Mostrando postagens com marcador iluminado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador iluminado. Mostrar todas as postagens

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Hermann Hesse, o escritor que valorizava os princípios doutrinários


Esta publicação do Bússola Literária provavelmente irá atingir com mais frescor os leitores que conhecem a temática literária de Hermann Hesse. Aqueles que tiveram o privilégio de infiltrar no seu domínio linguístico e nas suas sutis exposições sobre o destino do homem como ser e como coadjuvante de uma sociedade às vezes incompreensível e repleta de conceitos dogmático e familiar.

A vida de Hermann Hesse é um tanto curiosa. É recheada de conturbações atemporais, com muitas oscilações de altos e baixos. Talvez tenha sido este o motivo do escritor transpor para suas obras fragmentos pessoais de sua vida, como se fossem um ingrediente necessário no tempero de sua narrativa.

Algo parecido com o cineasta Alfred Hitchcock, que por sua vez, fazia questão de aparecer nos seus filmes, mesmo de forma quase imperceptível, abrindo uma porta ou como um simples porteiro de edifício, sem dizer sequer uma palavra, apenas para estar ali, compondo a ideia.

No livro Demian, Hesse conta a história de Emil Sinclair, criado nos fundamentos dos princípios religiosos da família, desconhecia a realidade à sua volta. Até encontrar o temido Franz Kromer que estudava na mesma escola que frequentava. Com ele e as perseguição a que era submetido, foi compelido a descobrir o que realmente haveria que enfrentar na escola da vida.

Este novo estágio do autoconhecimento, fez com que descobrisse a outra face destemida de sua personalidade que se encontrava adormecida. Afloram-se também, no conjunto das novidades, os seus questionamentos existenciais.

A partir do momento que conhece e passa conviver com Max Demian, colega de classe que já estava habituado com o mundo austero da vida. O qual conhecia com maestria os meandros da prática do bem e do mau, Sinclair teve coragem suficiente para se defender das provocações de Kromer.

Em Sidarta, Hesse traduz em livro sua viagem à Índia 1911. Depois de conhecer vários lugares, principalmente os templos religiosos, Hesse, escreveu Sidarta narrando sua história inspirada no Buda (Siddhártha Gautama), o Iluminado. E que também ganhou a imortalidade pelo povo oriental, como Gotama, o Sublime.

No livro Sidarta o personagem infiltra no estudo dos vedas, em busca da iluminação, da paz de espírito e no seu autoconhecimento. Com o amigo Govinda, juntam-se aos “samanas” e logo aprendem a controlar os sentidos: a pensar, esperar e jejuar. O seu próximo passo seria ir em busca do Absoluto, do seu Eu espiritual.

Sua tarefa não é nada fácil. Mesmo tendo passado por quase todas as experiência ao seu alcance, ainda precisava de algo mais, encontrar de fato o seu autoconhecimento. Nestas suas andanças conhece Vasudeva, o balseiro. Com ele passa a viver momentos de tranquilidade e a ouvir a voz do rio.

O livro é interessantíssimo. Alguns chegaram a conceituá-lo como novela. No entanto, É mais um livro que Hermann Hesse aprofunda no íntimo do ser.

Em O Lobo da Estepe, Hermann Hesse mais uma vez se transpõe de maneira sutil, para viver o personagem Harry Hailler, uma pessoa culta que gosta de ler, ouvir músicas clássicas, teatro e ocasionalmente dar suas caminhadas noturnas, para manter-se ciente do mundo que o cerca. Embora com todos esses requisitos de uma pessoa notável, preferia viver na solidão, distante da realidade da época.

Harry Hailler sobrevive nesse ambiente inteiramente pessoal, até encontrar Hermínia, Maria e Pablo. A partir daí, sua visão adquire robustez, através dos ensinamentos filosóficos, sociológicos, espirituais e sua preocupação com a morte. Afinal, trata-se de um cinquentenário, então a morte pra ele era uma questão de tempo, mesmo já tendo na sua insatisfação pessoal desejado abreviá-la.

Outro livro de Hesse que merece ser absorvido nas suas entranhas.

Em O Jogo das Contas de Vidro, a história conta a vida de José Servo, o estudioso Magister Ludi, membro do respeitável Jogo de Avelório; mestre do Jogo que dá nome à obra: O Jogo das Contas de Vidro.

