainda não estava totalmente concluída, pela presença de várias pessoas trabalhando nos acabamentos externos.

Pensou: - “Uaaaaauuuuuu! Estou em pleno Império Bizantino, o segundo mais longo império do mundo antigo, 11 séculos de existência, atrás apenas do Império Egípcio, que começou por meio da unificação do Baixo e Alto Egito (Norte e Sul) pelo primeiro faraó Menés, antes dominados pelos clãs dos nomos, por volta de 3.100 a.C até 30 d.C., findando, com a queda da rainha Cleópata, pelo exército romano. O Império Romano foi o terceiro mais longo império, com duração de 5 séculos.”

- “Isto que estou presenciando é o máximo, é extraordinário! De repente a preocupação se manifestou. Mas como vou sair dessa enrascada em que me meti e retornar para o meu tempo? Será que estou castigado a viver o resto da minha vida aqui? E o que já estudei, sabendo que este é apenas o período do quinto governante do império, o imperador Justiniano? E as grandes conquistas, as invasões mal sucedidas, principalmente às várias tentativas feitas pelo bárbaro Átila, rei dos Unos? É necessário, é imperativo, que eu me mantenha calado. Posso ser considerado um bruxo. E as consequências só Deus saberia.” – Pensou Luis Gustavo, analisando sua real situação e complicações, consequências do imbróglio do tempo.

- “E se eu cometer um vacilo mental e mencionar que o fim do Império Romano no Oriente, foi causado pela invasão do Império Otomano, comandado pelo sultão Maomé II em 1.453. E hoje, Constantinopla é a mais importante e desenvolvida cidade turca, Istambul? Nossa! Nem quero estar na minha pele, nesse momento. Serei morto de forma desumana. Tenho que me conter. Ainda bem, que não compreendem o meu idioma. Mesmo assim, estou numa enrascada das grandes. O melhor é cerrar a boca, engolir a língua e tentar ser o mais ignorante possível.” – Continuou vagando nos seus pensamentos. 

As condições em que Luis Gustavo se encontrava, não eram nada satisfatórias a seu favor. Como foi que viera parar justamente em Constantinopla, capital do Império Bizantino, justamente a matéria que estava estudando para a prova de história? Ainda mais, em pleno domínio do imperador Justiniano e sua esposa Teodora. Uma imperatriz, que embora de origem humilde e, ter pertencido uma classe social, onde muitas mulheres por opções econômicas de sobrevivência praticavam atividades pouco recomendadas, sob o ponto de vista da igreja.

No seu caso, vinha de um passado que a maculava, por ter sido bailarina nos circos teatrais e prostituta requintada. Ainda assim, se tornou a esposa de um volto da grandeza de Justiniano. No entanto, como era detentora de indomável astúcia e vivacidade, exercia forte influência sobre o imperador, com suas atitudes austeras e arrogantes. Sem meias medidas, sabia perfeitamente o momento oportuno para utilizar-se da sua notável inteligência, que a permitia dominar com decisões resistentes, assuntos relacionados à política e a religião.

Reconhecida por esses atributos, a diferenciava de qualquer outra mulher com o seu status de soberana. Sendo, inclusive, a responsável direta, na decisão do marido, de contra-atacar uma iminente revolta interna, causada pela absurda prática esportiva, das corridas de bigas e seus velozes animais, onde as cores representativas de cada equipe ou agremiação competidora, havia se tornado poderosas representações políticas, motivo pelo qual, poderia causar até a queda do imperador.

Diante dos fatos, sem perda de tempo, Teodora influente e destemida, forçou Justiniano a reunir com urgência o exército, sob o comando do general Belisário e, por meio de um brilhante artifício, conseguiu encurralar dentro do hipódromo, utilizando-se de um engodo estratégico de promover uma discussão em torno das propostas, foi o bastante para colocar em prática uma ardilosa arapuca, que resultou na morte de mais 30.000 pessoas, por meio de métodos de verdadeiro barbarismo. Registrada como a impiedosa e famosa Revolta de Nika.

Enquanto recapitulava seus estudos sobre o Império Bizantino, não notou que uma jovem caminhava em sua direção, envolvida pela curiosidade. Era Mayritsha, acompanhada de três amas de companhia e quatro guardiões. Sua idade seria difícil precisar, mas se aproximava dos 18 anos. Linda de olhos grandes e negros, cabelos igualmente negros, presos por fivelas douradas e enrolados feito um coque. Usava uma estola de seda colorida, predominando o vermelho, com um longo corte nas laterais, para facilitar o movimento das pernas. Uma faixa em tecido vermelho a cercava na cintura, com duas tiras soltas até atingir os sapatos, também de seda, adornados com pedrarias. A cabeça estava coberta apenas por um longo lenço branco, com franjas alaranjadas, brincos e vários colares no pescoço.

Na época, as principais gemas eram a pérola e a safira, mas, havia outras sugestões semipreciosas de magnífica beleza e brilho.  Não estava sendo transportada numa liteira, ao estilo romano. Um tipo de andor fechado, em sinal de respeito e privacidade, conduzido por escravos. Mas sim, a pé, esbelta e elegante como uma deusa. A primeira impressão que se dava, tratava-se de uma filha da aristocracia soberana, possivelmente de um político influente ou da nobreza que resistia ao tempo.

Não fazia muito tempo que Mayritsha havia passado pelo local, e não tinha notado a presença de qualquer pessoa deitada daquela maneira, e muito menos, vestida como estava Luis Gustavo. Quando a percebeu caminhando em sua direção, reparou nos seus passos rápidos, constatou que algo nada satisfatório estaria próximo a acontecer. Olhou para si, comprovou e reprovou suas vestes, em seguida apenas sentou-se, ainda no chão e, ficou aguardando a garota se aproximar e se manifestar, seguida pelos seus séquitos. Toda aquela aparência cheia de cores e brilhos, não deixou de chamar sua atenção, contudo, manteve-se quieto e indefeso no seu modesto espaço.

Quando se encontravam frente a frente, ela o olhou atentamente, dos pés a cabeça, sem formular qualquer parecer. Estava muda, apenas analisando que tipo de pessoa estaria naquelas condições, vestindo-se com pouca roupa e descalça. Seria um escravo? Ainda que, sua aparência denunciasse ser de alguma estirpe social sem muito atrativo econômico, escravo ela tinha certeza que não o era. Sua tese fina e clara, diferente de qualquer outro nativo em todo o oriente, impedia qualquer julgamento precipitado. Sua análise não demorou muito tempo, todavia, não conseguira uma definição lógica para aquela insólita figura.

