quarta-feira, 19 de maio de 2010

Tom Jobim o mestre da Bossa Nova






Trabalho Inista de

Tom Jobim

Assim nasce um astro de primeira grandeza no universo das artes, destilando sua sensibilidade poética musical para a imortalidade. Capaz de perpetuar a nossa extraordinária Bossa Nova, cantando em bom "Tom" para o mundo ouvir e aplaudir.

Esta biografia do Tom Jobim, com linguagem liberta das fórmulas tradicionais, é muito parecida com o seu comportamento irrequieto e inovador de músico, compositor e poeta das praias de Ipanema. Do talento criativo que falou maravilhado e de forma esplêndida as belezas do Rio de Janeiro e do Brasil em versos e canções.

Recomendo sua leitura com prazer. Mais uma contribuição do site Memória Viva, com o acervo do Bússola Literária.


Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim nasceu em 25 de janeiro de 1927, no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro. Em 1931, ano de nascimento de sua única irmã, Helena, a família se muda para Ipanema. Aos 13 anos inicia seus estudos de piano com Hans Joachim Koellreuter, um jovem alemão que fugira do nazismo. Nesse tempo ele preferia certas aventuras e a prática de esportes. 

No alto de uma pirâmide humana na praia de Ipanema, em 1944, Tom tentou se apoiar no ombro de um amigo. Escorregou no corpo suado e despencou na areia o que resultou numa crônica dor no nervo ciático. “Ipanema perdia um jovem atleta que praticava capoeira, peteca e vôlei de praia, além de atravessar a nado a Lagoa Rodrigo de Freitas” sem dificuldades. Para compensar, estava nascendo para o mundo o mais conhecido e um dos mais respeitados compositores brasileiros.

Em 1946, entra para a Faculdade de Arquitetura, que é abandonada naquele mesmo ano. Em 1949, casa-se com Thereza Hermanny, uma paulista pela qual se apaixonara sete anos antes em Ipanema. No ano seguinte nasce Paulo, primeiro filho do casal. Em junho de 1953 acontece a primeira gravação de suas músicas: Pensando em Você, Faz uma semana (também de João Stockler), na voz de Ernani Filho.

Já em 1954, Dick Farney e Lúcio Alves gravam Tereza da Praia, que se tornou o primeiro sucesso de Tom, em parceria com Billy Blanco. Neste mesmo ano seria lançado o LP Sinfonia do Rio de Janeiro, também em parceria com Billy Blanco e, Tom conheceria Vinícius de Moraes, de quem se tornaria parceiro, dois anos mais tarde, ao musicar a peça Orfeu da Conceição. 

Em agosto de 57, nasce Elizabeth, sua segunda filha. Em 1958, compõe a trilha sonora para o filme Pista de Grama, de Haroldo Costa. A música Eu não existo sem você, de Tom e Vinícius, inédita na época, foi cantada no filme por Elizete Cardoso, com acompanhamento de João Gilberto no violão e Tom ao piano. 

Ainda nesse ano, surgiriam o LP Canção do Amor Demais, em parceria com Vinicíus, tendo João Gilberto ao violão e Elizete Cardoso como cantora; e as gravações de Desafinado e Chega de Saudade, por João Gilberto. Era o grande passo para a Bossa Nova consquistar o mundo.

Em 1962, Tom e Vinícius compõem Garota de Ipanema e, em novembro do mesmo ano acontece o show da Bossa Nova no Carnegie Hall, em New York. É a primeira viagem de Tom ao Estados Unidos. Em menos de 5 anos, em janeiro de 1967, começaria a gravação do LP Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim. A América já havia se rendido a Tom Jobim e à Bossa Nova. 

Nos próximos dez anos sua vida seria uma eterna ida e vinda entre Brasil e Estados Unidos. Em maio 1978 Tom viaja com Ana Beatriz Lontra para New York, em lua de mel. O primeiro filho do casal, terceiro de Tom, João Francisco, nasceria em outubro de 1979. Em março de 1987 nasce sua quarta filha, Maria Luíza Helena. Tom já tem 60 anos.

Tom Jobim morreu no dia 8 dezembro de 1994, no Hospital Mount Sinai, em New York. Já nesta época, eram sete as músicas suas com mais de 1 milhão de execuções nos Estados Unidos (John Lennon e Paul McCartney, os estrangeiros mais tocados no país, tinham 12).