Por se tratar de uma criação ambientada numa época do futuro bem distante de quando foi escrito, Hesse dá um salto no tempo, e cria na composição do livro uma comunidade formada por intelectuais e pensadores de altos conhecimentos. É evidente que os embates filosóficos, espirituais e ideológicos são constantes. O que torna o conteúdo forte e profundo na sua concepção.
         
O curioso é que a história foi criada em 1943. Mesmo em se tratando de uma época tão remota, a mensagem é visionária, intricada, mas capaz de alimentar a expectativa do leitor.


Sua obra virou nome de uma banda norte-americana


No início da Primeira Guerra Mundial, Hermann Hesse se engaja em projetos e serviços humanitários. Um de seus trabalhos foi a criação de um grupo que se ocupou com a remessa de livros para presos em campos de concentração. Em 1915 publica “Knulp”, obra na qual o autor mostra ao leitor o quanto o homem depende de convenções sociais.
Em 1916 Hermann Hesse é acometido de uma crise nervosa que o prende por meses no sanatório Sonnmatt, em Lucerna, na Suíça. Tem início uma profunda amizade com o psicanalista J. B. Lang. Nesse estado de espírito publica um artigo contra a guerra sob o pseudônimo de Emil Sinclair e começa a ocupar-se regularmente com a pintura aquarelista.
Em 1919 publica “O Regresso de Zaratustra”, obra dirigida aos jovens: “O mundo não está aí para ser melhorado. Mas vocês estão aí para serem vocês mesmos. Vocês estão aí a fim de que este mundo sombrio, com esse acorde e com esse tom de vocês, fique mais rico. Seja você mesmo e o mundo tornar-se-á mais belo e mais rico”. Paralelamente Hermann Hesse muda-se para a Casa Camuzzi, em Montagnola, no Tessino, onde permanece até 1931.
Ainda em 1919, Hesse publica “Demian”, sob o pseudônimo de Emil Sinclair, e faz amizade com Ruth Wenger, com a qual acaba se casando. O casamento dura apenas três anos, de 1924 a 1927. Em 1921 Hesse começa a escrever “Sidarta”, o qual teve que interromper em virtude de um bloqueio psíquico. Hesse cai em profunda depressão. Começa a sua segunda análise psicanalítica, dessa vez, com o renomado psiquiatra C. G. Jung. Em 1922 termina e publica “Sidarta”, sobre o qual Henry Miller escreveu: “Sidarta é, para mim, um medicamento mais eficiente do que o Novo Testamento”.
Nesse entretempo Hesse pu­blicou várias obras, entre elas, “O Lobo da Estepe” (1927). No mesmo ano Ninon Dolbin aloja-se na Casa Camuzzi, aparentemente como secretária. Em 1931 Hesse começa a escrever “O Jogo das Contas de Vidro” e se casa com Ninon Dolbin. Em 1931 Hesse muda-se para a “Casa Rossa”, uma mansão construída por um abastado admirador, H.C. Bodmer, que deu a Hesse o direito de ocupá-la até a sua morte. No muro da porta de entrada Hermann Hesse prendeu uma tabuleta com os seguintes dizeres: “Não recebo visitas”. Certo dia subiu à montanha seu amigo Thomas Mann. Este, ao ler os dizeres, deu meia-volta. Conta-se que nunca mais os dois escritores voltaram a se encontrar. A “Casa Rossa” hoje é propriedade particular.
Em 1943, doze anos após iniciá-lo, publica sua obra máxima “O Jogo das Contas de Vidro”. Em 1946 Hermann Hesse é agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura.
Não é possível comentar todas as obras de Hesse num texto relativamente breve. Além disso, há resenhas de seus livros em mais de cinquenta línguas. Por esta razão procuramos dar especial ênfase ao homem Hermann Hesse, pois é imprescindível conhecê-lo para podermos compreender e fruir o conteúdo, a beleza e a profundidade de sua obra.
Hermann Hesse ainda era vivo e sua obra já tinha sido traduzida para 34 idiomas. “Parece-me que os japoneses são os que melhor me entendem e os que menos me entendem são os americanos. Mas esse também não é o meu mundo. Nunca chegarei lá”, comentou logo após ter recebido o Nobel.
Em meados dos anos 1950, o editor Siegfried Unseld recomprou os direitos sobre a obra de Hermann Hesse por 2 mil dólares. Assinado o contrato, Unseld e o antigo editor foram para o almoço, durante o qual o americano disse: “Se o senhor quiser rescindir esse contrato tão desvantajoso, podemos cancelá-lo”. Unseld não o cancelou e, passados dez anos, as obras de Hermann Hesse tornaram-se su­cesso também nos Estados Unidos quando a juventude hippie, à procura de novas alternativas de vida, confrontou-se com os textos de Hesse, este passou a ser visto como uma espécie de guru.
Outro fator que contribuiu para o sucesso de Hesse nos Estados Unidos foi a banda “Steppenwolf” (Lobo da Estepe), que adotou o nome do livro e fez com que a obra influenciasse várias gerações.
Hermann Hesse, além de dedicar-se a seus textos, empenhava grande parte de seu tempo em responder cartas de leitores. Nesse particular, supera Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), o grande autor clássico da literatura alemã, que escreveu mais de 30 mil cartas. Hermann Hesse escreveu mais de 40 mil. A maioria delas ainda estão preservadas.
Não apenas trocava correspondência com renomados homens da literatura, como Tho­mas Mann, Stefan Zweig e Romain Rolland, mas também com políticos, chefes de Estado e com milhares de leitores que lhe escreviam pedindo conselhos ou ajuda para problemas da alma humana.
Hesse fazia questão de responder pessoalmente às cartas que recebia. Ao responder às perguntas pessoais de leitores, Hesse costumava apelar à moral, à ética, à tolerância e aos fundamentos básicos do cristianismo do qual tentara livrar-se em Maulbronn.
Até agora apenas parte de suas cartas foram publicadas em dois volumes, está previsto o lançamento de uma edição completa de sua correspondência que deverá abranger um total de dez volumes.
Apenas “ler” Hesse não é suficiente. Para entendê-lo é necessário “encontrá-lo” e a melhor maneira de encontrá-lo é aprofundar-se em sua biografia. Em Calw, sua cidade natal, o município criou o Museu Hesse, no qual encontra-se grande parte de seu acervo. Sua casa em Gaienhofen, que hoje está como ele a deixara, também foi transformada em museu, e em Mon­tagnola, nas montanhas do Lago Lugano, encontra-se a terceira parte de seu acervo. 