Pronunciou uma série de palavras incompreensíveis para Luis Gustavo, que na sua condição de inferioridade e de estranho estrangeiro, o denunciaria, portanto, não restava outra coisa, senão ouvi-la. Percebeu que alguma coisa se relacionava com sua maneira de vestir, e os cabelos claros – não chegavam a ser loiros – e encaracolados. Ele por sua ver, fez uma análise fotográfica por todo o corpo de Mayritsha. Só com uma diferença, ele estava convicto que o mundo em que se encontrava não era o seu, tanto pela maneira das pessoas se vestirem-se e o idioma nunca ouvido antes, quanto pela paisagem arquitetônica que tinha diante dos olhos.

As coisas aconteciam muito rápido. As frações iam se juntando, mas nada que os ajudassem a se entenderem. Inesperadamente, Mayritsha fez um gesto com as mãos. Pelo seu entender não era diferente dos que ele e os amigos usavam no convívio de sua cidade São Luís. Ela estava convidando-o a segui-la, pensou. Meio embasbacado, continuou sentado, sem mover até com os olhos. Novamente ela o acenou com o mesmo gesto e disse alguma coisa incompreendida.

Para ele, só restava atendê-la, submisso e sem ação. Falar o quê? Como ele não a entendia, porque haveria ela de entendê-lo? Os dois caminharam por várias ruas. Ela sempre à sua frente, conversando feito um papagaio machucado, mais atrás seguia os seus servos leais. Suas palavras eram pronunciadas tão rápido que parecia não existir pontuação. Era um assunto linear e constante. Quanto a ele, cabia apenas ouvi-la. Entendê-la que seria o ideal, estava fora de cogitação, simplesmente impossível.

Enfim, chegaram a uma construção, tudo indicava ser uma residência. Ela o olhou e com um gesto de mão pediu que esperasse se mantivesse parado, os protetores que a acompanhavam fizeram o mesmo. Permaneceram estáticos, feito estátuas, num verdadeiro comportamento de submissão. Em seguida ela fez algumas batidas na porta, a qual, logo se abriu. Do outro lado um senhor com idade aparentemente de uns 60 anos, barba não muito longa, porém, grisalha, vestido em uma branca túnica de linho, com uma faixa larga de tecido no mesmo tom, duas tiras que desciam sobre a coxa até as sandálias. O detalhe que mais chamou sua atenção foi uma enorme joia que se assemelhava a um broche, que prendia ou adornava as duas tiras pendentes, do seu vestuário.

Conversaram por alguns minutos, em seguida convidou-o a se aproximar e adentraram por aquela porta. No interior da casa, vários instrumentos estavam expostos sobre bancadas de madeiras. Caminharam alguns metros até alcançarem uma sala ampla contendo alguns bancos com os assentos acolchoados. O senhor os convidou a se sentarem.

Novamente o anfitrião iniciou uma série de palavreados desconhecidos por Luis Gustavo. Sem perceber, quem sabe por uma intuição salvadora, enfiou a mão em um dos bolsos da bermuda, encontrou vários pedaços das folhas rasgadas do livro. Eram resquícios da atitude impensada do seu pai, naquele angustiante momento de fúria, e os entregou ao senhor. Este olhou com cuidado cada pedaço, juntando-os, como quem estaria naquele momento, fazendo uma cirurgia num paciente em estado grave. O senhor, pelas deduções que Luis Gustavo haviam formalizadas, pelas vestes e o respeito depositado à sua pessoa, nas atitudes da nobre senhorinha, poderia ser um mestre, sacerdote ou até mesmo um intelectual de grande conhecimento.

O cuidado que o senhor mantinha, ao manusear os fragmentos dos papeis rasgados do seu livro de história, o deixava perplexo. Parecia que aquele homem idoso, estava diante de algo sobrenatural. Acontece que Luis Gustavo envolvido naquele clima de incertezas e incompreensão, não percebeu que nos retalhos da página, havia uma foto ilustrativa, com a imagem da Basílica Santa Sofia, totalmente pronta, cercada de plantas ornamentais e uma linda fonte jorrando água. Resumindo, era uma foto, mostrando como a Basílica se encontra nos dias atuais. Sem contar o brilho da cúpula ou domos, refletidos pelos raios do sol, no momento do clique do fotógrafo.

De posse de um pedaço de vidro, que mais parecia uma lupa, o velho curioso, passou a se interessar pelo texto, não conseguindo decifrá-lo a primeira vista. No entanto, o texto continha algumas palavras que muito se assemelhavam a alguns termos do latim e do próprio grego, que ele conhecia e o intrigava pela falta de ligação legível dos seus conhecimentos, entre uma expressão e outra. Contudo, pelo sorriso maroto do velho, Luis Gustavo sentiu-se mais aliviado. Não sabia o porquê, mas o velho conhecia o latim, que era a base do idioma falado e escrito pelos romanos, e, o grego, que fazia parte de suas origens familiares. Justamente os dois idiomas que deram origem a formação e o sentido às palavras do nosso idioma.

Como a língua portuguesa tem tudo a ver, na sua estrutura gramatical e ortográfica, com o grego e o latim, não foi difícil para aquele obstinado senhor, entender parte do conteúdo constado nos pequenos retalhos da página. Isto se deveu ao fato do Império Bizantino ser uma extensão do Império Romano no Oriente e Constantinopla a capital do império. Além é claro, serem inimigos declarados dos povos helenos, herança da civilização grega.

Pela foto da Basílica Santa Sofia, ainda que incompleta, devido ao corte provocado pelo rasgo no papel, mais os textos igualmente incompletos, deduziu que se tratava de um idioma, que um pouco de pesquisa, poderia ser decifrado. O senhor se retirou levando consigo, os pedaços da página do livro, ficando os dois jovens sentados, apenas aguardando a possível novidade: a decifração dos textos incompletos.  

Luis Gustavo, compreendendo que o velho senhor de característica erudita, ao se retornar, trazia nas mãos um tipo de carvão, semelhante a um grafite, desse que utilizamos nos lápis, e uma folha de papel – não se tratava do papiro que é feito a partir do miolo de uma planta, cujo o qual, exige muito trabalho na sua confecção – com textura crespa e a espessura semelhante ao que se faz no Brasil e em quase todos os países do mundo. Quando se utiliza o papel reciclável, para a fabricação dos papeis artesanais, em que, restos de papeis inúteis são transformados em pequenos pedacinhos, em seguida, dissolvidos na água, até que se tornem uma pasta, para depois, ser distribuída de forma homogênea, numa forma. Após espalhada é colocada para secar, se transforma em um novo papel pronto para ser utilizado. Ultimamente, é muito usado na confecção de convites e outras destinações afins.