Festival de Cannes só deu Doce Vida, o próximo texto para atender sua expectativa.



Os estigmas da política brasileira não calaram a nossa liberdade de expressão, mas deu de presente os nossos valores como produto de mercado livre. Fez prevalecer à ignorância daqueles que se intitulavam credores de sabedoria e crítica, travestidos sob a pele de um Golias soberbo da literatura mal informada.

Orfeu Negro, brasileiríssimo, não pode representar o Brasil no Festival de Cannes de 1960. Porém, não ficou à margem, sem representatividade. A França abraçou o tabu do racismo hipócrita dos analistas da augusta sabedoria do Itamarati, e aplaudiu o talento dos artistas da nossa Pátria Amada. Pura ironia, não fosse à qualidade da sua trilha sonora, assinada por Tom Jobim e Vinícius de Moraes, que o mundo cantou e cantou e encantou...

Muito interessante artigo assinado por Helder Martins, enviado especial da revista O Cruzeiro em 1960. O jornalista com o seu estilo bem brasileiro não se esqueceu de descrever o comportamento pouco comum dos notáveis do Jet Set do cinema, para a sociedade da época. Trazendo à tona modelos ousados que revolucionaria a moda das criações feitas pelos estilistas, destacando a liberdade nas atitudes do novo segmento inovador das celebridades emergentes que surgiam.


Devo esclarecer que pela data de sua publicação, estão mantidas as regras gramaticais ortográficas da época na sua íntegra.



O Cruzeiro - 4 de junho de 1960
.

Cannes foi só ‘Doce Vida’


Reportagem de HELDER MARTINS(enviado especial de “O Cruzeiro”)
COTE D'AZUR (Via Panair do Brasil)



Chegamos ao fim da primeira semana do XIII Festival Internacional do Cinema, em Cannes. Dos primeiros dias de atividades restaram, no plano das realizações cinematográficas, as discussões em tôrno do filme a Doce Vida , de Frederico Fellini. Êste filme narra, em alguns capítulos sem seqüência e com certo simbolismo, a doce vida da sociedade romana dos nossos dias. 

Trata-se de uma obra magistral, cuja importância pode ser resumida na fórmula que encontrou um crítico: “É ao mesmo tempo o melhor e o pior dos filmes do realizador de La Strada”. As histórias narradas pela câmara de Frederico Fellini, como motivo complementar de debates, junta-se a duração do filme (três horas). Lembrando a projeção de Ben Hur, outra produção demasiado longa, alguém disse: “Êsse XIII Festival de Cinema surgiu sob o signo do gigantismo”. O que é certo é que a obra de Frederico Fellini descongestiona a atmosfera.


Êste ano, os jornalistas brasileiros tiveram uma surprêsa: raros experts e os próprios interessados anunciavam a participação do Brasil no Festival de Cannes. No ano passado, a possibilidade de sermos representados se desfez pouco antes do Festival. Orfeu Negro só pôde ser exibido como produção francesa, segundo deliberação dos velhos críticos do Itamarati que se recusaram a autorizar a sua exibição como filme nacional, conforme se desejava. Mais uma vez prevalecia o tabu do negro. 

Em 1960, não tivemos maiores chances. Já as fotos dos nossos filmes anunciavam um dêsses impertinentes lugares-comuns - um novo Gimba -, com histórias de favelas, a corrupção policial, o sensacionalismo da imprensa, a macumba e quejandos. Salvava-se apenas o interêsse comercial, bem como a boa intenção artística da fita, que os criticos combateram assim mesmo com veemência só igual à falta de inibição dos autores de Cidade Ameaçada.


No plano mundano, registrou-se a tentiva de suicídio (felizmente contrariada) de Perrete Pradier, vedete de Os Celerados. Pensou-se em golpe publicitário, mas a atriz entrou no Hospital de Nice, em estado de coma. Não houve bilhetes para dizê-lo, mas se soube que o gesto derivou de contrariedades sentimentais.


As grandes vedetes do cinema - as que provocam furor e que incendeiam o ambiente do Festival de Cannes - ainda estão por chegar quando redigimos estas notas. Como sempre, anunciou-se a vinda iminente de nomes famosos: Michèle Morgan, Daniel Gelin, Gina Lollobrigida, Brigitte Bardot, Sofia Loren. Quem quiser vê-los, por enquanto, deve consolar-se com os retratos profusamente distribuídos pelas vitrinas das lojas da cidade. 