Otto M. Carpeaux destaca o escritor em busca de libertação 

É oportuno mencionar um detalhe pouco conhecido da vida de Hermann Hesse: o autor foi grande admirador e profundo conhecedor dos contistas da Renascença Italiana. Em 1920 Hesse selecionou e publicou uma coletânea de 16 contos de autores italianos sob o título “Novellino”, na qual encontram-se cinco títulos de Franco Sacchetti, quatro de Giovanni Fiorentino, dois de Masuccio Salernitano, um de Nicolau Maquiavel, e quatro de autores anônimos. O título de Nicolau Maquiavel é “Belfagor” e foi Hesse que, pela primeira vez, o publicou em língua alemã. O “Novellino” de Hesse foi republicado na Alemanha numa versão atualizada em 2012.
Otto Maria Carpeaux, ao caracterizar Hesse, escreveu: “A vida de Hesse foi um caminho de sucessivas autolibertações, através de revoltas do individualista contra a escola, contra a família, contra o cristianismo, contra o estilo burguês de vida, contra a guerra, contra a Europa e contra todos os tabus que o lar, a sociedade, a religião e o Estado querem impor”. A caracterização de Car­peaux é correta. Falta apenas um detalhe: a única arma que Hesse usou foi a caneta.
Quem caminha pelas ruas de Calw encontra Hesse como eu o encontrei (Edgar Welzel, autor deste texto). Lá está ele, no meio da ponte sobre o Nagold, seu lugar preferido quando menino, em estátua de bronze em tamanho natural, com o seu inseparável chapéu à mão. O escultor deu-lhe um rosto tranquilo, talvez até feliz, e quando nos acercamos temos a impressão que Hesse fala conosco.
“Desci por estes barrancos do rio quando menino junto com outros de minha idade. Subíamos na balsa e os balseiros levavam-nos alguns quilômetros rio abaixo onde, numa curva, deixavam-nos saltar à margem donde regressávamos a pé”. A expressão de felicidade estampada em seu rosto parece dizer: “Hoje sei muito bem que nada na vida repugna tanto ao homem do que seguir pelo caminho que o conduz a si mesmo”.
Hermann Hesse morreu em 9 de agosto de 1962, em Mon­tagnola, aos 75 anos. Trans­corridos 50 anos, a data foi devidamente lembrada em 9 de agosto de 2012 com cerimônias, festejos, palestras e conferências realizadas durante todo o último trimestre do cinquentenário de seu falecimento ao redor do mundo. Suas obras continuam vivas e hoje, mais do que no passado, o número de leitores e admiradores de Hermann Hes­se aumenta em todos os quadrantes. Especialmente na Eu­ropa, Estados Unidos, Ja­pão, China, Índia e Coreia do Sul. Hesse continua sendo um au­tor de interesse universal. Tal­vez seja esta a verdadeira razão pela qual Hermann Hes­se nos cumprimenta com um sorriso feliz lá do alto da ponte de sua cidade natal.