Com muito cuidado para que sua caligrafia fosse bem entendida, Luis Gustavo, escreveu o seu nome, o nome dos seus pais, de onde era, data de nascimento, esclarecendo ano e século, e outras informações que entendia serem complementares para melhor identificação dos usos, costumes e crenças religiosas do seu mundo real. Uma vez concluída suas informações, as entregou ao velho sábio, que pegou a folha de papel com o carinho de quem estava de posse de uma preciosidade inigualável. Enrolou o papel, tornou a enrolá-lo, protegido por outra folha, formando uma camada protetora. Para ele o valor daquelas anotações era inestimável. Agradeceu com um amigável sorriso e voltou a se retirar. Provavelmente, iria guardá-lo como se fosse um tesouro intocável, para depois esmiuçá-lo, até alcançar a elucidação de sua curiosidade, com total dedicação e prazer.

Naquele restante de dia, Luis Gustavo permaneceu e dormiu na residência do senhor que o recebera. O anfitrião sexagenário, como forma de retribuir a atenção de Luis Gustavo, também anotou em outro papel o seu nome, apenas o seu nome, Faustus Notrienda Papalauka. Pelo que conseguiu ler, deduziu ser o nome de origem greco romana, embora fosse um autêntico filho da cidade.

No outro dia bem cedo retornou Mayritsha ainda mais linda. Quando o passageiro do tempo pode notar que sua aparência, haviam muitos detalhes que a tornava parecidíssima com Maria Rita, sentiu-se tentado. Este foi o momento onde a felicidade tomou conta do cenário, a luzes acenderam, as cortinas se abriram e, os aplausos ecoaram. Seriam as enigmáticas brincadeiras do destino? Seja o que for, aquela visão fascinante, não poderia ser traduzida de outro modo, senão como sendo, o presente perfeito, numa ocasião de magnífico esplendor. Seu olhar de incredulidade, não deixou de denunciá-lo, mas soube disfarçar com um cordial sorriso. Mayritsha se curvou levemente diante de Faustus, em sinal de respeito, em seguida acenou de maneira elegante, para Luis Gustavo.  Imediatamente deu três palmadas rápidas com as mãos, quando surgiu na porta, uma de suas ama, trazendo nos braços várias roupas, que seriam usadas pelo visitante, para que não ficasse diferente dos costumes locais e poder transitar sem muitos obstáculos.

Enquanto Luis Gustavo se trocava, vestindo aquela fina roupa presenteada pela admirável moça, na sala de visitas, ela explicava para Faustos, os propósitos da sua visita em tão poucas horas do dia. O velho compreendeu e pôs-se a também, se preparar para aquela inesperada jornada, arquitetada por Mayritsha. Eles iriam visitar os principais pontos turísticos de Constantinopla. Na parte de fora da casa duas bigas maiores que as convencionais, puxadas por quatro cavalos cada uma, os aguardavam. Na primeira estariam Mayritsha, Luis Gustavo, Faustus e o condutor. Na segunda, cinco homens robustos e armados, os seguiriam, com a função de escolta, semelhantes a seguranças de alguma autoridade de grande importância.

Durante quase todo o dia, visitaram as principais ruas da cidade, na sua maioria pavimentadas com pedras; passaram em frente ao monumental Palácio Imperial; estiveram diante do Hipódromo, a maior edificação do gênero no mundo na época, maior inclusive, que o Coliseu de Roma, com arquibancadas e pista de areia; percorreram longo trajeto da Grande Muralha que cercava Constantinopla; admiraram-se com a beleza de engenharia e arquitetura da Basílica de Santa Sofia e do Aqueduto do Falcão Cinzento, cuja construção teve seu início no período do imperador Constantino I ou Constantino o Grande, só concluída, pelo imperador Valente no ano de 368; especularam no mercado de especiarias; resplandeceram com o comércio de produtos orientais, têxtil, tecelagem e ourivesaria; encantaram com o estreito de Bósforo, que liga o mar Negro ao mar de Mármara, limite entre os continentes asiático e europeu, também grande fonte de receita para Constantinopla, pelo seu porto marítimo, considerado como ponto de convergência para o comércio de todo o oriente até a península balcânica no Mediterrâneo. Enfim, conheceram o que existia de mais interessante para ser visto na capital romana do oriente.

Ainda considerando as construções de alto alcance e importância pela sua grandeza, visitaram também o sistema de cisternas, composto por 60 delas, construídas pelo imperador Justiniano, no ano de 532, logo após a revolta de Nika. A mais importante destas cisternas, sob todos os aspectos de engenharia, tamanho, capacidade de armazenagem, estrutura jamais vista, até então inimaginável, estava localizada no subsolo da Basílica de Stoa, na península de Saraybumo, região sudoeste da capital Constantinopla, com a finalidade de suprir o abastecimento de água para a população, nos períodos considerados críticos. No entanto, as cisternas abasteciam quase que, tão somente, o palácio e a drenagem dos jardins imperiais.

Findadas as visitas, cansados, precisando de um revigorante banho e uma suculenta refeição, despediram-se com o compromisso de se reencontrarem no dia seguinte. O interessante, é que, mesmo não entendendo uma só palavra entre eles, não os impediram de manter um bom relacionamento afetivo de amizade. Graças aos recursos dos sinais, e a simpatia que foi a máxima entre os convivas.

Após o banho e a farta refeição, Luis Gustavo, naquele momento, queria mesmo, era poder ir se esticar numa confortável cama. Talvez, pela falta de costume, estava se sentindo exausto. Foi isto mesmo que fez. Despiu-se daquela roupa quente dos costumes dos novos amigos, procurou suas próprias roupas, a bermuda e a camiseta, as quais se tornaram parte do seu vestuário diário, portanto, estavam perfeitas para um longo sono repousante.