Ontem, talvez por falta de matéria, um jornal anunciou, sem convicção, a chegada de Sacha Distel, ex-noivo de Brigitte Bardot e uma espécie de Caubi Peixoto francês. Centenas de jovens acorreram às imediações do Hotel Carlton. Foi o maior agrupamento dêste Festival Internacional.


A falta de inspiração chegou até mesmo ao domínio dos tradicionais escândalos, de que é exemplo típico o caso daquele suicídio. Uma agência de Paris resolveu fabricar assunto para reportagens, promovendo festa à beira de uma piscina. Aguardava-se um acontecimento excepcional, tal o mistério com que a anunciavam. 

A atração da reunião consistiu simplesmente em empurrar-se algumas môças dentro d’água, estando elas vestidas... Mais tarde, os organizadores do Festival promoveram um jantar. A parte de espetáculos foi confiada a uma vedete russa, mas não houve animação...


Aconteceu, ainda, o concurso de “Miss” Festival. Reuniu-se sôbre um rochedo uma dezena de biquínis em disponibilidade. Foi eleita (sem discussões maiores) uma bela crioula norte-americana.


Enfim, a parte mundana, a geralmente mais apreciada pelo público e a que faz o prestígio do Festival de Cannes, passou quase despercebida. Há apenas a lembrá-lo furtivas pin-ups posando para fotógrafos (amadores) e alguns senhores idosos, de ar severo e de gravata-borboleta, que à noite passam com jovens starlets para as soirées do Palácio do Cinema.


TOUREIRO DE SAIA NUMA - tourada que um grupo de cavalheiros idealizou à margem do Festival Internacional de Cannes, o touro negou-se a atacar o toureiro. Criou-se sério embaraço, até que a artista norte-americana Tina Louise se decidiu a salvar a tarde mexicana, enfrentando um touro adhoc, protagonizado por um dos fãs franceses em disponibilidade, que se muniu, inclusive (e necessàriamente), de pontiagudos chifres. 

Na foto, a toureira improvisada em plena ação contra o touro, com capa e tudo. Várias pessoas presentes asseguraram que aquela pode não ter sido a tourada mais violenta, todavia foi, sem dúvida alguma, a mais desejável...


À MARGEM - do concurso do Festival de Cannes, Roberto Rosselini fêz projetar uma de suas películas, sôbre a qual buscara convergir o noticiário. “Era Noite em Roma” explora uma história já abordada por outros cineastas: os problemas do após-guerra. Os críticos, unânimemente, proclamaram que o ex-marido de Ingrid Bergman conseguiu, mais uma vez, produzir uma fita de “lentidão soporífera, fria e sem brilho no relato”. Nem mesmo a presença do ator soviético Sérgio Bondartchouk, pela primeira vez integrando um elenco ocidental, conseguiu alterar a monotonia da última produção de Rosselini.

A Argentina seguiu o exemplo (negativo) de RR, pois a fita que a representou no Festival, La Processión, não conseguiu agradar os comentaristas reunidos em Cannes. Coube ao México, entre os países de menor expressão na arte cinematográfica, apresentar a melhor película. Macário, de Roberto Gavaldon, conta a história terna de um lenhador do interior do México, que, um dia, sob as dificuldades financeiras mais terríveis, resolve roubar um peru. A fita é desenvolvida com bom gôsto, tendo uma fotografia excelente.

Macário transformou-se, destarte, numa agradável surprêsa do Festival Internacional de Cannes, projetando de forma marcante a cinematografia mexicana. A fita não alcançou, é óbvio, a repercussão de Doce Vida, tema central dos comentários de Cannes, mas também não recebeu as críticas amargas com que essa película foi contemplada - em meio aos elogios de alguns - por certos cronistas.

Por último, poderíamos destacar, na categoria das pequenas metragens, “Le journal d’un certain David”, de Pierre e Sylviane Jalud, que narra a história de um menino de Copenhague. Fita de grande teor de lirismo, poderá ela, ao final, ser incluída entre as menções honrosas do Festival.


Não obstante, à margem dos espetáculos cinematográficos, Cannes conseguiu manter intatas as suas tradições neste XIII Festival Cinematográfico. As fitas exibidas só em pequeno número terão logrado êxito; muitos dos cartazes anunciados não compareceram; houve a desorganização de sempre; espetáculos marginais foram pobres de técnica ou de imaginação - mas as praias se encheram das belas mulheres de sempre, de pin-ups sensacionais, que podem não entender rigorosamente da Arte Cinematográfica, mas entendem perfeitamente da arte (às vêzes mais difícil) de aprisionar novos e velhos corações.