Nota: Uma parte deste texto foi publicada na Revista Bula, categoria “Ensaio”, por Edgar Welzel em janeiro de 2014.    



A propósito, você já acessou a fan page do meu livro infantil Juju Descobrindo Outro Mundo? Não imagina o que está perdendo. Acesse: www.fecebook.com/jujudescobrindooutromundo.


E o site da Juju Descobrindo Outro Mundo, já o acessou? Se eu fosse você iria conferir imediatamente. Acesse: www.admiraveljuju.com.br 


Imagens: Google Image

sábado, 21 de setembro de 2013

Nunca é tarde para ser feliz



De repente me deparo com a sorte de ter amigos. Eu disse, amigos mesmo! Mesmo sendo pela internet, acredita? Pois existem. A publicação deste lindo conto de amor, só está sendo possível, com a ajuda indispensável da minha amiga virtual, Shirley Lopes, que muitas vezes tem a gentileza de dedicar um pouco do seu tempo, enviando-me “pps”, através do meu email. Felizmente as leio. E quando, menos espero me vejo de frente com histórias extraordinárias. Enriquecedoras e de reflexão.

Esta é uma delas, cuja qual, está sendo dividida com você, motivo da essência e existência deste blog Bússola Literária. Espero, entretanto, estar contribuindo, de alguma forma, com a oportunidade de poder absorver alguns dos milhares de ensinamentos que a vida, ou existência, nos proporciona.

“Nunca é tarde para ser feliz”. Portanto, não espere as águas dos rios, te trazerem recados, trazer um amor há muito sonhado. Elas passam por inúmeros lugares, é correto: cidades grandes, pequenas, campos, serras, montanhas, enfim, onde suas águas, que são o elixir da terra, da vida. Independente do tamanho do seu veio encontre um caminho, uma vazante, entre pedras, matas, veredas e até onde o ser humano o está destruindo, sem piedade e hesitação.

Lugares em que você – acredito – jamais imaginou conhecer, ou até mesmo, encontrar uma pessoa que fosse filho o morador desse lugar. Isto se chama destino. Pode-se chamar também, a mão de Deus, te guiando para ir de encontro com a felicidade que gentilmente está te esperando.

Espero mais uma vez, estar te levando a uma viagem: “Destino, o inesperado me aconteceu.” É o meu desejo, que no decorrer desta viagem, encontre a sua carta mágica, o seu sonho mágico. E que este, esteja te trazendo boas e oportunas notícias; juras de um amor no solar do céu iluminado, pelas estrelas e pirilampos. Boa leitura.

Se achar conveniente, seu comentário será bem-vindo...


Nunca é tarde para ser feliz


Eu retornava pra casa, em um dia muito frio quando tropecei em uma carteira. Procurei por algum meio de identificar o dono. Mas a carteira só continha três dólares e uma carta amassada, que parecia ter ficado ali por muitos anos.

No envelope, muito sujo, a única coisa legível era o endereço do remetente. Comecei a ler a carta tentando achar alguma dica. Então eu vi o cabeçalho. A carta tinha sido escrita quase sessenta anos atrás.