Deitou-se preguiçosamente e começou a relembrar sua incrível façanha em Constantinopla. As visitações naquele esplêndido lugar, com tantas maravilhas para se admirar e jamais esquecê-las. Sem entender começou a se sentir zonzo, ainda bem que já se encontrava deitado. Logo presumiu que, o que estava acontecendo, se repetia quando foi parar em pleno Império Bizantino, e tornar-se um visitante cósmico. Eram os mesmos sintomas da sua transmutação para o mundo antigo da fantástica Constantinopla. Quando recobrou os sentidos, estava ele, deitado na sua própria cama. Olhou meio confuso a decoração do seu quarto, os fragmentos do livro que o pai havia rasgado. Mais ao lado, o seu amontoado de livros, e ainda, pode constatar sua habitual organização, roupas jogadas aqui e acolá.

Sem muito esforço pôs-se a dormir. Quando acordou ainda bem cedo, começou a passar um filme na sua cabeça. Pareciam cenas presenciais de tudo que conseguira ver e, as afetivas e inesquecíveis companhias de Mayritsha e do atencioso erudito, Faustus Notrienda Papalauka. Imediatamente surgiram os questionamentos óbvios. Como iria contar sua viagem no tempo para os pais, para os amigos, principalmente para Maria Rita, sua amiga mais próxima e a quem tinha verdadeira atração sentimental e admiração intelectual? Se pelo menos estivesse com a roupa que usara nas visitas aos pontos turísticos de Constantinopla, no momento da sua progressão cósmica, ainda assim, não os convenceriam. Poderia tê-las comprado em algum brechó temático, fantasia carnavalesca, por exemplo. Concluiu que aquela seria uma história que ele teria que enterrá-la para sempre, no seu túmulo de memórias.


Este conto eu o escrevi no último, sábado e domingo, dias 17 e 18 de agosto. Espero que goste. Au revoir.


A propósito, você já acessou a fan page do meu livro infantil Juju Descobrindo Outro Mundo? Não imagina o que está perdendo. Acesse: www.fecebook.com/jujudescobrindooutromundo.

E o site da Juju Descobrindo Outro Mundo, já o acessou? Se eu fosse você iria conferir imediatamente. Acesse: www.admiraveljuju.com.br 



Imagens ilustrativas: Google


domingo, 4 de maio de 2014

Quais são os dez livros que mais marcaram sua vida?



Fatos curiosos e consideráveis também acontecem nas redes sociais. É claro que, a quantidade de assuntos fúteis, desnecessários, fofocas, autopromoção de beleza estética, inconveniência e indiscrição, também se fazem presentes. Há também aqueles céticos que não acreditam que o homem já chegou à lua, também pudera, como lunáticos, só podem estar no mundo da lua! Essas pessoas podem até achar que estou exagerando, mas não é difícil conferir os fatos, só um cego não veria estas incoerências. Mas vamos ao que nos interessa no momento: literatura.

O Facebook – entre as redes sociais –, pode-se afirmar ser um excelente meio de comunicação com destaque cultural, bem utilizado, é claro. Vou citar algumas páginas em que os seus administradores interagem de forma harmoniosa; preocupam transmitir bons conteúdos, promover saborosas discussões, enquetes e proveitosas indicações de bons livros entre os seus aliados.

São páginas dirigidas aos aficionados pela boa leitura. Onde os seus integrantes se interagem de forma inteligente propondo e apresentando sugestões, independente de qual seja, a escola ou tendência literária com valiosos resultados. Ao citá-las posso estar me esquecendo de algumas que também são dignas de reconhecimento pelo seu prestígio de informar com equilíbrio e compromissadas de promover a leveza de uma saudável leitura. Aos editores dessas páginas não mencionadas, que me perdoem pelo branco mental.

Eis algumas páginas que sigo no Facebook, que as considero bons exemplos de empáticas e proveitosa propostas de convivência literária: Grupo de Leitura – O vendedor de livros; Memei Correa – A vida em poesia; LP-Books Editora - Seleta Cultural Brasil Portugal; Biblioteca do Kaká; Macarani/BA; Baú do professor; Skoob – Estante virtual; Orvalho d’Alma, Núpcias d’Alma; e Sussurro poético. Todas estas páginas merecem ser respeitadas pela agradável interação entre os seus discípulos, sem apelar pela mediocridade e a ressurreição da ignorância literária.

Esta enquete bem credenciada que encontrei na internet: "Quais são os dez livros que mais marcaram sua vida?" é de autoria do nosso amigo no face, Danilo Venticinque, Editor de livros de ÉPOCA, na qual, mantém às terças-feiras na sua coluna, enfoques de análise e crítica sobre leitura, literatura e o mercado editorial. Somente ampliei sua publicação original, sem, contudo, desestruturar seu excelente trabalho. Foi apenas um impulso, no sentido de expandir as informações sobre as obras autorais evidenciadas de cada escritor da pesquisa. Mais um detalhe: esta publicação está autorizada pelo autor.


Quais são os dez livros que mais marcaram sua vida?

Doze autores aderem à corrente que começou no Facebook e revelam seus dez livros favoritos



Até as correntes na internet podem ser úteis de vez em quando. Nas últimas semanas (janeiro/14), em vez de histórias de fantasmas, lendas urbanas e notícias falsas, minha linha do tempo no Facebook foi inundada por uma bem-vinda série de mensagens virais. Um amigo publicava sua lista de dez livros favoritos e convidava outros dez a fazer o mesmo. Esses dez convidavam outros dez e, de repente, a rede social havia se transformado numa animada mesa de bar para discussões literárias. Por que esse Philip Roth e não aquele? Por que Brás Cubas e não Dom Casmurro, ou mesmo Quincas Borba? Por que só romances? Por que nenhuma mulher? Logo todos chegavam à conclusão de que todas as listas são imperfeitas, mas nem por isso menos divertidas.

Os mais mal-humorados certamente não entrarão na brincadeira. Dirão que dez livros é muito pouco para abarcar toda sua paixão pela leitura e que esse tipo de lista é tão inútil quanto qualquer outra coisa publicada no Facebook. É um exagero. Ninguém resolverá grandes questões da literatura universal com meia dúzia de likes e comentários, mas as listas têm seu valor. Servem não só para que troquemos indicações de leitura, mas também para nos conhecermos melhor. Dez livros são o bastante para que esbocemos um perfil do autor da lista – não só de suas preferências literárias, mas também de sua personalidade. É um retrato superficial, claro. Mas o que não é superficial no Facebook?

Tão interessante quanto saber o que nossos amigos lêem, é descobrir os livros de cabeceira de escritores de sucesso. Além de especular sobre suas preferências literárias e personalidade, podemos usar a lista como ponto de partida para tentar desvendar as principais influências de suas obras e as raízes de seu estilo.