Fonte: Site Memória Viva
Fotoinipoesia (Poema Imagem) - Da série: Cartão Postal IniBrasil 2010, criação da poeta, artista plástica e fotógrafa Neli Vieira.
Imagens: O Cruzeiro e Google Imagens.



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quinta-feira, 29 de abril de 2010

O Poetinha Vinicius de Moraes, um satírico romântico



Vinícius de Moraes













Um grande acontecimento geralmente começa com bons momentos e boas histórias. Nada mais charmoso do que construir no pensamento ideias que retratam em grande estilo o extraordinário lirismo do amor sem fronteiras. Bússola Literária publica nesta sua coluna Vasculhando a Estante, três textos de Vinícius de Moraes extraídos do site Memória Viva, muito importante para o seu acervo cultural e o conhecimento geral.
No primeiro texto a sensibilidade do poetinha, como era chamado pelos amigos, destaca todo o romantismo da sua alma poética; nos outros dois seguintes, Vinícius esclarece à sua maneira, a importância do cronista no contexto da mídia impressa e sua necessária função de transformar ideias simples numa prazerosa leitura. Capaz de minimizar a tensão das notícias carregadas do realismo indócil, tornando-as menos densas. E por fim, sua biografia contada sob a forma de uma bela história florescente da sua vida envolvida em grandes acontecimentos, em grandes momentos de amor e paixão.






Para viver um grande amor


Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... - não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro - seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um grande amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fieldade - para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista - muito mais, muito mais que na modista! - para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica, e gostosa, farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia - para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor.





O exercício da crônica I

O cronista trabalha com um instrumento de grande divulgação, influência e prestígio, que é a palavra impressa. Um jornal, por menos que seja, é um veículo de idéias que são lidas, meditadas e observadas por uma determinada corrente de pensamento formada à sua volta.

Um jornal é um pouco como um organismo humano. Se o editorial é o cérebro; os tópicos e notícias, as artérias e veias; as reportagens, os pulmões; o artigo de fundo, o fígado; e as seções, o aparelho digestivo – a crônica é o seu coração. A crônica é matéria tácita de leitura, que desafoga o leitor da tensão do jornal e lhe estimula um pouco a função do sonho e uma certa disponibilidade dentro de um cotidiano quase sempre "muito lido, muito visto, muito conhecido", como diria o poeta Rimbaud.

Daí a seriedade do oficio do cronista e a freqüência com que ele, sob a pressão de sua tirania diária, aplica-lhe balões de oxigênio. Os melhores cronistas do mundo, que foram os do século XVIII, na Inglaterra – os chamados essayists – praticaram o essay, isto de onde viria a sair a crônica moderna, com um zelo artesanal tão proficiente quanto o de um bom carpinteiro ou relojoeiro. Libertados da noção exclusivamente moral do primitivo essay, os oitocentistas ingleses deram à crônica suas primeiras lições de liberdade, casualidade e lirismo, sem perda do valor formal e da objetividade. Addison, Stecle, Goldsmith e sobretudo Hazlitt e Lamb – estes os dois maiores – fizeram da crônica, como um bom mestre carpinteiro o faria com uma cadeira, um objeto leve mas sólido, sentável por pessoas gordas ou magras.

Do último, a crônica "O convalescente" serviria bem para ilustrar o estado de espírito maníaco – lírico – depressivo do cronista de hoje, inteiramente entregue ao egoísmo de sua doença e à constante consideração de sua pessoinha, isolado no seu mundo de cortinas corridas, a lamber complacentemente as próprias feridas diante de um espelho pessimista.

Num mundo doente a lutar pela saúde, o cronista não se pode comprazer em ser também ele um doente; em cair na vaguidão dos neurastenizados pelo sofrimento fisico; na falta de segurança e objetividade dos enfraquecidos por excessos de cama e carência de exercícios. Sua obrigação é ser leve, nunca vago; íntimo, nunca intimista; claro e preciso, nunca pessimista. Sua crônica é um copo d'água em que todos bebem, e a água há que ser fresca, limpa, luminosa para a satisfação real dos que nela matam a sede.