Tinha sido escrita com uma bonita letra feminina em azul claro sobre um papel de carta com uma flor ao canto esquerdo. A carta dizia que sua mãe a havia proibido de se encontrar com Michael. Mas ela escrevia a carta para dizer que sempre o amaria. Assinado Hannah.

Era uma carta bonita, mas não havia nenhum modo, com exceção do nome Michael, de identificar o dono. Entrei em contato com a companhia telefônica, expliquei o problema ao operador e lhe pedi o número do telefone no endereço que havia no envelope.

O operador disse que havia um telefone, mas não poderia me dar o número. Por sua própria sugestão, entrou em contato com o número, explicou a situação e fez uma conexão daquele telefone comigo.

Eu perguntei à senhora do outro lado, se ela conhecia alguém chamada Hannah. Ela ofegou e respondeu:

- Oh! Nós compramos esta casa de uma família que tinha uma filha chamada Hannah. Mas isto foi há 30 anos.


- E você saberia onde aquela família pode ser localizada agora? Eu perguntei.

- Do que me lembro, aquela Hannah teve que colocar sua mãe em um asilo alguns anos atrás, disse a mulher.
          
 - Talvez se você entrar em contato eles possam informar.

Ela me deu o nome do asilo e eu liguei. Eles me contaram que a velha senhora tinha falecido alguns anos atrás, mas eles tinham um número de telefone onde acreditavam que a filha poderia estar vivendo.

Eu lhes agradeci e telefonei. A mulher que respondeu explicou que aquela Hannah estava morando agora em um asilo. A coisa toda começa a parecer estúpida, pensei comigo mesmo. “Pra que estava fazendo aquele movimento todo só para achar o dono de uma carteira que tinha apenas três dólares e uma carta com quase 60 anos?”

Apesar disto, liguei para o asilo no qual era suposto que Hannah estava vivendo e o homem que atendeu me falou:

- Sim, a Hannah está morando conosco.

Embora já passasse das 10 da noite, eu perguntei se poderia ir para vê-la.

- Bem, ele disse hesitante, se você quiser se arriscar, ela poderá estar na sala assistindo a televisão. Eu agradeci e corri para o asilo.

A enfermeira noturna e um guarda me cumprimentaram à porta. Fomos até o terceiro andar. Na sala, a enfermeira me apresentou a Hannah.

Era uma doçura, cabelo prateado com um sorriso calmo e um brilho no olhar. Lhe falei sobre a carteira e mostrei a carta. Assim que viu o papel de carta com aquela pequena flor à esquerda, ela respirou fundo, e disse:

- Esta carta foi o último contato que tive com Michael.

Ela pausou um momento em pensamento e então disse suavemente:

 - Eu o amei muito. Mas na ocasião eu tinha só 16 anos e minha mãe achava que eu era muito jovem.

 - Oh, ele era tão bonito! Ele se parecia com Sean Connery, o ator.

 - Sim... Ela continuou.

- Michael Goldstein era uma pessoa maravilhosa. Se você o achar, lhe fale que eu penso frequentemente nele.

- E... Ela hesitou por um momento, e quase mordendo o lábio.
 
- lhe fale que eu ainda o amo.

- Você sabe... Ela disse sorrindo com lágrimas que começaram a rolar em seus olhos.

- Eu nunca me casei. Eu jamais encontrei alguém que correspondesse ao Michael...

Eu agradeci a Hannah e disse adeus. Quando passava pela porta da saída, o guarda perguntou:

 - A velha senhora pode lhe ajudar?

 - Pelo menos agora eu tenho um sobrenome. Mas eu acho que vou deixar isto para depois.

Eu passei quase o dia inteiro tentando achar o dono desta carteira. Quando o guarda viu a carteira, ele disse:

- Ei, espere um minuto! Isto é a carteira do Sr. Goldstein, disse.

- Eu a reconheceria em qualquer lugar. Ele está sempre perdendo a carteira. Eu devo tê-la achado pelos corredores ao menos três vezes.

 - Quem é Sr. Goldstein? Eu perguntei com minha mão começando a tremer.