Convidei doze autores de diferentes gêneros e idades para participar da brincadeira. Suas listas são interessantes tanto para fãs que querem conhecer melhor seus autores favoritos quanto para leitores curiosos em busca de boas indicações de leitura.



Joan Pablo Villalobos, autor de Festa no Covil: é o seu primeiro romance, mas poderia ser o décimo. A voz que conta a história é o jovem Tochtli, que quer ganhar um hipopótamo anão da Libéria, tem uma coleção de chapéus e sabe muitas palavras difíceis. Com um desejo tão surreal, o livro poderia ser uma história sobre as fantasias de uma criança – e não deixa de ser, mas não é apenas isso. Afinal, Tochtli pode conseguir os hipopótamos anões da Libéria para seu pequeno zoológico que fica no quintão de seu “palácio”, uma casa grande no meio do “nada” no México.

Tochtli pode ter quase tudo que quer, inclusive hipopótamos anões da Libéria. Seu pai é um poderoso traficante mexicano e vive confinado com o filho em seu palácio, na companhia de poucos integrantes de seu bando. Pelos olhos inocentes do observador e inteligente Tochtli, nós temos uma visão diferente da vida de um poderoso traficante.

A história me passou a mesma sensação que tive ao ler “O Menino do Pijama Listrado” – embora sejam completamente diferentes entre si. A sensação comum que as duas histórias me passaram é que são duas crianças inocentes, alheias ao papel dos seus pais no mundo que vivem (no caso de Bruno, um oficial nazista; já Tochtli tem um pai que é um traficante). A inocência que Tochtli encara o mundo é surpreendente, ao mesmo tempo que a morte é algo comum para ele, faz parte do seu cotidiano. Ele tem uma maneira muito peculiar ao falar de certos assuntos, mas ainda assim é velado, você sente a proteção que o pai tem com ele para que descubra as coisas na hora certa – especialmente em relação às notícias na TV. Acho que foi isso que me lembrou muito “O Menino do Pijama Listrado”, pois os pais de Bruno e Tochtli são pais, apesar de tudo. Até quem consideramos menos humanos possuem um lado humano.      Por Iris Figueiredo.

1. Dom Quixote, de Miguel de Cervantes
2. Cândido ou o otimismo, de Voltaire
3. Jacques o fatalista, de Diderot
4. Tristram Shandy, de Laurence Sterne
5. Ferdydurke, de Witold Gombrowicz
6. El uruguayo, de Copi
7. A lua vem da Ásia, de Campos de Carvalho
8. Nadie encendía las lámparas, de Felisberto Hernández
9. Una violeta de más, de Francisco Tario
10. Ese modo que colma, de Daniel Sada



Raphael Montes, autor de Suicidas: Nasceu em 1990, no Rio de Janeiro. Advogado e escritor, publicou contos em diversas antologias de mistérios, inclusive na revista Playboy e na prestigiada revista americana Ellery Queen Mystery Magazine. Suicidas é o primeiro romance do autor, nascido de um projeto de mesclar subgêneros clássicos do policial em uma roupagem moderna. Amante e pesquisador do tema, Raphael é dono de uma biblioteca com mais de 5.000 livros do gênero e autor de variados estudos, tendo uma coluna semanal sobre literatura policial no Jornal do Brasil.

Sua pouca idade e a escrita tensa e instigante chamaram a atenção do mercado literário brasileiro: Suicidas (Ed. Benvirá) foi finalista do Prêmio Benvirá de Literatura 2010, do Prêmio Machado de Assis 2012 da Biblioteca Nacional e do prestigiado Prêmio São Paulo de Literatura 2103.

Sucesso de crítica e bem recebido pelos leitores, o autor foi recentemente convidado a publicar em inglês, em antologia policial organizada por Clifford Landers, ao lado de nomes como Rubem Fonseca, Lygia Fagundes Telles e Patrícia Melo. Além disso, realiza trabalhos como copidesque, ministra palestras sobre o processo criativo e escreve o projeto de uma série policial para TV. Dias Perfeitos, sua próxima obra policial, foi publicada pela Ed. Companhia das Letras em março deste ano.   Por Walcir Carrasco, escritor e novelista.

1. O caso dos 10 negrinhos, de Agatha Christie
2. O talentoso Ripley, de Patricia Highsmith
3. Se um viajante numa noite de inverno, de Italo Calvino
4. Paciente 67, de Dennis Lehane
5. Um estudo em vermelho, de Arthur Conan Doyle
6. Dom Casmurro, de Machado de Assis
7. Elogio da mentira, de Patricia Melo
8. Clube da luta, de Chuck Palahniuk
9. Um assassino entre nós, de Ruth Rendell
10. Traduzindo Hannah, de Ronaldo Wrobel

Vanessa Barbara, autora de Noites de Alface: É jornalista, tradutora e escritora. Depois de um livro-reportagem (O Livro Amarelo do Terminal), um romance em co-autoria (O Verão do Chibo, com Emilio Fraia), um infantil (Endrigo, O Escavador de Umbigos) e uma graphic-novel (A Máquina de Goldberg, com Fido Nesti), Vanessa lança o seu primeiro romance em parceria consigo mesma, como ela diz.

Noites de Alface estreou antes de virar romance. Suas páginas iniciais foram publicadas na coletânea dos melhores jovens autores brasileiros da revista Granta, que saiu pela editora Alfaguarra no ano passado, criando expectativa entre os leitores sobre o que viria a seguir. “Todo mundo esperava um romance mais introspectivo e triste, a julgar pelo capítulo inicial”, suspeita a autora. Mas, a julgar pela forte presença do humor que ajuda a diluir o peso do drama central do livro, sairão melhor contemplados aqueles que esperarem de Noites de Alface a ironia afiada e o destaque às sutilezas cotidianas, típicos dos textos da autora.

O epicentro da história é o drama da perda, a partir do qual se desdobram outros temas, como a percepção do outro, a individualidade no contexto da vida comum e a imprevisibilidade da morte, que chega justamente quando ninguém está preparado – na casa de Otto, as roupas ainda pingavam no varal. 

A personalidade de Otto, o personagem principal do livro, vai se mostrando conforme ele interage com uma numerosa vizinhança que se compadece dia a dia pela morte da esposa. Os personagens, quase todos amalucados ou dotados de alguma peculiaridade – como um jovem obcecado por bulas de remédio ou uma senhora adepta do sincretismo religioso – ajudam Otto a lidar com a perda e reencontrar sua individualidade confundida na vida a dois.

