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terça-feira, 28 de julho de 2015

OS 12 LIVROS MAIS VENDIDOS DA HISTÓRIA




Bússola Literária tem a gratidão de compartilhar com os seus seguidores(as), companheiros(as) por identidade e parceiros(as) pela afinidade à literatura, este providencial trabalho realizado pelo jornalista e crítico literário Carlos Willian Leite, para a sua coluna Livros, publicado em 24 de julho último, na revista Bula, na qual ele esclarece com informações claras os critérios utilizados para sua avaliação. Vejamos.

Em 2012 a Revista Bula publicou o primeiro levantamento sobre os dez livros literários mais vendidos da história, em 2015 repetiu o levantamento utilizando os mesmos critérios do levantamento anterior – pouco se alterou em relação ao resultado de três anos antes: apenas a inversão na ordem de alguns dos livros mais vendidos e a inclusão de dois novos títulos à lista. A metodologia para se chegar ao resultado foi a mesma utilizada em 2012.

Foram consultadas reportagens, entidades editoriais, empresas de pesquisas de mercado e publicações especializadas. Livros religiosos, políticos, educacionais e de curiosidades como: “Bíblia Sagrada”, “Iluminatti: Sociedade Secreta”, “Corão”, “Dicionário Xinhua Zidian”, “A Arte da Guerra” e “Livro Guiness dos Recordes” não foram contabilizados, apenas livros literários.

Carlos Willian Leite acrescenta informando que, considerou do levantamento, publicações de veículos como: “The Paris Review”, “Washington Post”, “Open Culture”, “The Guardian”, “Telegraph”, “Toronto Star”, “New York Times”, “Global Times”, “Financial Times”; as entidades editoriais International Publishers Association (IPA), European and International Booksellers Federation (EIBF) e International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA); e as empresas de auditagem e pesquisas de mercado Nielsen e a GfK.

Os livros, “Cinquenta Tons de Cinza” e “O Senhor dos Anéis”, apesar de terem sido publicados em mais de um volume – foram considerados como um livro único – porque, originalmente, seus autores os conceberam como obra única, diferentemente da série Harry Potter.
Embora não exista concordância sobre os números exatos do mercado de livros ao longo dos séculos, os levantamentos das publicações, instituições e empresas mencionadas, parecem ser o que mais se aproximam do consenso editorial.


1 – Harry Potter e a Pedra Filosofal (J.K. Rowling) – Publicado em 1997, é o primeiro volume da série Harry Potter, da britânica J. K. Rowling. O livro narra a história de um garoto órfão que vive infeliz com os seus tios. Até que, repentinamente, ele recebe uma carta contendo um convite para ingressar em uma famosa escola especializada em formar jovens bruxos. Estima-se que tenha vendido entre 850 e 950 milhões de cópias.






2 – Dom Quixote (Miguel de Cervantes) – Publicado em Madrid em 1605 é composto de 126 capítulos, divididos em duas partes. O livro narra a história de Dom Quixote de La Mancha, um cavaleiro errante que perdeu a razão e, junto com seu fiel escudeiro Sancho Pança, vive lutas imaginárias. Estima-se que tenha vendido entre 600 a 630 milhões de cópias.








3 – O Conde de Monte Cristo (Alexandre Dumas) – Publicado em 1844 é, juntamente com “Os Três Mosqueteiros”, a obra mais conhecida de Alexandre Dumas e, uma das mais celebradas da literatura universal. O livro narra a história de um marinheiro que foi preso injustamente. Quando escapa da prisão e, toma posse de uma misteriosa fortuna, arma um plano para vingar-se daqueles que o prenderam. Estima-se que tenha vendido entre 300 e 350 milhões de cópias.





4 – Um Conto de Duas Cidades (Charles Dickens) – Publicado em 1859 é um romance histórico que trata de temas como culpa, vergonha e retribuição. O livro cobre o período entre 1775 e 1793, da independência americana até a Revolução Francesa. Dickens evita o posicionamento político, centrando a narrativa nas observações de cunho social. Estima-se que tenha vendido entre 280 e 300 milhões de cópias.







5 – O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry) – Publicado em 1943 é uma das obras mais traduzidas da história. Por meio de uma narrativa poética, o livro busca apresentar uma visão diferente de mundo, levando o leitor a mergulhar no próprio inconsciente. Estima-se que tenha vendido entre 250 e 270 milhões de cópias.








6 – O Senhor dos Anéis (J.R.R. Tolkien) – Publicado em três volumes, entre 1954 e 1955 é um romance de fantasia que ocorre em um tempo e espaço imaginários. A história narra o conflito entre raças para evitar que um anel poderoso volte às mãos de seu criador, o senhor do escuro. Estima-se que tenha vendido entre 230 e 250 milhões de cópias.