 - Ele é um dos idosos do 8º andar. Isso é a carteira de Mike Goldstein sem dúvida. Ele deve tê-la perdido em um de seus passeios.

Agradeci o guarda e corri ao escritório da enfermeira. Lhe falei sobre o que o guarda tinha dito. Nós voltamos para o elevador e subimos. No oitavo andar, a enfermeira disse:

- Acho que ele ainda está acordado. Ele gosta de ler à noite. Ele é um homem bem velho.

Fomos até o único quarto que ainda tinha luz e havia um homem lendo um livro. A enfermeira foi até ele e perguntou se ele tinha perdido a carteira. Sr. Goldstein olhou com surpresa, pondo a mão no bolso de trás e disse:

 - Oh, está perdida!

- Este amável cavalheiro achou uma carteira e nós queremos saber se é sua?

 Entreguei a carteira ao Sr. Goldstein, ele sorriu com alívio e disse:

 - Sim, é minha! Devo ter derrubado hoje à tarde. Eu quero lhe dar uma recompensa.

 - Não, obrigado, eu disse.

- Mas eu tenho que lhe contar algo. Eu li a carta na esperança de descobrir o dono da carteira.

O sorriso em seu rosto desapareceu de repente.

- Você leu a carta?

- Não só li, como eu acho que sei onde a Hannah está. Ele ficou pálido de repente.

- Hannah? Você sabe onde ela está? Como ela está? É ainda tão bonita quanto era? Por favor... Por favor, me fale, ele implorou.

- Ela está bem... E bonita da mesma maneira como quando você a conheceu. Eu disse suavemente.

O homem sorriu e perguntou:

- Você pode me falar onde ela está? Quero chamá-la amanhã.

Ele agarrou minha mão e disse:

- Eu estava tão apaixonado por aquela menina que quando aquela carta chegou, minha vida literalmente terminou.

 - Eu nunca me casei. Eu sempre a amei.

- Sr. Goldstein, eu disse, Venha comigo.

Fomos de elevador até o terceiro andar. Atravessamos o corredor até a sala onde Hannah estava assistindo televisão. A enfermeira caminhou até ela, e disse:

- Hannah... 

Ela disse suavemente. Enquanto apontava para Michael que estava esperando comigo na entrada.

- Você conhece este homem?

Ela ajeitou os óculos, olhou um momento, mas não disse uma palavra.

Michael disse suavemente, quase em um sussurro.

- Hannah, é o Michael. Lembra-se de mim?

- Michael!... Eu não acredito nisto!... Michael é você?... Meu Michael?

Ele caminhou lentamente até ela e se abraçaram. A enfermeira e eu partimos com lágrimas rolando em nossas faces.

- Veja... Eu disse.

- Veja como o bom Deus trabalha! Se tem que ser, será!

Aproximadamente três semanas depois eu recebi uma chamada do asilo em meu escritório.

- Você pode vir no domingo para assistir a um casamento? O Michael e a Hannah vão se casar!

Foi um casamento bonito, com todas as pessoas do asilo devidamente vestidos para a celebração. Hannah usou um vestido bege claro e bonito. Michael usou um terno azul escuro.

O hospital lhes deu o próprio quarto. E se você sempre quis ver uma noiva com 76 anos e um noivo com 79 anos agindo como dois adolescentes, você tinha que ver este par.

Um final perfeito para um caso de amor que tinha durado quase 60 anos.

Nunca é tarde para ser feliz. Penso que para viver um grande amor não tem idade, nem tempo, nem nada... É mais que sexo, é ter a sensação de pertencer!!!

Penso ser feliz está mais perto do que imaginamos. Muito mais perto.

Nunca é tarde para ser feliz.


(Autor: eu desconheço. Porém, ficarei contente que se apresentasse. Que todos o conhecessem, e, soubesse de que cabeça abençoada surgiu esta história de amor.)


A propósito, você já acessou a fan page do meu livro infantil Juju Descobrindo Outro Mundo? Não imagina o que está perdendo. Acesse: www.fecebook.com/jujudescobrindooutromundo.



E o site da Juju Descobrindo Outro Mundo, já o acessou? Se eu fosse você iria conferir imediatamente. Acesse: www.admiraveljuju.com.br 

Imagens: Google Image