Vanessa constrói com habilidade as contradições dos personagens para demonstrar a natureza volúvel do ser humano. Ao mesmo tempo em que se mostra ranzinza e indisposto a lidar com os outros, o personagem Otto é extremamente doce, o que fica visível em trechos como este: “Ada amava o quintal. Quando estava com ela, Otto amava também; sozinho, detestava igualmente as tulipas e os vizinhos.”     Por Renata Penzani

1. Tristram Shandy, de Lawrence Sterne
2. Madame Bovary, de Gustave Flaubert
3. Bouvard e Pécuchet, de Gustave Flaubert
4. O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald
5. Moby Dick, de Herman Melville
6. A consciência de Zeno, de Italo Svevo
7. Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll
8. Histórias de Cronópios e de Famas, de Julio Cortázar
9. O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien
10. Hamlet, de William Shakespeare



Carolina Munhóz, autora de Feérica: É jornalista, romancista, integrante do Potterish, um dos maiores sites de Harry Potter do mundo e do Rapadura, Cast do site Cinema com Rapadura. Carol lançou o livro chamado ''A Fada'' e é também autora de Feérica. Carolina Munhóz lança seu mais novo livro, o Feérica. Mais uma ótima e diferente visão do seu já consolidado universo de fadas. Carolina Munhóz lança seu mais novo livro, o Feérica. Mais uma ótima e diferente visão do seu já consolidado universo de fadas.

Violet sempre foi uma fada diferente, a começar pelos cabelos roxos e por ser dona de uma disposição suficiente para realizar seu maior sonho: ser famosa. Ao se transportar para Hollywood, de repente, tudo o que desejou passa a ser real. Festas badaladas, encontros amorosos com jovens milionários, dinheiro e fama passam a fazer parte do cotidiano de Violet Lashian. 

Mas, sem contatos, sem amigos por perto e diante de uma nova cultura, será que ela será capaz de manter a pureza de sua raça mágica em um mundo corrompido pelo deslumbre material? A partir daí, ao perceber que se tornar uma estrela na Terra é tão difícil como se destacar em Ablach, El tem que aprender lidar com o pior da sociedade humana. Será que ela vai conseguir?

Ainda não sabemos, mas estamos ansiosos para descobrir o que acontece em Feérica, o novo livro da escritora Carolina Munhóz, da Fantasy – Casa da Palavra, que está em pré-venda e já disponível em todo país a partir de julho de 2013. Quem curtiu os últimos livros da autora, A Fada e O Inverno das Fadas, certamente vai se encantar por Feérica.   Por Lívia Lopes

1. Harry Potter, de J.K. Rowling
2. Brida, de Paulo Coelho
3. As brumas de Avalon, de Marrion Zimmer Bradley
4. Dragões de éter, de Raphael Draccon
5. Anjos e demônios, de Dan Brown
6. Eragon, de Christopher Paolini
7. Jogos vorazes, de Suzanne Collins
8. Os homens que não amavam as mulheres, de Stieg Larsson
9. Fortaleza digital, de Dan Brown
10. A culpa é das estrelas, de John Green


Raphael Draccon, autor de Dragões de Éter: É roteirista profissional e autor de literatura fantástica contemporânea, ficção de horror e romances sobrenaturais. É o autor mais jovem a assinar com os braços nacionais deduas das maiores holdings editoriais do mundo, e roteirista premiado pela American Screenwriter Association. Um dos autores ignorados por Frankfurt, motivo que fez Paulo Coelho desistir de ir à feira. Raphael Draccon de “Dragões de Éter” faz sucesso no México. Em cinco meses, sua trilogia ocupou o quarto lugar nos mais vendidos da Sanborns, a maiaor rede de livrarias daquele país. 

Ao lado de André Vianco e Eduardo Spohr, Raphael Draccon completa a tríade de autores brasileiros de ficção especulativa, mais bem-sucedidos dos últimos tempos. Enquanto o primeiro ficou notório pela autopublicação de “Os Sete”, vendendo-o diretamente às livrarias no ano de 2000, e o segundo utilizando as redes sociais e a força do “podcast” do Jovem Nerd, Raphael aqui utilizou-se do caminho convencional, sendo publicado inicialmente por uma grande editora como a Planeta e posteriormente pela gigante portuguesa Leya, a mesma casa do adorado George Martin aqui no Brasil, com o seu “Guerra dos Tronos”.   Por Pablo Grilo

1. Capitães da areia, de Jorge Amado
2. O rei do inverno, de Bernard Cornwell
3. O iluminado, de Stephen King
4. Robin Hood, autor desconhecido
5. Conan, de Robert Howard
6. O Senhor dos anéis, de J R.R. Tolkien
7. As crônicas de gelo e fogo, de Geo’rge R.R. Martin
8. Musashi, de Eiji Yoshikawa
9. Sandman, de Neil Gaiman
10. A menina que roubava livros, de Mark Zusak

Thalita Rebouças, autora de Era uma vez minha primeira vez: Antes de superar fronteiras, a obra da escritora chegará aos cinemas brasileiros. A autora fechou contrato com três produtoras cinematográficas diferentes para transformar em filmes Ela disse, ele disse, Uma fada veio me visitar e Tudo por um namorado. “Já negociei os direitos, só está faltando mesmo assinar o contrato de Tudo por um namorado, mas está praticamente tudo certo. São três livros meus que estão sendo adaptados para a telona, acho que em 2012 já devem estar pipocando, eu espero”, adianta.

Antes de ser conhecida, Thalita distribuía pirulitos em livrarias e anunciava seus livros em altos brados nas feiras literárias. O sucesso não mudou o seu estilo peculiar de divulgar seu trabalho. Durante a noite, distribuiu brigadeiros para as leitoras, em uma simpática caixinha com a inscrição “Ler comendo brigadeiro é legal”, e “botons” da campanha “Ler é bacana”. “É uma resposta ao ‘ler é chato’, que eu tanto ouvi no começo da minha carreira há 11 anos. Ler não é chato, é muito legal. Já distribuí mais de 20 mil “botons” ao longo desses anos todos, e muita gente boa já aderiu essa campanha. O Veríssimo, Zuenir Ventura, João Ubaldo, Guti Rocha, Ziraldo. Fico muito feliz por ver os “botons” nas mochilas das alunas das escolas por onde passo. É lindo, é fofo”, comemora.