7 – O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (C.S. Lewis) – Publicado em 1950 é um romance infantil do escritor britânico, C.S. Lewis. O livro narra a história de quatro irmãos que vivem na Inglaterra durante a 2ª Guerra Mundial. Em uma de suas brincadeiras descobrem um guarda-roupa que leva quem o atravessa ao mundo mágico habitado por seres estranhos como, Centauros e gigantes. Estima-se que tenha vendido entre 200 e 220 milhões de cópias.






8 – Harry Potter e o Enigma do Príncipe (J.K. Rowling) – Lançado oficialmente em julho de 2005 é o sexo livro da série que dá continuidade à saga do jovem bruxo Harry Potter, que acabou de completar 16 anos e parte rumo ao sexto ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, animado e, ao mesmo tempo, apreensivo com a perspectiva de ter aulas particulares com o professor Dumbledore, o diretor da escola e o bruxo mais respeitado em toda comunidade mágica. Estima-se que tenha vendido entre 180 e 200 milhões de cópias.




9 – O Caso dos Dez Negrinhos (Agatha Christie) – Publicado em 1939, é o maior clássico moderno das histórias de mistérios. Dez pessoas diferentes recebem um mesmo convite para passar um fim de semana numa ilha. Na primeira noite, após o jantar, elas ouvem uma voz acusando cada uma de um crime oculto cometido no passado. Mortes inexplicáveis se sucedem. Estima-se que tenha vendido entre 150 e 170 milhões de cópias.







10 – Cinquenta Tons de Cinza (E. L. James) – Publicado em 2011 é um romance erótico da autora inglesa Erika Leonard James. O livro retrata Anastasia Steele, uma garota virgem de 21 que, após entrevistar o milionário Christian Grey para o jornal da faculdade, passa a ter um relacionamento sadomasoquista com o seu sedutor Christian. A história se passa em Seatle com ricos detalhes de bondage, sadismo e masoquismo. Estima-se que tenha vendido entre 120 e 130 milhões de cópias.





11 – O Sonho da Câmara Vermelha (Cao Xueqin) – Publicado em meados do século 18, é uma das obras-primas da literatura chinesa. O livro faz um relato detalhado da aristocracia chinesa da época. Acredita-se que o conteúdo da história seja autobiográfico descrevendo o destino da própria família do escritor. Estima-se que tenha vendido entre 100 e 110 milhões de cópias.








12 – Ela, a Feiticeira (Henry Rider Haggard) – Publicado em 1887 é um livro de aventura e fantasia do escritor britânico Henry Rider Haggard. O livro narra as aventura de dois amigos numa região inexplorada da África, onde encontram uma civilização perdida, na qual reina uma misteriosa feiticeira chamada Ela. Estima-se que tenha vendido entre 85 e 95 milhões de cópias.












Uma observação curiosa foi citada em comentários, por Ney César Silva Souza, administrador do blog que leva o seu nome, no qual publica sobre literatura, no mesmo dia da publicação desta relação (24-07-2015), conferida ao jornalista Carlos Willian Leite, na qual Ney César, ressalta a existência de um problema na lista. Esclarece dizendo: “Para a trilogia O Senhor dos Anéis foi considerada a série inteira, mesmo que cada livro seja um livro independente e tenha até seu próprio título: A Sociedade do Anel, As Duas Torres e O Retorno do Rei. No entanto, para a série Harry Potter e para As Crônicas de Nárnia, foram considerados cada livro da série. Com certeza, essa diferença de critério afeta o resultado”, ressaltou.



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Imagens: revista Bula

sábado, 27 de julho de 2013

Quem foi Cervantes?





Acredita-se que é difícil encontrar atualmente uma pessoa que já concluiu o segundo grau que não tenha lido ou conhece a história de Dom Quixote. Seja ter lido o livro propriamente dito, estórias contadas em rodas de amigos, nas revistas em quadrinhos... Sancho Pança é lembrado até em piadas retratando uma pessoa tosca e sem brilho. O porquê poucos sabe explicar, eu mesmo não sei. A verdade é que eu só fui ler Dom Quixote depois de muito adulto, já na Universidade. Confesso que também era muito preguiçoso à leitura. Por outro lado, a Europa desde que o livro fora lançado o conheceu muito bem. E, até hoje penso que até as crianças europeias quase na sua totalidade e, uma parte considerável do Globo conhece esta simples e pouco atrativa obra.

A simplicidade chega a tanto, que em determinados momentos você pensa em parar de lê-lo por achar que estão gozando – perdão pela expressão - com sua boa vontade. Desculpe-me os críticos literários e os fissionados por Dom Quixote, mas eu ainda continuo achando-o que não corresponde ao que dizem: Obra Prima. Entretanto, o Bússola Literária está publicando um retrospecto da vida de Miguel de Cervantes. Como fonte de pesquisa é muito útil, e como enlevo cultural também.