Num momento em que o grande mal de grande parte do mundo é o entreguismo, a timidez e a franca covardia, o exercício da crônica reticente, da crônica vaga, da crônica temperamental, da crônica ególatra, da crônica à clef, da crônica da cartola – é um crime tão grande quanto o de se vender, em época de epidemia, um antibiótico adulterado. A restauração da crônica, no espírito da dignidade com que a praticaram os essayists ingleses do século XVIII, deveria constituir matéria de funda meditação por parte de seus cultores no Brasil.








O exercício da crônica II

Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar dele, criou porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa fia mais fino. Senta-se ele diante de sua máquina, acende um cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação um fato qualquer, de preferência colhido no noticiário matutino, ou da véspera, em que, com as suas artimanhas peculiares, possa injetar um sangue novo. Se nada houver, resta-lhe o recurso de olhar em torno e esperar que, através de um processo associativo, surja-lhe de repente a crônica, provinda dos fatos e feitos de sua vida emocionalmente despertados pela concentração. Ou então, em última instância, recorrer ao assunto da falta de assunto, já bastante gasto, mas do qual, no ato de escrever, pode surgir o inesperado.

Alguns fazem-no de maneira simples e direta, sem caprichar demais no estilo, mas enfeitando-o aqui e ali desses pequenos achados que são a sua marca registrada e constituem um tópico infalível nas conversas do alheio naquela noite. Outros, de modo lento e elaborado, que o leitor deixa para mais tarde como um convite ao sono: a estes se lê como quem mastiga com prazer grandes bolas de chicletes. Outros, ainda, e constituem a maioria, "tacam peito" na máquina e cumprem o dever cotidiano da crônica com uma espécie de desespero, numa atitude ou-vai-ou-racha. Há os eufóricos, cuja prosa procura sempre infundir vida e alegria em seus leitores e há os tristes, que escrevem com o fito exclusivo de desanimar o gentio não só quanto à vida, como quanto à condição humana e às razões de viver. Há também os modestos, que ocultam cuidadosamente a própria personalidade atrás do que dizem e, em contrapartida, os vaidosos, que castigam no pronome na primeira pessoa e colocam-se geralmente como a personagem principal de todas as situações. Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer um mundo, todos estes "marginais da imprensa", por assim dizer, têm o seu papel a cumprir. Uns afagam vaidades, outros, as espicaçam; este é lido por puro deleite, aquele por puro vício. Mas uma coisa é certa: o público não dispensa a crônica, e o cronista afirma-se cada vez mais como o cafezinho quente seguido de um bom cigarro, que tanto prazer dão depois que se come.

Coloque-se porém o leitor, o ingrato leitor, no papel do cronista. Dias há em que, positivamente, a crônica "não baixa". O cronista levanta-se, senta-se, lava as mãos, levanta-se de novo, chega à janela, dá uma telefonada a um amigo, põe um disco na vitrola, relê crônicas passadas em busca de inspiração - e nada. Ele sabe que o tempo está correndo, que a sua página tem uma hora certa para fechar, que os linotipistas o estão esperando com impaciência, que o diretor do jornal está provavelmente coçando a cabeça e dizendo a seus auxiliares: "É... não há nada a fazer com Fulano..." Aí então é que, se ele é cronista mesmo, ele se pega pela gola e diz: "Vamos, escreve, ó mascarado! Escreve uma crônica sobre esta cadeira que está aí em tua frente! E que ela seja bem-feita e divirta os leitores!" E o negócio sai de qualquer maneira.

O ideal para um cronista é ter sempre uma os duas crônicas adiantadas. Mas eu conheço muito poucos que o façam. Alguns tentam, quando começam, no afã de dar uma boa impressão ao diretor e ao secretário do jornal. Mas se ele é um verdadeiro cronista, um cronista que se preza, ao fim de duas semanas estará gastando a metade do seu ordenado em mandar sua crônica de táxi - e a verdade é que, em sua inocente maldade, tem um certo prazer em imaginar o suspiro de alívio e a correria que ela causa, quando, tal uma filha desaparecida, chega de volta à casa paterna.




Biografia


Na tempestuosa madrugada de 19 de outubro de 1913, nascia o garoto Vinitius. A grafia está correta. Seu pai, Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, um apaixonado pelo latim, dera a ele este nome. Naquela noite nascia na Gávea, o futuro garoto de Ipanema.