Antes da criação literária, Thalita Rebouças passou pela faculdade de Direito durante dois anos. Depois, resolveu cursar jornalismo e trabalhou em várias redações e assessorias de imprensa no Rio de Janeiro, no Guarujá e em Nova York. Hoje, ela acredita que em time que está ganhando não se mexe e persiste na temática adolescente – sempre tratada com muito bom humor. “Fico muito à vontade para escrever sobre o universo feminino. Eu não vou escrever livros de vampiro e não vou escrever um livro de bruxa. Crepúsculo eu comecei a ler, mas eu não amo vampiro e não terminei. Mas bato palmas para a Sthephanie Meyer, por ter feito tanta gente ler. Harry Potter eu li o primeiro, gostei muito, mas também não me interesso por bruxos e não quis ler o resto da série”, conta.

Em Era Uma Vez Minha Primeira Vez, ela conta a história de seis amigas inseparáveis, todas entre 15 e 19 anos, que enfrentam juntas o antes, durante e depois de um dos momentos mais importantes de sua vida: a primeira relação sexual. Mas não espere um manual com dicas sobre sexo, virgindade, gravidez e afins. “Não é um livro que a pessoa vai ligar para o namorado e falar: ‘estou pronta, vamos hoje’. Pelo contrário, é um livro que faz a menina pensar. É um livro que vai fazer companhia às meninas que estão pensando nisso ou ainda vão passar pela situação. O livro trata das emoções, do antes e depois, o sexo em si passa batido”, pondera, sem querer usar tom professoral. “Não quero ser uma tia chata. Sou uma tia legal”, conta Thalita, que se tornou ídolo das adolescentes e lança ‘Era uma vez minha primeira vez’, sua 12ª obra, e tem três títulos sendo adaptados para o cinema       
Por Leo Pinheiro

1. Ensaio sobre cegueira, de José Saramago
2. Travessuras da menina má, de Mario Vargas Llosa
3. O grande mentecapto, de Fernando Sabino
4. Comédias da vida privada, de Luis Fernando Verissimo
5. Navegação de cabotagem, de Jorge Amado
6. O menino do pijama listrado, de John Boyne
7. A hora da estrela, de Clarice Lispector
8. Feliz ano velho, de Marcelo Rubens Paiva
9. Um brasileiro em Berlim, de João Ubaldo Ribeiro
10. A invenção de Morel, de Adolfo Bioy Casares
  

Fabrício Carpinejar, autor de Ai meu Deus, Ai meu Jesus, como diz o subtítulo, é um maravilhoso livro escrito por Fabrício Carpinejar que fala sobre amor e sexo. Em suas deliciosas crônicas o autor entra na alma do leitor, em especial na alma das leitoras. Trata sobre sexo e casamento, encontro e sentimentos ardentes dos amantes apaixonados, a dor de um amor não correspondido, o desejo que as mulheres têm em ser desejadas e mais outras gostosuras. Revela-se, colocando a sua essência no livro e acaba fazendo com que quem leia se encontre em suas palavras. Vale à pena se lambuzar!    Por Bárbara Barros

1. Poemas para combater a calvície, Nicanor Parra
2. Dom Quixote, de Miguel de Cervantes
3. Ofício de Viver, de Cesare Pavese
4. Alguma Poesia, de Drummond
5. Paradiso, de Lezama Lima
6. Werther, de Goethe
7. O conde e o passarinho, de Rubem Braga
8. A Paixão segundo G.H., de Clarice Lispector
9. Cão sem plumas, de João Cabral
10. Álvaro de Campos, de Fernando Pessoa

 
Ricardo Lísias, autor de Divórcio: Categorizado como "autoficção", este novo romance de Ricardo Lísias conta como o autor conheceu de fato a jornalista com quem estava casado havia quatro meses. Para encurtar a história trás assim, sua história: Um escritor encontra em casa o diário de sua mulher, onde ela revela o que de verdade o que de verdade pensa dele: um homem que não viveu, inexperiente, desinteressante, entediante, nada apaixonante, sem graça. "Patético", "autista", "esquisito" e "apenas um menino bobo", são alguns dos adjetivos que ela usa para defini-lo.
Ao mesmo tempo, vê o contraste do que ela pensa de si mesma: bela, sedutora, bem-sucedida, bem vestida, bem educada, experiente, viajada, desejada. "Sou a melhor jornalista de cultura do Brasil", ela repete, em diversos trechos do diário.
O casamento acaba ali, e ele tem de lidar com a vontade de morrer, de sumir, de se recompor. Se fosse uma obra de ficção, essa seria uma grande ideia para um romance. Não sendo, é uma tragédia pessoal para os dois envolvidos. Ele foi atropelado pelo desprezo que não desconfiava que a mulher tinha dele. Ela foi exposta a ponto de ver trechos inteiros do seu diário, com seus pensamentos mais íntimos e pessoais, as verdades que ela não tem coragem "de contar nem para o terapeuta", transpostos para o livro. .Por iG São Paulo  
1. Dom Quixote, de Miguel de Cervantes  
2. Quincas Borba, de Machado de Assis
3. Ulysses, de James Joyce
4.
Rumo ao farol, de Virginia Woolf

5. Noturno do Chile, de Roberto Bolaño
6. A vida modo de usar, de George Perec
7. As benevolentes, de J. Littell
8. Grande Sertão: veredas, de João Guimarães Rosa
9.
Carta ao pai, de Franz Kafka

10. Molloy, de Samuel Beckett


 
Luisa Geisler, autora de Quiçá. A estreia no romance com “Quiçá”, que recebeu o Prêmio Sesc de Literatura, vem após Luisa Geisler ter ganhado, por “Contos de mentira”, o mesmo prêmio na categoria contos em 2010. Paralelamente, tornou-se a mais jovem integrante do grupo de autores a participar da edição brasileira da revista literária “Granta”. Conquistas que, por si só, levam editoras, críticos e novos leitores a examinar com mais atenção a prosa dessa escritora gaúcha de 21 anos.