Este texto foi extraído do livro DOM QUIXOTE – O Cavaleiro da Triste Figura, de Miguelde Cervantes, adaptação em português de José Angeli, pela Editora Scipione, Série Reencontro. Eu recomendo conhecer esta história. Não sou “expert” em discussão literária, portanto, minha opinião não pode ser levada a sério e confiável. Todavia, este texto contando a vida de Miguel de Cervantes eu recomendo, e recomendo a leitura do livro também caso não o tenha lido.
Boa leitura...


Quem foi Cervantes?

No século XVI a Espanha ditava para o mundo como devia ser a cultura. De lá saíam as
novas formas de literatura, a arquitetura das igrejas, os novos caminhos da pintura. Tinha universidades famosas que atraiam toda a Europa, e uma corte cheia de brilho, frequentada por grandes artistas e intelectuais. Ao mesmo tempo, a Espanha era um país rico e poderoso. Para lá iam todo o ouro e a prata retirados das civilizações indígenas americanas recém-dominadas e a mão do rei se estendia pelo Caribe, pelas Américas e outros continentes e ilhas. Foi nessa época, marcada por requintadas formas de arte e sangrentas guerras e conquistas, que nasceu Miguel de Cervantes Saavedra, na cidade de Alcalá, em 1547.

Filho de um barbeiro endividado, não se sabe se Cervantes fez escola ou universidade, mas estudou retórica e gramática com um professor em Madri. Lá também conviveu com boêmios e aventureiros de toda espécie e conheceu bastante o teatro que se fazia. Seus primeiros escritos foram poemas sobre a vida e a morte de D. Isabel, a terceira esposa do rei Filipe II. Em 1571, a Espanha, unida com a República de Veneza e o Estado do Vaticano, derrotou na Grécia os turcos que estavam invadindo a Europa, na histórica batalha de Lepanto. Nessa batalha, Cervantes se distinguiu como soldado e ganhou a admiração do comandante das tropas, o rei D. João da Áustria.

Quando voltava para a Espanha, em 1575, o navio em que viajava foi afundado por naves turcas. Aprisionado, ele curtiria cinco anos de cativeiro na Argélia, de onde saiu somente depois da família e dos amigos pagarem alta soma de resgate.

Retornando finalmente à Espanha, já ninguém se lembrava dele. Foi então que, desgostoso
com a vida militar, começou a escrever. Seu primeiro trabalho, o poema Galatea, não teve êxito junto ao público.

Para sobreviver, trabalhou em vários cargos públicos até chegar a coletor de impostos. Mas em 1597, acusado de corrupção, foi condenado à prisão. De lá ele sairia para a glória, pois na cadeia começou a escrever a primeira parte de Dom Quixote.

Pobre e sem recursos, Cervantes já estava em liberdade quando em 1604 foi publicado Dom Quixote pela primeira vez. O sucesso foi tão grande que nesse mesmo ano foram esgotadas cinco edições do livro. Cervantes tinha então 58 anos e ainda veria, durante a sua vida, mais dezesseis edições espalhadas por toda a Europa, em várias línguas.

Estimulado com o êxito de Dom Quixote, Cervantes publicou suas Novelas Exemplares. Escreveu peças de teatro e poesias, mas achou que não tinha talento para esses gêneros e, em 1615, voltou a ficção para escrever a segunda parte de Dom Quixote.

O século XVIII, na Europa, analisou exaustivamente o Dom Quixote e admirou o seu autor. A partir do século XIX, não houve um só ano em que não saísse uma nova edição. A Sala Cervantes na Biblioteca de Madri tem hoje mais de três mil edições dessa obra, em todas as línguas do mundo. Acredita-se que Dom Quixote é o livro mais lido depois da Bíblia. Mas tudo isso não rendeu nada para Cervantes, em termos materiais: no último ano de sua vida, ele se recolheu para um mosteiro franciscano e morreu pobre. Era 1616.

A intenção de Cervantes, ao escrever o Dom Quixote, era satirizar a novela de cavalaria, que tinha sido muito popular na Europa e em sua época enfrentava a decadência. Mas acabou retratando o perfil do homem, dividido entre a fantasia e a realidade. Dom Quixote, fidalgo ingênuo e atraído pela história dos grandes cavaleiros medievais, sai pelo mundo como um deles, numa época em que isso já não existia mais. Nos seus delírios, luta contra moinhos de vento achando que são gigantes cruéis. Beija a mão de uma guardadora de porcos pensando que é sua amada Dulcinéia. Sancho Pança, seu fiel escudeiro, admira o amo sem entendê-lo. Tem os pés na terra e uma visão prática das coisas, mas é fascinado pela sua loucura. Duas figuras cheias de bondade e pureza, num mundo onde não há luar para a bondade e a pureza.

Mais do que uma sátira à novela de cavalaria, mais do que uma crítica à Espanha de seu tempo, que se dividia entre a tradição aristocrática e a modernidade. Dom Quixote é um hino em louvor da fantasia e da força poética fundamental da alma humana,


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Imagem: Google Imagem