Escreveu seu primeiro poema de amor aos 9 anos, inspirado em uma colega de escola que reencontraria 56 anos depois. Seus amores eram sua inspiração. Oficialmente, teve nove mulheres: Tati (com quem teve Susana e Pedro), Regina Pederneiras, Lila Bôscoli (mãe de Georgina e Luciana), Maria Lúcia Proença (seu amor maior, musa inspiradora de Para viver um grande amor), Nelita, Cristina Gurjão (mãe de Maria), a baiana Gesse Gessy, a argentina Marta Ibañez e, por último, Gilda Mattoso. Mulherengo? Não, “mulherólogo”, como ele costumava se definir.

Tati, a primeira, única com quem casou no civil, é a inspiradora dos famosos versos “Que não seja imortal, posto que é chama/ Mas que seja imortal enquanto dure”. Deixou-a para viver com Regina Pederneiras. O romance durou um ano, depois do que ele voltou com Tati para deixá-la, definitivamente, em 1956 e casar com Lila, então com 19 anos, irmã de Ronaldo Bôscoli. Foi nessa época que o poeta conheceu Tom Jobim e o convidou para musicar sua peça Orfeu da Conceição. Desta parceria, surgiriam músicas símbolos da Bossa Nova como Chega de Saudade e Garota de Ipanema, feita para Helô Pinheiro, então uma garotinha de 15 anos que passava sempre pelo bar onde os dois bebiam. No ano seguinte, 1957, se casaria com Lucinha Proença depois de oito meses de amor escondido, afinal, ambos eram casados. A paixão durou até 1963. Foi pelos jornais que Lucinha, já separada, soube da ida de Vinícius para a Europa “com seu novo amor”, Nelita, 30 anos mais jovem. Minha namorada, outro grande sucesso, foi inspirado nela.

Em 1966, seria a vez de Cristina Gurjão, 26 anos mais jovem e com três filhos. Com Vinícius teve mais uma, Maria, em 1968. Quando estava no quinto mês de gravidez, Vinícius conheceu aquela viria a ser sua próxima esposa, Gesse Gessy. No segundo semestre de 69 começa sua parceria com Toquinho. No dia de seu aniversário de 57 anos, em 1970, em sua casa em Itapuã, Vinícius transformaria Gesse Gessy, então com 31 anos, em sua sétima esposa. Gesse seria diferente das outras e comandaria a vida de Vinícius com bem entendesse. Em 1975, já separado dela, ele se declara apaixonado por Marta Ibañez, uma poeta argentina. No ano seguinte se casariam. Ele tinha quase 40 anos mais que ela.

Em 1972, a estudante de Letras Gilda Mattoso conseguiu um autógrafo do astro Vinícius após um show para estudantes da UFF, em Niterói (RJ). Quatro anos depois o amor se concretizaria. O poeta , já sessentão; ela, com 23 anos.

Na noite de 8 de julho de 1980, acertando detalhes das canções do LP Arca de Noé com Toquinho, Vinícius, já cansado, disse que iria tomar um banho. Toquinho foi dormir. Pela manhã foi acordado pela empregada que encontrara Vinícius na banheira com dificuldades para respirar. Toquinho correu para o banheiro, seguido de Gilda. Não houve tempo para socorrê-lo. Vinícius de Moares morria na manhã de 9 de julho. No enterro, abraçada a Elis Regina, Gilda lembrava da noite anterior, quando em uma entrevista, perguntaram ao poeta: “Você está com medo da morte?”. E Vinícius, placidamente, respondeu: “Não, meu filho. Eu não estou com medo da morte. Estou é com saudades da vida”.


Fonte: Site Memória Viva


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Imagens: Google Imagens

sábado, 10 de abril de 2010

Wilson Simonal, o artista que disse não a Walt Dirney

O artista que disse não a Walt Disney


Artigo publicado na revista Careta
editada no Rio de Janeiro de 1908 a 1950,
contando a trajetória profissional do cartunista José Carlos Brito
desde o inicio da sua vitoriosa carreira na revista Tagarela com 18 anos.
Informa ainda suas passagens pelos vários veículos
de comunicação daquele período
e o seu encontro com Walt Disney entre outros fatos interessantes.
Destaca ainda outra reportagem sobre
o cantor Wilson Simonal publicado
na revista O Cruzeiro em 15 de setembro de 1970,
enaltecendo suas qualidades como cidadão.
Ambos os artigos foram escritos de acordo
com as regras gramaticais da época.