Luisa é uma escritora ambiciosa, no bom sentido da palavra, e não se contenta em escrever de forma linear, nem por saídas fáceis. Opta por investigar um período conturbado da formação do sujeito, a adolescência, com todas suas contradições, suas elipses, seus mal-entendidos. Para contar esta história do ponto de vista de Clarissa, com 11 anos, e de seu primo Arthur, a autora constrói uma estrutura que intercala capítulos sobre as descobertas e os embates entre os primos, com passagens curtas e tão variadas quanto um apedrejamento de uma mulher por adultério, uma citação de José Saramago ou a mera sentença solta na página: “Precisa-se de chapista.” Outros pedaços de histórias, reflexões, cenas descritivas, fragmentos esparsos que não almejam formar um conjunto a não ser o do próprio movimento perpétuo do mundo.      Por Giovanna Dealtry 

1. 
Eles eram muitos cavalos, de Luiz Ruffato
2. Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
3. Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa
4. O deus das pequenas coisas, de Arundhati Roy
5. O guia do mochileiro das galáxias, de Douglas Adams
6. Clases de literatura, de Julio Cortázar
7. Os sofrimentos do jovem Werther, de Goethe
8. As boas mulheres da China, de Xue Xinran
9. A farewell to arms, de Ernest Hemingway  
10. Clube da luta, de Chuck Palahniuk

 
André Vianco, autor de A Noite Maldita.  A obra marca a volta do autor à mitologia dos vampiros, tema que o consagrou em livros como Os Sete e Sétimo.

A história de A Noite Maldita é ambientada trinta anos antes dos acontecimentos relatados na saga Vampiro Rei (Bento, Cantarzo e Bruxa Tereza) e conta as origens da epidemia que adormecia as pessoas e as transformava em vampiros, além de mostrar as primeiras mobilizações de resistências nas cidades brasileiras. A narrativa segue os passos de Graziano, um sargento da policia militar que sai em busca de sua irmã e seus sobrinhos, ao mesmo tempo em que tenta cumprir seu dever profissional de proteger a sociedade.

De acordo com a editora Novo Século, o livro está disponível nas lojas desde a primeira semana de abril de 2013.      Por Thiago Romariz

 1. A dança da morte, de Stephen King
2. Os miseráveis, de Victor Hugo
3. Não verás país nenhum, de Ignácio de Loyola Brandão
4. Marcelo marmelo martelo, de Ruth Rocha
5. Musashi, de Eiji Yoshikawa
6. Páginas de sombra, antologia de Bráulio Tavares.
7. Contato, de Carl Sagan
8. O diário da sibila rubra, de Kizzy Isatis
9. Operação cavalo de Tróia, de J. J. Benitez
10. A fera na selva, de Henry James

 
Leticia Wierzchowski, autora de Sal. É uma obra de literatura escrita para um dia de primavera, uma manhã silenciosa e com as reminiscências do frio de inverno. É uma leitura claramente inspiradora (especialmente para aqueles que sonham um dia escrever seu próprio romance), mas que precisa ser degustada com parcimônia e tempo. A narrativa é fluida, mas poética e floreada, portanto o leitor deve reservar um momento seguro e de exclusividade para se perder nas palavras que compõe a história.

Desde o início da leitura há aquela sensação inquietante de que precisamos estar atentos a cada palavra , pois elas guardam um segredo, o prenúncio de que acontecimentos impactantes estão por vir. Seja para o melhor ou para o pior. A autora faz uso livre de simbologia e metáforas que ajudam a criar a qualidade imaginativa e quase alegórica do romance. Fãs de literatura terão muitas razões para encontrar em “Sal” uma leitura extraordinariamente prazerosa. A autora dá vida às suas personagens através de cores que carregam suas personalidades e as escolhas que modificaram as vidas de todos os membros de uma família. A marca de uma grande história (bem contada) está no fato de que ao terminar a leitura senti que aquelas pessoas viviam agora em mim. Para mim, o fato de Flora, uma das vozes narradoras da obra, ser uma leitora convicta e escritora apaixonada, foi um verdadeiro conforto e eu me senti em meu próprio elemento.     
Por Marina Moura

1. 
Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar
2. Rumo ao Farol, de Virgínia Woolf
3. Lolita, de Nabokov
4. Jovens de um novo tempo, despertai!, de Kenzaburo Oe
5. O barão nas árvores, de Ítalo Calvino
6. O mar, de John Banville    
7. A marca humana, de Philip Roth  
8. O destino de um homem, de W. Somerset Maugham
9. O bom soldado, de Ford Madox Ford
10.  Cem anos de solidão, de Gabriel Garcia Marquez

 
Eduardo Spohr, autor Filhos do Éden: Diferentemente de seu primeiro livro, onde o foco era sobre o universo e, principalmente, sobre um evento específico – o seu fim, a trama de “Filhos do Éden” trata quase que exclusivamente dos personagens, e considera a guerra celeste como pano de fundo para explorar a característica de cada casta angélica, bem como as motivações individuais deste grupo de protagonistas. Apesar de haver certa urgência nos acontecimentos que permeiam a missão de Kaira, nada é tão importante quanto à revelação de seu passado, algo extremamente ínfimo, dada as dimensões da guerra, mas de extrema importância se olharmos para a trama atual.
O foco mais intimista do romance é uma escolha pertinente, da maneira que diante dela o monomito (Campbell, 1949) pode ser melhor explorado, criando um elo mais forte de identificação e sedução entre o leitor e a obra; embora o autor tenha utilizado tal estratégia de maneira um tanto óbvia, obedecendo quase que religiosamente a “cartilha” sem qualquer indício de incursões arriscadas. Certamente em “A Batalha do Apocalipse”, Spohr usou seu talento na forma mais purista, conquistando seu público quase que unicamente por sua inventividade, o que não desmerece completamente seu segundo trabalho, mas realmente demonstra uma escolha mais segura.
Talvez o maior mérito de Spohr seja sua capacidade de criar conceitos inteligentes, sendo eles originais ou reaproveitados de mitologias humanas – como quando discorre sobre vértices, vórtices, tecido da realidade e os diferentes céus. Sua narrativa, entretanto, ainda carece de brilho, e esboçam algumas decisões equivocadas ao intercalar de forma confusa, diversos acontecimentos em uma suposta teia de eventos que compartilham relações de causa e consequência. A concepção desses conceitos juntamente à sua habilidade descritiva extremamente incisiva faz de Spohr um magnífico escritor de livros de RPG, mas um não tão brilhante autor de romances de fantasia.         Por Revista Ambrósia
1. 1984, de George Orwell
2. Shogun, a gloriosa saga do Japão, de James Clavell
3. Pilares da Terra, de Ken Follet
4. Lúcio Flávio, passageiro da agonia, de José Louzeiro
5. Entrevista com o vampiro, de Anne Rice
6. O iluminado, de Stephen King
7. O rei do inverno, de Bernard Cornwell
8. Conan, o cimério, de Robert E. Howard
9. O exorcista, de William Peter Blatty
10. O apanhador no campo de centeio
, de J. D. Salinger


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