Da mesma forma que é necessário recorrer às fotos de Malta e Ferrez para conhecer o Rio do início do século XX, é imprescindível buscar o trabalho de J. Carlos para entender o carioca da primeira metade daquele século.
José Carlos de Brito e Cunha nasceu no dia 18 de junho de 1884. Quando estreou na imprensa brasileira, na revista O Tagarela, tinha apenas 18 anos. Em 1908, ainda um rapaz, estava presente, desde o primeiro número, em uma revista que marcaria época: Careta. Uma de muitas. Como caricaturista, ilustrador ou editor, passou por O Malho, Século XX, Leitura Para Todos, Eu Sei Tudo, Revista da Semana, Ilustração Brasileira, O Tico-Tico, Fon-Fon, A Avenida, O Filhote da Careta, O Juquinha, D. Quixote, A Cigarra, A Vida Moderna, Revista Nacional, O Cruzeiro, Cinearte, A Noite, Lanterna, A Nação, A Hora, Beira-Mar
Em 1921, J. Carlos assumiu a direção das publicações da empresa O Malho, afastando-se a contragosto da Careta. Nessa época, Álvaro Moreyra, seu companheiro de trabalho, escreveu:
“Um dia, decerto, no começo do próximo século, o Rio de Janeiro não possuirá mais a carioca; as raparigas das margens da Guanabara não se distinguirão das raparigas do resto do Planeta: idênticas preocupações, atitude iguais, o mesmo modo de vestir, gravidade, pessimismo... Nesse dia, um curioso de coisas do passado encontrará, nas páginas de uma revista, as figuras de J. Carlos; encontrará a melindrosa, que ele inventou e que constituiu o modelo das nossas lindas contemporâneas.
O Rio de Janeiro de antigamente há de ressuscitar na expressão ingênua e irônica dos olhos que viram os primeiros aeroplanos; nas bocas talhadas à feição de beijos; no ritmo ondulante da carne envolta em sedas leves, luminosas, fugidias. E o curioso sentirá saudades do velho tempo que não conheceu... Velho tempo! Bom tempo! E compreenderá o sentido das praias, povoando-as das imagens guardadas no traço sutil do artista e verá, tal qual não vira antes, a luz das manhãs, a sombra dos crepúsculos, o luar das noites altas. Lenta, a maravilha despercebida se revelará. A cidade romântica, erma das suas transeuntes, voltará à fascinação abandonada... O ente que olhar, daqui a cem anos, as obras-primas de J. Carlos, poderá viver a vida que andamos vivendo...”
. Carlos amava o Rio, de onde saiu poucas vezes. Isso talvez tenha pesado em sua resposta negativa ao convite de Walt Disney para que trabalhasse em seus estúdios. Disney esteve no Brasil em 1941, lançando o filme Fantasia. Dentre as diversas homenagens que recebeu, havia uma exposição reunindo desenhos dos melhores caricaturistas brasileiros. Em um almoço oferecido pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Disney fez questão de sentar-se ao lado de J. Carlos e o convidou a fazer parte de sua equipe nos Estados Unidos. J. Carlos recusou. Algum tempo depois, enviou a Walt Disney o desenho de um papagaio vestido com o uniforme da Força Expedicionária Brasileira, abraçado ao Pato Donald... É preciso contar o resto?
Foram quase cinqüenta anos de trabalho. Sóbrio, sisudo, pontual, bom pai de família, era completamente diferente do típico profissional de imprensa de sua época. Isso durou até 29 de setembro de 1950. Vítima de um edema cerebral, tombou sobre sua mesa de trabalho na redação da Careta. Morreu, três dias depois, aos 66 anos de idade.

O cronista do lápis, que contou a História e imortalizou os tipos de sua cidade, foi assim lembrado por Genolino Amado: “Realmente, no espírito de J. Carlos parece ter habitado o espírito do Rio. Talvez não possa existir harmonia mais perfeita de alguém com a sua terra, com a sua gente (...) E não poderíamos imaginar tendo nascido noutra cidade. Aquele que pretendia somente graça acabou fazendo História”.

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O lado humano de Wilson Simonal


As reportagens sôbre artistas quase sempre focalizam dois aspectos: a sua vida amorosa e privada, e a sua riqueza, real ou pressuposta.
No primeiro caso, as publicações escandalosas se fartam no devassar de intimidades, dando dimensões extraordinárias a fatos que seriam corriqueiros na vida do homem, comum, que dessas vicissitudes ninguém se livra.
As publicações regulares, em suas colunas especializadas, se fazem mensageiras da cegonha que vai chegar, cupidos de amôres nem sempre verdadeiros, arautos da elegância e do bem-vestir, e também profetas agourentos de desquites e separações.
No segundo caso, a prosperidade do artista, quando levada a público através de qualquer meio de comunicação, traz sempre objetivo oculto. Raramente essa prosperidade, muitas vêzes vista através de poderosas lupas, é exposta e alardeada com a alegria dos que se sentem bem sabendo alguém vitorioso. Pelo contrário, nas entrelinhas há um travo de despeito, de inveja, de amargor.

Partindo dêsse princípio, o artista que se tornou um vitorioso, se compra um automóvel ou um apartamento, se procura garantir o futuro, a velhice, e arruma o chamado pé-de-meia, ao público logo se informa a marca do automóvel, o preço, a área do apartamento em todos os seus detalhes e respectivo custo, o número de letras de câmbio que foram compradas.
Dir-se-á que o artista famoso pertence mais ao público que a si mesmo, e que, por isso, ao público devem ser dadas certas informações. Em têrmos. Porque a insistência em tôrno dos muitos milhares ganhos, dos cachês fabulosos, dos contratos astronômicos - na maioria irreais e fermentados, também, pela máquina publicitária - deixa a impressão de que os seus veiculadores são, na realidade, refinados dedos-duros da fiscalização tributária.


O outro lado


Se o açodamento publicitário em tôrno da vida privada do artista e de sua prosperidade não tem limites, em contraposição o silêncio sôbre os seus atos de bondade e de desprendimento, também é uma constante. Certo que determinados artistas seguem o preceito de fazer o bem sem saber a quem, escondem quanto podem as suas benemerências, não desejam sôbre elas qualquer tipo de publicidade. Mas, se êsses gestos magnânimos, se essas atitudes raramente encontradas até em indivíduos que já nasceram sob as bênçãos da fortuna, são conhecidas do público, lamentàvelmente ninguém bate palmas, ninguém abre a roda, ninguém grita ôba!
Wilson Simonal
Simonal foi um menino pobre. Deu duro, foi tudo na vida, até cobrador fantasiado de vermelho pelas ruas. Hoje, Wilson Simonal é artista famoso e o seu nome lota estádios. Simonal é um artista caro. Quem o contrata sabe que vai ganhar dinheiro, muito dinheiro. Êle paga o seu conjunto musical, os Simonautas, constituído de excelentes músicos. Mas, quando se publica que o cachê de Simonal é de 30.000 cruzeiros, há o espanto!
O que não se diz, o que não causa espanto, é que Simonal, sendo um artista caro, é também uma excelente figura humana, apresentando-se sem ganhar um centavo, quando se trata de cantar para os que precisam. E queremos aqui dar o nosso testemunho, de público.
Procuramos Simonal para fazer um número - um só número - no Programa Flávio Cavalcanti. Simonal impôs condições:- Só se fôr um show de quarenta e cinco minutos, sem interrupção produzido pela minha própria agência, a Simonal Produções. Sairá um espetáculo da pesada...- Tá bem, Simona, mas quanto vai custar isso tudo?- Precinho camarada, de amigo: 30.000 cruzeiros...
A equipe de produção estremeceu. Não havia essa verba. Estava estourada. Mas aí entrou a Shell. Deu o dinheiro a Flávio Cavalcanti para pagar ao Simonal. Simonal recebeu o dinheiro e devolveu a Flávio Cavalcanti: para a Casa dos Meninos de Petrópolis.
Oitenta crianças desvalidas foram beneficiadas por Wilson Simonal. Os artistas que ganham muito, que ganham bem, que ganham o que realmente merecem, também têm dessas coisas. Mas o silêncio é profundo. Mas Deus acaba sabendo de tudo.


A propósito, você já acessou a fan page do meu livro infantil Juju Descobrindo Outro Mundo? Não imagina o que está perdendo. Acesse: www.fecebook.com/jujudescobrindooutromundo.


E o site da Juju Descobrindo Outro Mundo, já o acessou? Se eu fosse você iria conferir imediatamente. Acesse: www.admiraveljuju.com.br 



Imagens: Revistas Careta e O Cruzeiro, Internet